Cetamina intravenosa surge como alternativa rápida para casos graves de depressão resistente

Tratamento já disponível no Centro de Saúde Bem Viver Dia é indicado para pacientes que não responderam adequadamente às abordagens tradicionais

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A depressão é uma das doenças mentais mais comuns do mundo, mas nem sempre responde da forma esperada aos tratamentos convencionais. Em parte dos casos, mesmo após mudanças de medicação e acompanhamento contínuo, os sintomas persistem, impactando diretamente a qualidade de vida dos pacientes. 

Esse quadro é conhecido como depressão resistente ao tratamento e tem levado a psiquiatria a buscar abordagens mais rápidas e eficazes. Entre elas, a cetamina intravenosa vem ganhando destaque em estudos científicos e na prática clínica por apresentar resposta acelerada em casos graves, especialmente em pacientes com ideação suicida.

A cetamina é um medicamento utilizado há décadas como anestésico e que, nos últimos anos, passou a ser estudado na psiquiatria por sua ação em um sistema diferente dos antidepressivos tradicionais: o sistema glutamatérgico, ligado à neuroplasticidade e à reorganização das conexões cerebrais.

Segundo o Dr. Francisco Moraes Mezadri, Diretor Técnico do Centro de Saúde Bem Viver Dia, o tratamento representa uma nova possibilidade para pacientes que já passaram por diversas tentativas terapêuticas sem sucesso. 

“Durante muito tempo, os pacientes com depressão resistente conviviam com poucas alternativas quando os tratamentos convencionais não apresentavam resposta adequada. A cetamina intravenosa trouxe uma mudança importante porque oferece uma ação mais rápida em quadros graves, especialmente nos momentos de maior sofrimento psíquico”, afirma.

Um dos estudos mais relevantes sobre o tema foi publicado no periódico científico The BMJ e avaliou pacientes com ideação suicida grave. A pesquisa apontou que, em apenas três dias, 63% dos pacientes tratados com cetamina intravenosa apresentaram remissão completa da ideação suicida. No grupo placebo, o índice foi de 31,6%.

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Para o médico, o principal diferencial está justamente na velocidade de resposta. 

“Os antidepressivos tradicionais costumam levar semanas até apresentarem efeito significativo. Em situações críticas, esse tempo pode ser extremamente delicado. A cetamina não substitui os tratamentos convencionais, mas pode funcionar como uma estratégia importante para reduzir rapidamente a intensidade dos sintomas e permitir que o paciente volte a responder melhor ao cuidado como um todo”, explica Dr. Francisco.

Só com acompanhamento especializado

O especialista destaca ainda que o tratamento precisa ser realizado exclusivamente em ambiente médico controlado e com monitoramento contínuo. 

“Apesar dos benefícios, é um protocolo que exige acompanhamento especializado. Durante a aplicação podem ocorrer efeitos transitórios, como sensação de desconexão, tontura, sonolência e alterações momentâneas da pressão arterial. Por isso, a segurança do paciente faz parte central do tratamento”, disse.

Na prática, a cetamina intravenosa é indicada principalmente para pacientes com depressão resistente, sintomas persistentes e intensos ou situações em que há necessidade de resposta terapêutica mais rápida. Cada caso, porém, deve passar por avaliação psiquiátrica individualizada.

No Centro de Saúde Bem Viver Dia, o tratamento integra um modelo estruturado de cuidado em saúde mental, podendo incluir atendimento ambulatorial, acompanhamento intensivo no Hospital Dia e, quando necessário, internação psiquiátrica.

“O mais importante é que hoje existem alternativas baseadas em evidência científica para pacientes que já acreditavam ter esgotado todas as possibilidades. O tratamento precisa ser individualizado, humanizado e conduzido com responsabilidade”, completa Dr. Francisco Moraes Mezadri.

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