O extremismo que assola o país nos últimos anos, assunto de todas as interações sociais, desenvolvendo um cenário de ódio entre direita e esquerda, faz mal ao país e ao seu povo.
A eleição de 2026 se aproxima e Luiz Inácio Lula da Silva deve concorrer à reeleição (ele disse em julho que depende de suas condições de saúde e disposição, mas que ‘não vai entregar o país ‘àquele bando de malucos que quase destruiu o país nos últimos anos’) contra algum candidato da direita (circulam nomes como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro), pois Jair Bolsonaro está inelegível e tende a ser preso.
O extremismo é agudo também em Santa Catarina, conhecida pelo apoio ao bolsonarismo. O governador Jorginho Mello (PL), é bolsonarista e seu principal adversário ao governo do estado, João Rodrigues (PSD) também é.
No encontro estadual do PSD, realizado em Balneário Camboriú no último dia 11, diante de uma plateia com mais de duas mil pessoas e na presença de lideranças nacionais e estaduais do partido, a prefeita Juliana Pavan defendeu o fim do extremismo.
“Todas as falas foram sobre defender o fim do extremismo, da polarização que não agrega em nada. Política não é escolher um lado ruim ou bom. Eu escolhi a política boa, por isso entrei no PSD, que trabalha o social de forma democrática, sem extremismo. Quando a corda estica para ambos os lados, seja direita ou esquerda, ela arrebenta no meio – e quem é afetado é o povo. Precisamos debater o real, as coisas que afetam as pessoas”, discursou Juliana.
Diante do cenário acirrado, o Página 3 procurou presidentes de partidos em Balneário Camboriú e convidou todos a responderem a mesma pergunta:
“Na sua visão, a eleição de 2026 tende a acentuar ou reduzir os discursos extremistas, tanto à esquerda quanto à direita?”.
“Preocupado com ações extremistas tanto de direita quanto de esquerda”

Luiz Maraschin, presidente do Democracia Cristã (DC) em Balneário Camboriú
“Nosso partido sente-se preocupado com ações extremistas tanto de direita quanto de esquerda neste momento em que nos aproximamos de mais um processo eleitoral. As ações extremistas que nos referimos estão espalhadas por todo o globo… por isso há poucos dias celebramos com a direção estadual do DC uma reflexão sobre temas de interesse da sociedade como um todo, ressaltando em saúde, educação, qualificação profissional, segurança pública, com candidatos(as) que tenham demonstrado ao longo de suas vidas interesse nestes temas”.
“Esse cenário deve acentuar as polarizações nas eleições brasileiras de 2026”

João Passos, presidente do Cidadania em Balneário Camboriú
“Crise do neoliberalismo e ascensão do conservadorismo devem polarizar eleições de 2026. Pela primeira vez desde sua ascensão, o neoliberalismo enfrenta uma crise significativa, impulsionada pela instabilidade econômica nos EUA e pela política antiglobalização de Trump. Esse cenário deve acentuar as polarizações nas eleições brasileiras de 2026. Em todo o mundo, o conservadorismo avança e o Brasil não fica de fora.
Seu discurso, assim como o da extrema esquerda, tende a ser mais incisivo do que propositivo, embora este último grupo apresente um número maior de propostas. Diante disso, espera-se que as tensões entre os extremos dificultem a atuação e a oferta de alternativas por parte das forças de centro, tanto no Executivo quanto no Legislativo. Em resposta, o Centro Democrático seguirá promovendo o diálogo e a participação no debate público, buscando engajar quem diverge de suas posições”.
“O povo começou a ter mais consciência que o extremismo não é benéfico”

Gilson Menzel, presidente do PSDB em Balneário Camboriú
“Acredito que vai diminuir um pouco, visto que tem mudanças no cenário brasileiro das últimas duas eleições nacionais – com a primeira que foi aquela do extremismo batendo forte, com ‘fora, Dilma’ e aquela situação da direita erguendo a onda Bolsonaro, então ela teve mais ênfase, e depois do governo Bolsonaro deu uma queda, visto que até justamente o PT retornou ao governo. Agora o povo começou a ter mais consciência que o extremismo não é benéfico. Apesar que o extremismo, no meu ponto de vista, é uma balança, nem para um lado, nem para o outro, ele se protege. E o centro fica no equilíbrio. E o crescimento do centro é evidente. Visto aí pelas entrevistas dos presidentes dos partidos, dos pré-candidatos ao governo de Santa Catarina, dos outros governos, até presidencial. Isso é um cenário bem diferente comparando com as eleições anteriores.
Eu vejo um crescimento muito grande do centro, então o extremismo vai ficar um pouco ‘maquiado’. Vai ser uma campanha com um debate mais aberto, eu acredito, do que simplesmente ‘não, o lado de lá está errado, é aqui o nosso que está certo’. Esse é o ponto de vista que a gente tem”.
“Vai acentuar”

