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Balneário Camboriú
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Maio Amarelo: especialistas opinam sobre como o trânsito de Balneário Camboriú pode melhorar

A campanha Maio Amarelo acontece todos os anos para alertar sobre o alto índice de mortos e feridos no trânsito. Em Balneário Camboriú, segundo dados da BC Trânsito, foram registrados somente nos quatro primeiros meses deste ano 2.027 acidentes – tanto nas marginais da BR que cortam a cidade como pelo Centro e bairros.

A cidade, que é a segunda menor em extensão em Santa Catarina (atrás apenas de Bombinhas), também viveu um momento bastante atípico no último Réveillon, quando o público chegou a abandonar carros em cima de calçadas e até mesmo pelas ruas para conferir os fogos e show de drones. 

Mesmo com o município tendo ônibus de graça, a maioria da população ainda opta pelo carro e não tem mais horário ‘de pico’, o trânsito está complicado em várias horas do dia o ano todo, a temporada tornou-se uma exceção.

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Por todas essas questões, o Página 3 conversou com autoridades e especialistas na área e mais uma vez perguntou: 

“Como melhorar o trânsito de Balneário Camboriú?”

“Foco nos 3 pontos: Marginais da BR-101, micromobilidade e melhorar o transporte público”

(Divulgação)

Fabrício Oliveira, prefeito de Balneário Camboriú  

“Colocamos transporte gratuito justamente para estimular o uso. Vamos integrar também a micromobilidade elétrica, como bike elétrica, como meio transporte em alguns trechos que vamos dar gratuitamente para a população. Estamos definindo quais trechos serão beneficiados, para melhorar a mobilidade. Estamos construindo essa solução. Provavelmente vai ser em alguns pontos, como dos bairros para o Centro, regiões sul e norte para o Centro. Estamos estudando o subsídio para estimular o uso desse modal. Balneário Camboriú é a segunda menor cidade, mas a mais adensada do Estado. Para que no futuro a gente aumente a frota de ônibus, temos que pensar em calha exclusiva para ônibus – não hoje, mas para o futuro. 

Além disso, outro fator predominante é a BR-101, que corta a cidade. 

Eu vou para Brasília no início da próxima semana e vou ter audiência com a ANTT para acelerar o processo de interlocução com as marginais, que podem servir de modal para melhoria no trânsito, já que estamos usando a BR-101 para cruzar o município. E se trava a BR, trava Balneário – como as avenidas Terceira e Quarta. 

Vejo que as mudanças têm que vir de Penha pelo menos até Bombinhas. Foco nos 3 pontos – Marginais da BR-101, micromobilidade e melhorar o transporte público. 

Sobre o Réveillon, foi atípico, mas não foi somente sobre a capacidade de Balneário e sim toda a região. Repito – se a BR tranca, a cidade tranca também. Precisamos de evasão para o público, e se tivermos as marginais para isso, vão ajudar muito também nesse processo. 

Uma das condições para melhorar isso [Réveillon], é justamente ter mais saídas e, claro, mais agentes para ordenar melhor o trânsito. A educação também está linkada – reflete muito com a alta de atendimentos hospitalares e por isso estamos incentivando essa campanha, o Maio Amarelo”.


“A única forma de realmente ter uma melhora, seja no verão ou durante o ano, é diminuir o uso de carros”

(Divulgação)

Magali Ignácio

“Primeiro nós temos que avaliar o tamanho da malha viária de Balneário Camboriú – 115 mil veículos; com isso temos que analisar o tamanho das vagas públicas, nas vias – são 114,5 mil vagas. Porém, muitas pessoas que aqui vivem não declaram que aqui moram, por isso não entram no censo, ou não transferem o registro do veículo, que aqui circula. Situações como o Réveillon 2023/2024 foi totalmente atípico, com pessoas vindo somente para a Virada, sem terem nem onde se hospedar. Calculamos 400 mil veículos no Réveillon, para uma cidade que não tem como atender em suas ruas esse número. Todos os esquemas de segurança viária foram feitos na ocasião, mas o que vimos foi uma euforia coletiva, as pessoas com medo de perder o show de drones estacionaram nas calçadas, em frente de portões e até mesmo na via. Com a chuva forte, todo mundo saiu ao mesmo tempo. Nenhum esquema viário poderia ser mantido com essa ‘debandada’ coletiva. Porém, mesmo com isso, o trânsito trancado por horas, não tivemos nenhum sinistro [acidente de trânsito]. 

