Balneário Camboriú registrou mais de 400 ocorrências de violência contra a mulher até julho

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A exposição “Não Cale a Sua Voz” está na Secretaria de Segurança Pública de Balneário Camboriú neste mês do Agosto Lilás, campanha pelo fim da violência contra a mulher. A mostra poderá ser visitada até o dia 24 de agosto. 

Em Balneário Camboriú, segundo Observatório da Violência Contra a Mulher, a cidade registrou 390 ocorrências ligadas à violência doméstica.

Idealizada pela atual diretora do Departamento de Políticas Públicas para as Mulheres, Anna Nienkötter, a exposição teve origem em 2023 com o objetivo de criar um impacto positivo na luta contra a violência de gênero. 

A GM Tassia, a prefeita Juliana e a diretora de Políticas Públicas para as Mulheres, Anna (Divulgação)

Desde então, a mostra já esteve em locais como a Assembleia Legislativa de Santa Catarina, no Ministério Público de SC e no Museu da Justiça do Rio de Janeiro. 

Anna explica que trazer a mostra para Balneário justamente no Agosto Lilás se torna ainda mais significativo. 

“O Agosto Lilás é mais do que um mês de conscientização. É um marco fundamental na luta pelo enfrentamento à violência contra a mulher em todo o país. Ele simboliza a urgência de discutir, prevenir e combater as múltiplas formas de violência que atingem meninas e mulheres diariamente, muitas vezes dentro de seus próprios lares, em silêncio”, diz.

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Anna disse que a violência contra a mulher é uma grave violação dos direitos humanos, pois fere a dignidade, destrói vidas, silencia histórias e perpetua desigualdades estruturais alimentadas por um sistema patriarcal que insiste em negar às mulheres o direito à segurança, à liberdade e à vida plena. 

“Combater essa violência é dever de todos: sociedade civil, governos e instituições. Neste mês de agosto, também celebramos os 19 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, uma das legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. A Lei foi um divisor de águas ao reconhecer que a violência de gênero precisa ser enfrentada com medidas específicas e rigorosas, criando mecanismos de proteção às vítimas, punindo agressores e promovendo políticas públicas integradas”, acrescenta.

Mas, apesar dos avanços, os números continuam alarmantes. O Brasil ainda registra altíssimos índices de feminicídios, estupros, agressões físicas, psicológicas e morais contra mulheres. 

“Por isso, o Agosto Lilás nos convoca: é tempo de romper o silêncio, fortalecer as redes de apoio, levar informação para os territórios, capacitar profissionais, acolher as vítimas e promover a cultura do respeito e da equidade de gênero. Agosto Lilás não é apenas uma campanha. É uma responsabilidade coletiva. É a reafirmação de que nenhuma mulher deve ser deixada sozinha e que cada vida importa. Em SC, segundo Observatório da Violência Contra a Mulher, tivemos de janeiro a julho de 2025, 29 feminicídios e 18.585 medidas protetivas requeridas no mesmo período. Balneário Camboriú registra de janeiro até julho 350 crimes de ameaça, cinco estupro e 35 vias de fato”, informa.

A diretora conta que na quarta-feira (6) conversou com a delegada Ruth Henn, responsável pela DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso)  e ela comentou a quantidade de boletins de ocorrência no último fim de semana. 

“Só de medidas protetivas concedidas foram 8. Isso reforça que nos finais de semana temos um grande índice de violência contra a mulher por estar diretamente com ele por mais tempo. A questão do álcool e de outras substâncias no contexto também deve ser considerada. O que digo é que mulheres estão morrendo e elas precisam compreender a importância das redes de apoio, para se fortalecerem e saírem desses ciclos de violência que podem culminar em feminicídios”, completa.

A exposição reúne 23 fotografias feitas por Nórton José, que captam imagens impactantes de mulheres que romperam o silêncio. Muitas das fotografadas são vítimas de violência doméstica, obstétrica, política, assédio e importunação sexual, que encontraram coragem para transformar suas histórias. A mostra é também um reconhecimento ao trabalho realizado pelo Grupo de Proteção à Mulher (GPM) da Guarda Municipal.

A exposição é uma parceria entre a Secretaria de Segurança e Ordem Pública, por meio do Grupo de Proteção à Mulher (GPM) da Guarda Municipal, a Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família, através do Departamento de Políticas Públicas para as Mulheres, e a Fundação Cultural de Balneário Camboriú.

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