A prefeitura de Balneário Camboriú iniciou, nesta semana, os atendimentos no novo Centro de Diagnóstico do Neurodesenvolvimento, criado para enfrentar um dos principais gargalos da rede pública de saúde: a fila de crianças e adolescentes que aguardam avaliação especializada.
O município identificou 563 pacientes à espera de diagnóstico, em alguns casos há mais de dois anos. A estrutura funciona de forma temporária, com atendimentos de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, no Núcleo de Práticas em Psicologia (Bloco 2) do Centro Universitário Avantis (Uniavan). A previsão é de que o trabalho seja concentrado em um período de 90 a 120 dias, com o objetivo de zerar a demanda reprimida.
Segundo a secretária de Saúde, Aline Leal, a criação do centro é resultado de um diagnóstico detalhado da própria rede municipal.
“Fizemos um raio-x completo para entender onde o sistema estava travado. Identificamos mais de 500 crianças que já tinham encaminhamento para neuropediatra ou psiquiatra e aguardavam diagnóstico. O centro nasce justamente para dar essa resposta, com avaliação qualificada e encaminhamento correto”, explicou.
Diagnóstico exige equipe multidisciplinar

De acordo com a secretária, um dos principais entraves identificados foi a tentativa de resolver a fila apenas com consultas isoladas, o que não garantiria diagnósticos precisos. “Não adianta apenas comprar consultas com neuropediatra. O diagnóstico de condições como autismo, TDAH ou TOD exige equipe multidisciplinar, com métodos e ferramentas específicas. Por isso estruturamos um protocolo municipal e montamos uma equipe especializada em neurodesenvolvimento”, destacou.
O centro conta com profissionais de diferentes áreas, como psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia e psiquiatria, permitindo avaliações mais completas e assertivas. Além disso, a Secretaria implantou um protocolo de diagnóstico precoce na atenção básica, algo que, segundo Aline, não existia anteriormente.
Reorganização da rede após diagnóstico

Após a etapa de diagnóstico, os pacientes serão direcionados para a rede municipal de atendimento, conforme a necessidade de cada caso.
Entre os serviços disponíveis estão o Posto de Atenção Infantil (PAI) e, futuramente, o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), previsto para entrar em funcionamento no segundo semestre deste ano, no Bairro dos Municípios.
A secretária também destacou mudanças no funcionamento da Casa do Autista, que passou a integrar oficialmente a estrutura da Saúde e deixou de ter caráter permanente.
“Antes, a criança entrava e ficava sem reavaliação. Hoje, a Casa do Autista é um equipamento de saúde, com início, meio e fim de atendimento, dentro da linha de cuidado. A criança é acompanhada, evolui e pode ser redirecionada conforme a necessidade”, afirmou.
Atualmente, o espaço atende 198 crianças — número superior às 130 registradas anteriormente —, com inclusão de casos de maior complexidade (nível 3 de suporte), apesar das limitações físicas do local. Há ainda um convênio com a AMA Litoral, que atende outras 111 crianças.
Planejamento e ampliação do atendimento
A criação do centro também está inserida em um planejamento mais amplo da rede de saúde mental e do neurodesenvolvimento, iniciado em abril de 2025, com a formação de um grupo técnico para avaliar demandas e fluxos. Com os novos protocolos e a reorganização dos serviços, a expectativa do município é ampliar a capacidade de atendimento e reduzir o tempo de espera de forma permanente.
“O objetivo não é só diagnosticar, mas acolher e dar o encaminhamento terapêutico correto para cada criança e adolescente”, reforçou Aline.