A BR-101 ficou totalmente trancada durante todo o verão, com viagem a Curitiba chegando a durar nove horas. 

Vejo que a BR-101 influencia bastante em Balneário Camboriú, porque as pessoas tentam ‘fugir’ e cortam por dentro da nossa cidade, o que também trava o nosso trânsito, não somente no verão, mas também quando acontecem acidentes. 

A única forma de realmente ter uma melhora, seja no verão ou durante o ano, é diminuir o uso de carros – quem mora aqui pode se deslocar mais a pé ou com outros modais, como nosso transporte coletivo, que é gratuito e tem qualidade. 

Para melhorar a fluidez, é preciso consciência; nossa cidade é tão pequena, tudo tão pertinho. Tirando quem realmente tem dificuldade de mobilidade, todos conseguimos fazer isso, buscar outros modais. Também estudamos vias exclusivas para ônibus, de forma muito consciente, para saber como podemos agregar ainda mais”.  


“Temos que ter uma alteração no modelo de deslocamento individual”

(Divulgação)

João Luiz Demantova, consultor em Projetos de Desenvolvimento Regional da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí – AMFRI

“A região da Foz do Rio Itajaí tem três características que tornam a mobilidade um grande desafio, a primeira delas é o alto ritmo de crescimento. As nossas cidades e a região como um todo cresce em um ritmo muito acelerado, é quase o dobro do crescimento da média do Brasil. Esse é um fator. 

O segundo fator que nós temos na nossa região é o adensamento, as nossas cidades por serem cidades turísticas, principalmente Balneário Camboriú. Edifícios muito altos em uma área territorial pequena, então a gente vê isso bem claramente em Balneário Camboriú e Itapema. 

E o terceiro fator é o fator da conurbação. São cidades de médio porte, muito próximas uma da outra, onde a gente tem dificuldade de identificar onde termina um município e começa outro. A gente vê isso claramente entre cidades como Bombinhas, Porto Belo e Itapema. É uma região conurbada. Depois o fenômeno se repete entre Camboriú, Balneário Camboriú e Itajaí e repete-se novamente entre Navegantes, Penha e Balneário Piçarras. 

Esses três fatores somados tornam a mobilidade um desafio imenso e iminente para a região, para que a gente não tenha problemas de dificuldade de locomoção no futuro. Em 2016, na AMFRI, detectamos esse problema e começamos a desenvolver alguns projetos de mobilidade para buscar alternativas e minimizar. 

Primeiro – temos que ter uma alteração no modelo de deslocamento individual das pessoas na região; deslocamentos curtos, com menos de 10km, temos que oferecer condições para que utilizem maneiras alternativas como caminhadas, bike e outros modais, mas para a população priorizar é preciso uma maior segurança. 

Tem que ser feito um redesign nas ruas, menor velocidade para veículos… e a segunda iniciativa é a oferta do transporte coletivo integrado, para priorizar ônibus ao invés do automóvel. Se for eficiente e seguro, as pessoas vão priorizar, porque será atrativo. 

O que estamos enfrentando, outros países já aplicaram, e é sucesso em outros lugares do mundo. Então, eu creio que quando nós aplicarmos e ofertarmos esse transporte coletivo intermunicipal de qualidade, as pessoas vão acabar aderindo a ele e aos poucos a gente vai abandonando ou diminuindo o uso do automóvel e priorizando o uso do transporte coletivo. Aqui nós temos ainda uma outra questão que é muito relevante – é característico da nossa região, pela proximidade, pelo efeito da conurbação, as pessoas residirem em um município e trabalharem em outro município. Como nós não temos um sistema de transporte metropolitano ainda, as pessoas fazem esse deslocamento sempre com o uso do automóvel individual. 

