A Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú recebeu, na noite de quinta-feira (16), a audiência pública para apresentação do relatório final das atividades do Comitê Extraordinário de Acompanhamento e Fiscalização da Estadualização do Hospital Regional Ruth Cardoso (HRRC). O encontro marcou o encerramento formal dos trabalhos do grupo criado para acompanhar a transferência da gestão do hospital ao Governo do Estado, mas também foi palco de cobranças sobre os próximos passos.

A audiência foi presidida pelo vice-prefeito Nilson Probst e contou com a presença do secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, da secretária municipal de Saúde, Aline Leal, do presidente do Observatório Social de Balneário Camboriú e do comitê, Paulo Roberto Maurici, além dos vereadores Eduardo Zanatta, Ciça Müller, Naifer Neri, Jade Martins, Ricardinho da Saúde, Anderson Santos, Asinil Medeiros, Guilherme Cardoso e Marcelo Achutti.
Representando a Organização Social Viva Rio, atual gestora do hospital, participou João Carlos Franco.
Apesar da importância do tema para toda a região, a audiência registrou baixa participação popular e não contou com a presença de prefeitos, representantes da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (Amfri) ou deputados estaduais da região.
Estado apresenta investimentos e próximas etapas

Durante a audiência, o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, apresentou um balanço dos primeiros meses da estadualização e destacou que mais de R$ 4 milhões já foram investidos no hospital em 2026.
Segundo ele, os recursos foram aplicados em revitalização da estrutura, nova sinalização, aquisição de equipamentos, ampliação de leitos de UTI Neonatal e reformas em setores estratégicos.
Demarchi afirmou que a prioridade inicial foi manter o funcionamento da unidade durante o período mais crítico do ano.
“Essa transição iniciou em um período crítico, que foi o verão. Focamos na urgência e emergência, na manutenção dos leitos, especialmente de UTI. A partir de março retomamos o planejamento da demanda eletiva e, paralelamente, os projetos arquitetônicos e executivos para as grandes intervenções”, afirmou.
Segundo o secretário, a segunda fase da estadualização já começou e contempla obras mais complexas, como reformas no centro cirúrgico e nas UTIs.
Comitê encerra atividades com avaliação positiva
O presidente do Observatório Social e do Comitê Extraordinário, Paulo Roberto Maurici, avaliou que todas as etapas legais da estadualização foram cumpridas e destacou a transparência do processo.
“Tivemos oportunidade de acompanhar passo a passo cada etapa do processo. Elogiamos a iniciativa da prefeita, primeiro por ter a coragem de buscar o governo do estado para essa estadualização, coisa inédita em Balneário Camboriú, e pela transparência que ela quis dar a esse processo, instituindo esse comitê para a gente poder fiscalizar e acompanhar todos os processos. Chegamos ao final verificando que todas as etapas legais foram cumpridas. Agora a gente vê as melhorias que já estão surgindo com essa estadualização, que só tem a trazer benefícios para a população”, afirmou.
O vice-prefeito Nilson Probst também considerou positivo o trabalho realizado, mas reconheceu que ainda há desafios pela frente.
“Hoje foi cumprida mais uma etapa, que era essa audiência pública, em que o comitê fez toda a avaliação, que foi positiva, que está dentro daquilo que a gente previa. Entendemos que tem muitas coisas para melhorar, que tem etapas que precisam avançar, dentro do cronograma previsto na estadualização do Hospital Regional Ruth Cardoso”, disse.
Vereador critica ausência de lideranças e cobra investimentos

Um dos momentos de maior repercussão da audiência foi o posicionamento do vereador Marcelo Achutti, que acompanha as denúncias envolvendo o Hospital Ruth Cardoso e fez críticas tanto à baixa participação de autoridades quanto ao estágio atual dos investimentos.
Ao Página 3, Achutti lamentou a ausência de deputados estaduais da região, prefeitos e representantes da Amfri.
“Estamos falando do hospital regional e senti falta dos deputados da região. Nem Carlos Humberto, que sempre visita o hospital e publica sobre o assunto, compareceu. Também não vimos prefeitos, representantes da Amfri ou outras lideranças regionais”, afirmou.
Durante sua manifestação, o vereador levou simbolicamente uma lata de tinta e um pincel, dizendo que aqueles seriam, até o momento, os investimentos feitos na unidade.
Segundo ele, a fiscalização ocorrida através da Vigilância Sanitária decorreu justamente das denúncias feitas anteriormente sobre a situação do hospital.
“O secretário Demarchi usou parte da fala dele para responder aos apontamentos que fizemos. As adequações cobradas pela Vigilância Sanitária surgiram justamente a partir das denúncias. Se estivesse tudo certo, não precisariam estar justificando essas questões agora”, comentou.
Achutti também avaliou que houve pouca divulgação da audiência por parte dos organizadores, o que teria contribuído para a baixa presença da comunidade.
“A imprensa divulgou, eu convidei pessoas, mas senti falta de uma mobilização maior da comissão e do Governo do Estado. Tínhamos cerca de 30 pessoas no plenário e praticamente ninguém se manifestou. Apenas um participante falou sobre a ausência de representação do Conselho Municipal de Saúde durante a transição”, comentou.
Outro ponto levantado durante a audiência foi pelo vereador Ricardinho da Saúde, que defendeu melhorias no acolhimento aos pacientes e apontou que ainda existem questões que precisam ser enfrentadas na nova fase da gestão estadual.
Processo começou em 2025
A estadualização do Hospital Regional Ruth Cardoso começou em junho de 2025, com a assinatura do protocolo de intenções entre o Governo de Santa Catarina e a Prefeitura de Balneário Camboriú. Após a aprovação das leis municipal e estadual autorizando a transferência da estrutura hospitalar, foi criado o Comitê Extraordinário para acompanhar todas as etapas do processo.
Em dezembro de 2025, a Organização Social Viva Rio assumiu oficialmente a administração do hospital, iniciando a fase de transição para a gestão estadual. Agora, com a apresentação do relatório final do comitê, o acompanhamento institucional é encerrado, enquanto o Estado segue responsável pela continuidade das reformas e investimentos previstos para a unidade.

