Reuniões marcam avanço em ações para limpar rios e recuperar áreas degradadas em Balneário Camboriú

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Os rios de Balneário Camboriú entraram de vez na pauta ambiental e urbana do município. Na quinta-feira (5), duas reuniões importantes colocaram em discussão ações de limpeza, recuperação e mobilização comunitária em diversos cursos d’água da cidade. 

À tarde, o foco foi a organização da ação “Todos pelo Rio Camboriú e Afluentes”, marcada para 22 de março, Dia Mundial da Água. Já à noite, o debate se concentrou na situação do Rio Marambaia, considerado um dos pontos mais críticos e alvo de determinação do Ministério Público para recuperação ambiental.

Segundo o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Nelson Oliveira, os encontros representam uma convergência de agendas e de demandas antigas da cidade. 

Necessidade de cuidados constantes com os rios, lagoas e córregos vai ganhando mais espaço e adeptos (Divulgação/PMBC)

A discussão sobre a limpeza dos rios ganhou força após solicitação da presidente da Associação de Moradores do Bairro Pioneiros, Sirley Luchtenberg, que há cerca de um mês pediu agenda com a prefeita Juliana Pavan para tratar do Rio Marambaia. Como o município já organizava a mobilização do Dia Mundial da Água, a decisão foi ampliar a ação para incluir também os afluentes.

“Acabamos convergindo. Já estávamos alinhando a limpeza do Rio Camboriú e, a partir dessas conversas, decidimos ampliar para os afluentes de toda a cidade. Abrimos o mapa de Balneário Camboriú e contemplamos os principais rios e córregos, que serão limpos pela comunidade de cada localidade”, explicou o secretário.

Nos rios e córregos dos bairros também

A segunda reunião preparatória da ação “Todos pelo Rio Camboriú e Afluentes” reuniu representantes de associações de moradores e entidades ambientais na sede da Secretaria do Meio Ambiente (Semam). 

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Durante o encontro, foram definidos os cursos d’água que receberão mutirões de limpeza no dia 22 de março. Além do Rio Camboriú, estão mapeados o Rio Marambaia, Rio Peroba, Rio das Ostras, Ribeirão Ariribá, Lagoa da Mariquinha e Lagoa do Porto do Pescador.

De acordo com Nelson, a ampliação da iniciativa também atende a uma questão prática. 

“Na limpeza do Rio Camboriú não havia espaço para todo mundo participar. Então ampliamos a ação para que a comunidade possa atuar nos rios e córregos de seus próprios bairros. A ideia é fazer um grande pente-fino e estimular as pessoas a olharem para os rios da cidade”, disse.

Até a data da ação, reuniões preparatórias ocorrerão todas as quintas-feiras, às 15h, na sede da Semam, no Parque Raimundo Malta, que fica no Bairro dos Municípios, em Balneário. 

Os encontros serão organizados por nichos específicos, envolvendo desde associações de moradores até marinas, pescadores, embarcações e entidades ambientais. 

A próxima reunião terá como foco a participação da Colônia de Pescadores, marinas e embarcações. A mobilização conta com apoio de entidades como Lions, Rotary, Emasa, Águas de Camboriú, Ambiental e Fundação do Meio Ambiente de Camboriú (Fucam), que auxiliarão na logística e na destinação dos resíduos recolhidos.

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Na edição de 2025 da ação, cerca de duas mil pessoas retiraram aproximadamente duas toneladas de lixo das águas e margens do Rio Camboriú. Para este ano, a expectativa é ampliar o alcance e envolver ainda mais voluntários.

Pontos críticos e projetos estruturais

Lagoa de Taquaras, problema ambiental desde sempre (Divulgação/PMBC)

Apesar da mobilização comunitária, dois pontos são considerados crônicos: a Lagoa de Taquaras e o Rio Marambaia. No caso de Taquaras, a situação chegou a ameaçar a Bandeira Azul da praia, o que levou o município a cogitar contratar um serviço específico para recuperação ambiental. A área também está sob acompanhamento do Ministério Público, que solicitou projetos de recuperação de áreas degradadas na região da Área de Proteção Ambiental (APA).

Inicialmente, a Univali elaborou um diagnóstico ambiental, mas, segundo o secretário, o Ministério Público solicitou ações práticas. A partir disso, o município iniciou tratativas com a empresa Phytorestore, de São Paulo, especializada em recuperação ambiental com projetos executados em diversos países, incluindo o Rio Sena, na França.

“A proposta envolve jardins filtrantes, com plantas que se alimentam da poluição e ajudam a recuperar a qualidade da água, além de decks para visitação. É um projeto totalmente possível e já em tramitação para contratação. O investimento estimado é de cerca de R$ 7 milhões”, explicou Nelson.

Rio Marambaia

Divulgação/PMBC

À noite, a discussão foi dedicada exclusivamente ao Rio Marambaia, que também enfrenta problemas históricos de poluição e assoreamento. O município é réu em processo que determina a execução de um Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), exigido pelo Ministério Público.

De acordo com o secretário, técnicos municipais já realizaram levantamentos de campo, incluindo uso de drones em áreas de difícil acesso. O projeto prevê a retirada de estruturas de concreto que canalizam o rio, a reabertura do curso natural e o plantio de vegetação nativa nas margens. “Não é fazer serviço paliativo. Vamos descortinar o rio, abrir novamente o curso, tirar o concreto, e buscar executar o que foi determinado pelo Ministério Público”, afirmou.

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A dragagem do Rio Marambaia também está em pauta, sob responsabilidade da Emasa. O tema se conecta ao projeto “Praia 100% Limpa”, que prevê intervenções estruturais para resolver problemas históricos de qualidade da água, com obras principalmente na Avenida Brasil (os trabalhos iniciaram ainda em 2025 e devem retornar após o Carnaval). O prazo estimado para execução das melhorias é de 18 meses.

Uma empresa especializada deve visitar o município na segunda-feira (9) para apresentar o orçamento de execução do PRAD. “Foi uma reunião muito produtiva. O problema do Rio Marambaia não é de hoje, é algo crônico, mas saímos confiantes com as obras e soluções que serão implementadas”, disse Nelson.

Participação comunitária

A Secretaria do Meio Ambiente reforça que toda a comunidade pode e deve participar das reuniões e das ações de limpeza. Os encontros seguem ocorrendo semanalmente, às quintas-feiras. 

“Queremos envolver toda a cidade. O objetivo principal é que as comunidades olhem para os seus rios, participem da limpeza e também da preservação permanente desses espaços”, destacou o secretário.

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