E é importante dizer que o transporte por aplicativo, que vem crescendo muito nos últimos anos, não deixa de ser um meio individual. Ele democratizou o uso do automóvel, possibilitou e é uma grande alternativa para as pessoas fazerem seus deslocamentos, mas ele continua sendo individual. Então nós precisamos paralelamente ofertar um transporte realmente coletivo. Esta [transporte intermunicipal] é uma grande expectativa de que seja uma solução e uma boa alternativa para que possa resolver esses desafios de mobilidade na nossa região. Precisamos ainda evoluir também com os transportes municipais, mas a partir do momento que a gente consiga implementar o transporte intrametropolitano, nós já vamos retirar das ruas uma boa porção de carros dessas pessoas que se deslocam de um município para outro, seja para vir ao comércio ou para procurar um atendimento médico ou para trabalhar diariamente”. 


“Não tem muita mágica a não ser usar menos carros”

(Divulgação)

Rubens Spernau, secretário de Planejamento Urbano de Balneário Camboriú

“O que todos dizem no mundo inteiro – para melhorar o trânsito é preciso menos uso do carro. Mas tem que criar alternativas, como bicicletas, espaços adequados para pedestre. Balneário é uma cidade muito pequena, temos que ter transporte público com frequência e qualidade, e para isso penso que vamos ter que partir para a canaleta que permite frequência e vantagem de tempo (onde for possível criar). No Plano Diretor focamos em não incentivar carro como protagonista tão forte, isso está sendo discutido, para que busquemos meios alternativos. É um dos únicos caminhos. Para aumentar a canaleta de veículos, raros são lugares onde isso é possível, também prejudica espaço do pedestre ou anula o modal de bicicletas. Não tem muita mágica a não ser usar menos carros, que é o vilão, é quem mais usa o espaço. 

O que aconteceu no fim do ano foi atípico. Eu estava aqui, me desloquei a pé, da Quarta Avenida até a Avenida Atlântica por volta de 23h. As cenas que vi foram preocupantes, talvez para os próximos verões a estratégia seja coibir trânsito antes, criar corredores de rota de fuga, porque as pessoas não encontraram lugares para estacionar e abandonaram seus carros, estacionaram em qualquer local. Foi preocupante. É uma tarefa que vai ter que ser encarada e nos convencermos a criar corredores alternativos e proibir circulação de veículos nesse dia especial, de forma planejada. 

Vejo que a tendência é o Réveillon crescer, tem lado bom e tem lado preocupante, mas exige mitigação. É um alerta de que temos que ocupar a cidade com cuidado”.


“A bicicleta e a micro mobilidade podem ser grandes aliadas para o trânsito”

(Arquivo Pessoal)

Emerson Dias Gonçalvesengenheiro de tráfego há mais de 25 anos, diretor da Consultran Engenharia, atuou como gestor da mobilidade de BC de 1999 a 2008.

“Não dá pra pensar só em carros e motos. A frota de veículos emplacados em Balneário Camboriú desde o início das obras do binário aumentou em mais de 55%! Não tem como o sistema viário acompanhar este ritmo de crescimento. O que se fizer com este foco é paliativo. É como tratar a obesidade de alguém aumentando o cinto.

Pensar regionalmente, inclusive no desenvolvimento das cidades (pra além de aspectos de trânsito somente). Exemplo disso: Plano Diretor. Não parece mais sensato que se tenha uma discussão única (e pensada) para, pelos menos BC, Camboriú e Itajaí, de forma conjunta? Essa lógica também se aplica para o Plano de Mobilidade e até mesmo a gestão do trânsito e transporte se dar de forma consorciada. Para população não importa onde termina uma cidade e começa outra.

