PF apura repasses de empresa de resort a Toffoli e encontra conversa com Vorcaro

A PF apontou, em relatório entregue a Fachin, elementos que podem levar a uma declaração de suspeição do ministro, fazendo com que ele possa deixar a a relatoria do caso. O presidente do STF já intimou Toffoli a se manifestar sobre o requerimento.

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SÃO PAULO, SP E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal apura transferências de dinheiro de uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayayá para o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal). Os pagamentos teriam sido realizados pela Maridt, que teve participação no empreendimento e está em nome de dois irmãos do magistrado.

Toffoli disse a interlocutores que isso ocorreu por ser sócio da empresa junto a outros familiares. É a primeira vez que o magistrado detalha seu envolvimento com o resort e a companhia dos irmãos.

Uma das linhas com que a PF trabalha envolveria o repasse de recursos a Toffoli depois que os irmãos do ministro venderam sua participação no resort para o fundo Arleen, que fazia parte de uma teia controlada pelo Master.

Durante quatro anos (entre 2021 e 2025) os irmãos José Eugenio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli dividiram o controle do Tayayá, no Paraná, com o fundo de investimentos Arleen.

O Arleen entrou na sociedade em 2021, comprando cotas de empresas que pertenciam aos irmãos e a um primo de Toffoli. O Arleen era de propriedade de outro fundo, o Leal, que de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.

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As informações colhidas pela PF até agora podem indicar um relacionamento financeiro entre o resort e o ministro, que costuma frequentar o Tayayá e usa uma casa no empreendimento.

Para aprofundar essas apurações relacionadas a Toffoli, porém, é preciso uma autorização do STF, uma vez que o próprio ministro é o responsável pelo caso.

A PF também encontrou no celular de Daniel Vorcaro conversas entre o banqueiro e Toffoli. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pela Folha de S.Paulo com uma autoridade que acompanha as investigações.

Em conversas reservadas com pessoas próximas, Toffoli vem afirmando que não mantinha contato com o ex-banqueiro, mas que haveria mensagens nas quais Vorcaro mencionaria seu nome. Procurado, o STF não se manifestou sobre essas informações.

A referência a Toffoli fez com que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, levasse o material obtido no telefone ao presidente do STF, Edson Fachin. Os investigadores pedem a abertura de novas apurações sobre o caso, incluindo menções ao ministro.

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O UOL informou que o material foi entregue pessoalmente a Fachin na segunda-feira (9). O relato foi confirmado pela Folha.de S.Paulo

Em comunicado, a defesa de Vorcaro afirmou ter “preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa”.

“Tudo o que se espera dos responsáveis pela investigação é que exerçam suas atribuições de forma isenta e imparcial, por se tratarem de representantes do Estado com papel fundamental para a democracia”, disse.

As novas informações ampliam a pressão para que Toffoli se afaste do caso. Sua atuação no inquérito vem sendo contestada desde que ele assumiu a relatoria do caso, no ano passado. A revelação de sua conexão com o Tayayá ampliou os questionamentos.

A PF apontou, em relatório entregue a Fachin, elementos que podem levar a uma declaração de suspeição do ministro, fazendo com que ele possa deixar a a relatoria do caso. O presidente do STF já intimou Toffoli a se manifestar sobre o requerimento.

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A auxiliares o ministro segue afirmando não ver razão para se afastar do caso.

O gabinete de Toffoli afirmou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”. E acrescenta: “Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145 do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao Presidente da Corte.”

Um pedido de suspeição já havia sido feito pela PF à PGR (Procuradoria-Geral da República), mas o procurador-geral, Paulo Gonet, não deu andamento porque já havia afastado a suspeição de Toffoli em requerimento semelhante feito por parlamentares de oposição.

No Supremo, ministros avaliam que a arguição de suspeição é uma prerrogativa exclusiva da PGR –sendo assim, a PF não teria legitimidade para entrar com esse tipo de processo. Ainda assim, Fachin cumpriu o rito de notificar Toffoli a responder.

As investigações da Polícia Federal envolvendo o Master também já apontaram um possível envolvimento de políticos com foro especial. Material reunido pela PF na primeira fase da operação Compliance Zero contém referências a lideranças partidárias e altas autoridades, como mostrou a Folha de S.Paulo.

Investigadores afirmam que foram feitos “vários achados” com menções a essas figuras do mundo político. Apurações sobre essas autoridades terão de correr no STF.

Quando Vorcaro foi preso, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o telefone celular do banqueiro.

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