Após emenda rejeitada, vereador Naifer pede veto ao uso de sistema de câmeras para fiscalização de trânsito

Vereador encaminhou indicação nesta quinta-feira (24) e cita posicionamentos anteriores de Juliana Pavan e Nilson Probst contra multas por câmeras no rotativo

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Um dia depois de ter rejeitada sua emenda que retirava a fiscalização de trânsito e estacionamento do sistema de monitoramento de Balneário Camboriú (relembre aqui), o vereador Naifer Neri (Novo) levou o pedido ao Executivo.

Nesta quinta-feira (24), ele apresentou a Indicação nº 3355/2026, solicitando veto parcial ao projeto aprovado pela Câmara na quarta-feira (23).

O pedido é dirigido à prefeita Juliana Pavan ou ao vice-prefeito Nilson Probst, prefeito em exercício.

Naifer quer excluir os dispositivos que permitem utilizar o Sistema Integrado de Monitoramento Inteligente da Mobilidade Urbana, Segurança Pública e Fiscalização Eletrônica Móvel (SIMOB) para fiscalizar o trânsito e o estacionamento regulamentado.

A indicação preserva as demais funções previstas no projeto, como prevenção de crimes, identificação de veículos, apoio a investigações, atendimento de ocorrências e proteção do patrimônio público.

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O documento formaliza a solicitação do vereador, mas não altera o texto aprovado nem representa uma decisão do Executivo.

Vereador tenta retirar dispositivos mantidos pelo plenário

O Substitutivo nº 1 ao Projeto de Lei Ordinária nº 57/2026, de autoria de Asinil Medeiros (PL), foi aprovado por 11 votos a seis. A emenda apresentada por Naifer para excluir as atribuições de fiscalização também recebeu 11 votos contrários e seis favoráveis.

Com a rejeição, o texto manteve a possibilidade de empregar equipamentos fixos ou móveis, inclusive instalados em veículos, na fiscalização de trânsito e do estacionamento regulamentado. O projeto ainda depende de sanção ou veto.

Na justificativa da indicação, Naifer afirma que sua oposição está no uso da tecnologia para aplicação automática de penalidades, e não no monitoramento voltado à segurança pública.

“O que se busca impedir é a utilização desses mesmos sistemas como instrumentos de aplicação automática de multas, retomando uma política que já foi objeto de discussão e de restrição no Município”, explica.

A expressão “indústria das multas”, utilizada pelo vereador, já havia aparecido em outras ocasiões. Para ele, a administração deve priorizar prevenção, orientação e segurança, sem transformar o monitoramento em mecanismo de arrecadação.

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Pedido cita votos de Juliana e Probst e lei sancionada em 2025

Para defender o veto, Naifer recorre ao posicionamento anterior dos atuais ocupantes do Executivo. Segundo a justificativa, Juliana Pavan e Nilson Probst votaram favoravelmente, quando eram vereadores, ao projeto que proibia a fiscalização e a aplicação de multas por câmeras OCR instaladas em viaturas de trânsito. A votação citada ocorreu em 13 de novembro de 2024.

O vereador também lembra que Juliana sancionou, em 20 de fevereiro de 2025, a Lei Municipal nº 5.002/2025. Conforme o documento apresentado por Naifer, a norma proibiu o uso de dispositivos eletrônicos e câmeras OCR para aplicação de multas do estacionamento rotativo e estabeleceu notificação prévia ao condutor antes da penalidade.

O projeto aprovado nesta quarta-feira prevê expressamente, em seu artigo 15, a revogação dessa lei. Naifer argumenta que a proposta representa uma mudança em relação à política adotada pela atual gestão.

A indicação pede a retirada das permissões de fiscalização, mas não apresenta uma relação dos artigos que deveriam ser vetados nem trata separadamente do dispositivo que revoga a lei de 2025.

BC Trânsito afirmou que implantação ainda será estudada

Na reportagem publicada pelo Página 3 na quarta-feira, o diretor-presidente da BC Trânsito, Evaldo Hoffmann, defendeu as possibilidades do SIMOB, destacando aplicações na segurança pública e no planejamento da mobilidade.

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Segundo ele, o sistema poderá compartilhar imagens com a central de monitoramento da Guarda Municipal, apoiar investigações, mapear vagas de estacionamento e produzir informações sobre a circulação de veículos.

Questionado sobre a possibilidade de uma viatura com câmeras voltar a fiscalizar o estacionamento, Evaldo afirmou que a forma de implantação ainda será avaliada.

“Vamos ver de que forma e se vamos ou não implementar. Mas, com certeza, vamos dar ênfase em todas as funcionalidades que o projeto tem”, declarou ao jornal.

O texto aprovado classifica a fiscalização do estacionamento regulamentado como uma finalidade acessória do sistema. Também determina que a fiscalização eletrônica móvel observe o Código de Trânsito Brasileiro e as normas aplicáveis.

Embora Naifer manifeste preocupação com multas automáticas, a aprovação do projeto não significa que uma operação desse tipo já esteja definida ou em funcionamento.

A proposta prevê regulamentação pelo Executivo, e a BC Trânsito ainda deverá avaliar sua implantação.

Com a indicação apresentada nesta quinta-feira, o vereador busca fazer com que o Executivo retire do projeto os dispositivos que ele não conseguiu excluir durante a votação na Câmara.

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