Guerra afeta custos da construção civil e Sinduscons emitem manifesto 

Situação é grave num mercado já afetado por queda nas vendas.

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Após a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) ter manifestado, no final de março, preocupação com aumentos de preços de insumos, o Sinduscon de Balneário Camboriú e Camboriú -além de outras quatro entidades congêneres-, emitiu documento com o mesma alerta: os preços de materiais essenciais estão disparando.

A desorganização dos mercados é consequência da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, com a construção civil sofrendo reflexo direto, sendo relatados reajustes de até 35% em produtos derivados de petróleo, aumento nos fretes e dificuldades de suprimentos em geral.

O Custo Unitário Básico (CUB) da Construção Civil Santa Catarina teve variações inferiores a 0,5% nos primeiros meses do ano e a expectativa é o que vai acontecer quando forem revelados os números de abril.

O CUB costuma ser o fator de reajuste dos negócios imobiliários na fase das obras e se a variação for muito expressiva tende a reduzir vendas e gerar inadimplência.

No manifesto, os Sinduscons alegam que os reajustes já pré-anunciados por fornecedores não devem ser aplicados, pois o momento exige cautela, e destacam  que “o atual cenário econômico é de desaceleração do mercado, com retração das vendas e forte impacto da política de juros sobre a atividade imobiliária”.

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Confira o manifesto

MANIFESTO DO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL SOBRE REAJUSTES DE INSUMOS

Os Sindicatos da Indústria da Construção de Balneário Camboriú e Camboriú; da Costa Esmeralda (Itapema, Porto Belo e Bombinhas); da Foz do Rio Itajaí (Itajaí, Navegantes, Penha e Balneário Piçarras); e de Criciúma, juntamente com a Associação das Construtoras e Incorporadoras de Porto Belo (ACIP), vêm a público manifestar preocupação diante dos recentes anúncios de reajuste nos preços dos insumos da construção civil.

No entendimento das entidades, causa extrema preocupação a sinalização de aumentos generalizados entre 20% (vinte por cento) e 30% (trinta por cento), especialmente quando justificados de forma genérica por possíveis reflexos econômicos decorrentes de instabilidades geopolíticas e de supostas elevações nos custos de matérias-primas e combustíveis.

Reajustes dessa magnitude, anunciados de forma abrupta e sem demonstração objetiva, concreta e individualizada da efetiva elevação dos custos, revelam postura incompatível com a boa-fé e o equilíbrio que devem nortear as relações comerciais entre os agentes da cadeia produtiva da construção civil.

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A preocupação do setor se agrava porque a construção civil não possui condições de absorver ou repassar imediatamente aumentos dessa natureza. Isso porque os contratos firmados pelas construtoras e incorporadoras são, em sua maioria, corrigidos por índices como o CUB/SC e o INCC, cujos efeitos ocorrem gradualmente e não acompanham, de forma instantânea, majorações abruptas impostas pelos fornecedores.

Amplos e simultâneos reajustes, desvinculados de custos efetivamente demonstrados, comprometem a previsibilidade da atividade e afetam obras em andamento, impactando toda a cadeia produtiva.

Além disso, o atual cenário econômico é de desaceleração do mercado, com retração das vendas e forte impacto da política de juros sobre a atividade imobiliária, circunstâncias que exigem cautela, responsabilidade e racionalidade por parte de toda a cadeia de fornecimento.

A situação imposta agora é semelhante à vivenciada durante o período da pandemia da COVID-19, quando o setor suportou aumentos expressivos e desproporcionais nos preços dos insumos, sem que posteriormente houvesse a correspondente recomposição para patamares de normalidade. Os prejuízos experimentados naquele período ainda servem de alerta e não podem ser ignorados.

Também chama atenção o fato de terem sido recentemente anunciadas medidas voltadas à redução do custo do diesel, com impacto estimado em R$ 1,20 (um real e vinte centavos), circunstância que, em tese, deveria contribuir para a contenção de custos logísticos, e não para a legitimação de aumentos generalizados e imediatos.

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Diante desse cenário, o setor defende que qualquer eventual reajuste somente possa ser promovido mediante efetiva comprovação da elevação dos custos que o justifique.

A construção civil é setor essencial para a economia regional, responsável pela geração de empregos, circulação de renda, viabilização de moradias e implantação de estruturas destinadas às atividades produtivas. Desta forma, não se pode admitir que decisões unilaterais, precipitadas e dissociadas da realidade do mercado imponham desequilíbrio a toda a cadeia.

Por isso e, principalmente, pela necessidade de relações comerciais seguras e transparentes, o momento que estamos vivenciando exige equilíbrio, responsabilidade e diálogo efetivo entre todos os agentes da cadeia. 

Sinduscon de Balneário Camboriú e Camboriú

Sinduscon Costa Esmeralda (Itapema, Porto Belo e Bombinhas)

Sinduscon da Foz do Rio Itajaí (Itajaí, Navegantes, Penha e Balneário Piçarras)

Sinduscon de Criciúma

Associação das Construtoras e Incorporadoras de Porto Belo (ACIP)

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