Allan Muller Schroeder, presidente do PDT em Balneário Camboriú
“Acredito que vai acentuar, ambos os lados de uma suposta disputa entre esquerda x direita não apontam para mudar o modelo econômico do país, que continua extremamente injusto socialmente e desigual, com as grandes maiorias ainda distantes do acesso aos serviços públicos fundamentais e uma absoluta precarização do trabalho. Esses lados se retroalimentam, enquanto isso a dependência do país ao estrangeiro permanece. Ambos só falam de pátria e soberania da boca pra fora, enquanto nossas riquezas continuam indo pro ralo para o exterior.
O atual governo continuou a política econômica de juros altos e manteve o teto de gastos com características mais lights, resultado, não fazemos investimentos necessários para industrializar o país, gerar empregos com carteira assinada e investir na ampliação dos direitos sociais.
Do outro lado uma família de ladrões e golpistas, bandidos que querem inclusive se apoderar do Estado aqui em Balneário Camboriú e Santa Catarina somente por seus interesses próprios, gente que vai para os EUA conspirar contra o próprio país e que defende anistia para criminosos. Ou seja, com uma sociedade injusta e desigual, cheia de problemas sociais, não há como se falar em pacificação”.
“O Brasil está passando por uma guerra fria desnecessária”

Omar Tomalih, presidente do União Brasil em Balneário Camboriú
“Diante de todo o cenário que nós estamos vivendo nos últimos anos, em especial nos últimos meses aqui no Brasil e no cenário mundial também, com tudo que aconteceu nos Estados Unidos, em alguns países da Europa, nos países vizinhos, como na Argentina… o Brasil, em especial, a gente tem a lamentar que o radicalismo tem tomado conta. Quando falo radicalismo, falo dos dois lados. Nós precisamos botar os pés no chão e entender que a causa do país e do povo, das pessoas, é muito maior do que uma bandeira partidária. Nós temos grandes líderes que precisam tomar a frente e pacificar o Brasil, que está vivendo um momento de guerra fria. Essa é a visão que eu tenho hoje.
O Brasil está passando por uma guerra fria desnecessária, causada muitas vezes por egos e vaidades, acima do interesse público. Então, diante de todo esse cenário que nós estamos vivendo, infelizmente, eu acho que a polarização ano que vem vai vir muito mais forte do que nos últimos anos – como ocorreu nas primeiras eleições, com o Bolsonaro, e logo depois teve uma disparada da direita, depois veio a reeleição, onde teve uma polarização; e ano que vem, diante de todo esse cenário que nós estamos vivendo, infelizmente, o radicalismo vai tomar conta. Só para deixar bem claro que, quando eu falo em guerra fria, eu não estou acusando nem lado A, nem lado B. Falo de como está sendo o cenário político. É complicado. O Brasil é um país de paz, de harmonia, e nós precisamos nos posicionar politicamente, dentro da legalidade, e não querer ir para o extremismo como nós estamos vendo que está se encaminhando no nosso país”.
“O que alguns chamam de “discurso extremista” da esquerda é, na verdade, a defesa da democracia”

Mozart Serpa de Toledo, presidente PT de Balneário Camboriú
“O que vai definir o tom da eleição de 2026 não é o extremismo, é o povo brasileiro. Hoje temos um governo que voltou a olhar para quem mais precisa, que tirou o Brasil do Mapa da Fome, que retomou o investimento público e está reconstruindo o país depois do caos que encontramos. O que alguns chamam de “discurso extremista” da esquerda é, na verdade, a defesa da democracia, dos direitos sociais e da soberania nacional.
E essa prioridade do governo federal pelo povo se reflete claramente aqui em Balneário Camboriú. O presidente Lula nunca perguntou qual era o partido da prefeita, se era de esquerda ou de direita. A prioridade dele sempre foi o povo, a população que vive aqui. Muito desse protagonismo e da presença concreta do governo Lula em Balneário Camboriú se deve ao mandato do PT na Câmara de Vereadores, representado pelo vereador Eduardo Zanatta, o mais atuante e que mais entrega resultados para a população. Com trabalho sério, propostas viáveis e compromisso com as demandas da cidade, temos garantido que as políticas públicas cheguem nas pessoas. Foi assim que, através da articulação do mandato do vereador, garantimos os recursos para a construção do CAPS I, da UBS da Vila Real, da Policlínica, e, mais recentemente, para a macrodrenagem da Praia Central, contenção de encostas e o Parque Inundável. Somados, são mais de R$ 150 milhões em investimentos para a cidade”.
“Precisamos de uma eleição com propostas”

