Recém-empossado como presidente do PL em Balneário Camboriú, o deputado estadual Carlos Humberto Metzner Silva já iniciou movimentos para reorganizar o partido e aproximá-lo do governo da prefeita Juliana Pavan.
No entanto, esse primeiro gesto político após assumir o comando do PL na cidade expôs um cenário longe de consenso, pois há resistências internas.
Na quinta-feira (19), Carlos Humberto realizou duas agendas: uma reunião com vereadores do PL na Câmara de Balneário Camboriú e uma visita institucional à prefeita, acompanhado do vereador Jair Renan Bolsonaro, seu vice no PL local.
Segundo o deputado, o encontro com os vereadores foi um primeiro passo para reorganizar o partido que, nas palavras dele, estava “muito desorganizado”. O que chamou a atenção é que um vereador não participou, Guilherme Cardoso, que sempre foi o mais próximo do ex-presidente do partido e ex-prefeito da cidade, Fabrício Oliveira.
“Foi tranquilo. O Guilherme enviou o chefe de gabinete dele. Os vereadores relataram que na gestão anterior praticamente não havia reuniões. Agora queremos ouvir todos, construir juntos e convocar o partido a participar do processo eleitoral”, afirmou Carlos Humberto.
Ele destacou ainda que o PL local já se movimenta mirando as eleições de outubro, com pré-candidaturas alinhadas ao cenário estadual e nacional. “Temos pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro, o governador Jorginho Mello que busca a reeleição, além de nomes ao Senado e dois pré-candidatos na cidade, que sou eu como deputado estadual e o Jair Renan como deputado federal”, disse.
Apesar disso, ele garantiu liberdade aos vereadores. “Sabemos que cada um tem sua história e compromissos. Ninguém foi pressionado”, afirmou.
No mesmo dia, o deputado esteve com Juliana Pavan, em uma visita que classificou como institucional, mas que reforça sua intenção de aproximar o PL da base governista.
“Como pessoa, sou apoiador incondicional da prefeita. Ela é muito bem avaliada e faz um trabalho consistente. Apoiar ela é pensar na cidade”, declarou.
Carlos Humberto disse que o movimento será construído gradualmente e que nada será imposto.
“Não imponho nada. Trabalho ouvindo, construindo. Se depender de mim, há chance do PL se tornar base, mas isso passa por diálogo e respeito a todos”, afirmou.
Ele também destacou que o objetivo é retomar um ambiente mais harmônico dentro do partido.
“As decisões vão ser em conjunto, com respeito aos filiados e representantes”, completou.
O Página 3 procurou o vereador Guilherme Cardoso, já que ele foi o único do PL a não participar da reunião com o novo presidente local. Ele disse que não concorda com a forma como a aproximação com o governo municipal foi conduzida e deixou claro que não pretende acompanhar o movimento. “Não concordei com essa atitude. Não acho errado ele [Carlos Humberto] ser presidente, acho que é legítimo, considerando que ele é deputado estadual, mas não concordo com o partido se conectando com a base do governo”, afirmou.
Na visão de Guilherme, o PL foi identificado pelo eleitor como oposição a Juliana Pavan nas eleições municipais, e é um posicionamento que ele pretende manter.
“Eu não vou deixar de ter essa posição. Não vou fazer parte da base. Vou continuar sendo oposição coerente, com cobranças e pautas. Eu respeito a prefeita, mas não vou deixar o meu eleitor, que viu o PL como oposição. Inclusive acho importante a cidade ter uma oposição, para somar”, disse.
O vereador também criticou a condução interna da decisão e afirmou que foi algo feito sem consultar os vereadores. Ele disse que vai se reunir com seu grupo político em breve, para definir os próximos passos e não descartou uma eventual mudança de partido.
“Recebi convites, mas ainda não tomei decisão”, completou.
O partido da prefeita Juliana Pavan, o PSD, tem um pré-candidato a governador, João Rodrigues e o PL tem outro candidato, Jorginho Mello, o que torna difícil para o eleitor entender esse tipo de aproximação proposto por Carlos Humberto.

