“A Pátria em Campo”, por Por Claudemir Casarin

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Futebol e política podem ser assistidos mesmo por quem não entende nada de uma ou outra coisa. E essa é a beleza do futebol e a fatalidade na política.

No futebol as pessoas que ignoram as táticas desenvolvidas em campo e que apenas aplaudem ou vaiam, por prazer ou tédio, o movimento interminável da bola e dos jogadores são chamadas de torcedoras. E está tudo bem torcer no futebol, porque este se resume a um espetáculo, onde quem perde não morre e pode voltar na próxima partida e sair vitorioso, num ciclo interminável de eventos.

Mas a política não é um espetáculo, embora seja exercida e televisionada de forma espetaculosamente irresponsável por alguns. Na política as perdas podem ser contabilizadas em mortos, feridos e esfomeados. Cada decisão errada pode resultar em milhares de pessoas desempregadas. Uma vírgula aprovada faz toda diferença entre a prisão ou a liberdade. Ainda assim tem gente que toma decisões políticas, que vota, como se estivesse num estádio de futebol.

Acreditar que Neymar, Endrick e Vinícios Júnior poderiam jogar bem no mesmo time, não faz a menor diferença na vida de ninguém depois do Brasil perder mais uma Copa. Mas votar em políticos espetaculares, espalhafatosos que jogam para a torcida, pode custar seu emprego e o futuro das próximas gerações.

De um jogador de futebol se espera graça, drible, zoação. Já um político tem que ter respeito eterno a todas as pessoas, de todos os partidos, credos, cores, raças ou sexo, porque ao final e ao cabo a cidade, o país, a nação é uma só.

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Partidos políticos não são como times de futebol. Na política ou todos ganhamos ou todo mundo paga a conta. O PT ou o PL não ganham sozinhos uma eleição. Quando um candidato do PSOL ou do PDT é eleito, quem ganha e sai fortalecida é a democracia. Por isso se diz que a festa no fim de toda eleição não é de uma candidatura ou partido, mas do povo, da cidadania. Por isso sempre devemos escolher uma figura política que prime por acolher, confraternizar, negociar com todo o espectro ideológico.

Político bom não faz gol sozinho. Eleitorado consciente não fica sentado na arquibancada. Esta é, em suma, a grande diferença da política pro futebol. Na política não deveríamos aplaudir craques goleadores individualistas que se vangloriam de comer a bola do jogo.

Não existe, de fato, arquibancada na política. Todas as pessoas estão o tempo todo dentro das quatro linhas. E a bola da vez sempre passa pelo voto de cada um e de cada uma de nós. Quem não sabe ou esquece disso, corre sério risco de ir para o chuveiro, antes do fim do jogo.

Claudemir Casarin é psicólogo socionomista

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