Marcos Augusto Kurtz, presidente do Podemos em Balneário Camboriú
“Eu acredito que irá depender muito dos candidatos que irão disputar a eleição presidencial. Alguns possíveis nomes da direita não irão entrar nesse discurso de extremismo. São candidatos ponderados, inteligentes e que poderão mostrar para população que esse extremismo é prejudicial para o país, que não nos ajuda em nada. Precisamos de uma eleição com propostas, com projetos claros para a nossa economia, saúde, educação e infraestrutura. A própria população tem visto isso e sentido esta necessidade. O Brasil precisa de propostas para fazer o nosso país crescer e torná-lo cada vez mais forte”.
“Tende a acentuar os discursos extremistas”

David Fernandes ‘La Barrica’, presidente do PRD em Balneário Camboriú
“2026 na minha opinião tende a acentuar os discursos extremistas, hoje vejo somente duas vias, a esquerda representada pelo Lula e a direita representada pelo Bolsonaro. Nosso estado mais conservador, de direita, deve vencer a direita”.
“Será um campo de guerra e vale tudo”

Marcelo Lazzaroni, presidente do PSB em Balneário Camboriú
“A eleição de 2026 será um campo de guerra e vale tudo! Não há a menor dúvida, de que os extremos (de ambos os lados) estarão em seu ápice! Infelizmente, o país, os estados e a democracia, estarão submetidos a observar os dois lados se degladiando por um interesse que é mais particular do que público, no entanto, creio que após 2026, aí sim, os espíritos venham a se acalmar”.
“Não haverá uma redução significativa nos discursos extremistas”

Fábio Flor, presidente do Progressistas em Balneário Camboriú
“Infelizmente acredito que na eleição de 2026 não haverá uma redução significativa nos discursos extremistas, tanto à esquerda quanto à direita. Porém, mantenho a esperança de que, para as eleições seguintes, o país e nossa cidade consigam caminhar para uma política pautada no respeito às diferenças de opinião, promovendo um ambiente mais democrático e harmonioso”.
“Não pode continuar o radicalismo maluco”

Nilson Probst, presidente do MDB em Balneário Camboriú
“Entendo que nesse momento vai continuar esse radicalismo mais acentuado, pela situação do judiciário, pela PEC aprovada recentemente. Enquanto não se normalizar, vai continuar o radicalismo. Está na hora de acabar com isso, precisamos olhar mais quem são os candidatos, a história de cada um, o que já fez na sociedade, e não votar simplesmente porque é Bolsonaro ou Lula, parar com isso de ‘vou votar em fulano porque sou Lula’ e da mesma forma do outro lado. Por exemplo, vem filho do Bolsonaro, não sabe uma rua de BC e foi eleito. Agora, outro filho dele que não conhece nada de SC e quer ser senador. Tem que acabar com isso. Posso ser de direita, então vamos escolher alguem de direita que tenha história, que tenha trabalho realizado por SC. Temos inúmeros deputados que poderiam ser senadores – Esperidião Amin, Caroline De Toni, o próprio Chiodini. Muitas pessoas boas com história em SC. ‘Ah, sou Bolsonaro, se indicarem uma parede, vou votar na parede’. Tem muitos que nunca fizeram nada por ninguém e não tem história aqui, e se elegeram pela onda. Isso tem que mudar. Temos que escolher e votar em candidatos que têm história, trabalho realizado e conhecimento. Ser de direita ou esquerda é normal, é algo do mundo todo, mas não pode continuar o radicalismo maluco. Essa situação tem que mudar”.
“O Brasil clama por uma reconstrução identitária”

Fabrício Oliveira, presidente do PL em Balneário Camboriú
“Desejo que o extremismo não seja a voz dominante em nossas discussões políticas. O Brasil clama por uma reconstrução identitária, pois hoje vivemos um Estado Democrático de Direito relativo, submetido a uma condução econômica ideológica que tem sufocado nossa prosperidade e a verdadeira justiça. Essa reconstrução, dentre outros fatores, passa também por compreendermos que as diferenças que nos dividem são menores do que as razões maiores que deveriam nos unir. O Brasil merece um horizonte de prosperidade e crescimento econômico para o povo brasileiro”.
“Será, sem dúvida, mais uma eleição polarizada”

Lucas Gotardo, presidente do NOVO em Balneário Camboriú
“Sim, acredito que os discursos irão se acentuar ainda mais em 2026. Será, sem dúvida, mais uma eleição polarizada, marcada por narrativas ideológicas fortes — muitas vezes extremadas — de ambos os lados. Isso não é um fenômeno apenas brasileiro; é reflexo de um cenário global. Vivemos uma divisão que vai além da política: é um conflito moral e, em muitos casos, espiritual. À medida que essa tensão cresce, os discursos tendem a ficar mais duros e emocionais. Não há caminho suave, mas o choque de ideias também revela uma sociedade em ebulição, buscando respostas que não são só de governo, mas de valores e propósito. Da minha parte, vou seguir fazendo o que acredito ser correto: defender a liberdade da melhor forma possível. Há muito tempo escolhi meu lado e seguirei firme no que acredito — com respeito às pessoas, e compromisso com debate franco e soluções concretas”.