Se não dá pra pensar só em carros e motos, o que fazer?! Transporte coletivo! Há uma ótima bandeira sobre a isenção tarifária. Como se sabe, não existe almoço grátis, mas a percepção que a conta não é só de quem usa o transporte público é essencial para políticas efetivas de alcance. Precisa, para isso, aumentar significativamente a oferta de horários com maior frequência, desenho da rede apropriado para ter facilidade de acesso, vias segregadas (canaletas ou sistemas isolados) para garantir que seja mais rápido ir de ônibus e conforto com segurança. Tudo com o objetivo de atrair e manter usuários cativos. 

O desafio é enorme, mas possível. Amsterdã fez isso a partir do final dos anos 1970 e revolucionou a qualidade de vida da cidade. Como lá, aqui também se poderia usar melhor nossas lâminas d´água e mesmo o mar… inclusive entre as cidades, naquele pensamento regionalizado que falamos antes. Aliás, aproveitando a abordagem a Amsterdã, a excelência do transporte público permitiu a construção daquilo pelo que a cidade é mais famosa no aspecto de mobilidade: Bicicleta. Temos uma boa estrutura cicloviária, mas pode ser melhorada. Falo de pontos desconexos e segmentos descontinuados. Também a expansão para maior oferta de espaço e locais de guarda das bikes. A bicicleta e a micro mobilidade podem ser grandes aliadas para o trânsito.

Mas, especialmente a curto prazo, se tratar carro e moto é paliativo como falei antes, isso precisa ser feito continuamente: melhor aproveitamento dos espaços disponíveis (por exemplo: tempos semafóricos, canalização de faixas de trânsito…) é essencial. E precisa ser constante, permanente. Falhamos nisso todos os dias.

Considerando que a expansão do sistema viário beneficia todos os modais (e não só os motorizados individuais) este tópico é fundamental: abrir as vias planejadas (binário da avenida do estado até o centro de Itajaí e de Camboriú (?!), acesso desde a BR-101 até a Praia Brava) é essencial. Mas também é importante a previsão de novas alternativas especialmente no sentido “praia / interior” conectando as cidades citadas. Isso tudo é bastante desafiador frente ao valor da terra em nossa região. Mas aqui cabe uma reflexão: se o m2 construído aqui vale tanto, quanto vale o nosso espaço público? Uma fortuna! Será que estamos usando ele de forma adequada, para as pessoas? Ou isso pode ser melhorado?”

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“Acho difícil tirar a cultura de não andar de carro”

(Divulgação)

Antônio Gabriel Castanheira Junior, secretário de Segurança de Balneário Camboriú

“A segurança no trânsito influencia na segurança da cidade. Para contribuir na segurança do trânsito temos que investir em educação, é o que vai fazer a gente ter motoristas mais conscientes, com a cabeça de não dirigir quando bebe, o que é algo extremamente importante – por isso falo de educação e informação. 

Mais uma vez temos que ir nas escolas, falar com as crianças e adolescentes. É um assunto muito complexo, Balneário Camboriú é uma cidade cosmopolita, recebe pessoas do Brasil inteiro, e você traz para cá a sua cultura, se você se desloca com carro, é difícil mudar isso. 

Naturalmente Balneário por ser uma cidade com extensão territorial menor, proporciona outras formas de se deslocar. A beira-mar dá um prazer andar ali, corta a cidade, é uma avenida atrativa e ainda tem ônibus gratuito, que circula não só na Atlântica, mas por toda a cidade. 

Ainda assim, repito, acho difícil tirar a cultura de não andar de carro, mas Balneário Camboriú tem extensão territorial pequena e as pessoas podem ir mudando. Mesmo assim, vejo que Balneário não tem o trânsito caótico que outras cidades têm. Eu, por exemplo, sou de Curitiba e não se compara. Claro que, por exemplo, na época de fim de ano, temporada, é um caos. O Réveillon mesmo foi atípico, todo mundo veio para cá, e uma cidade com extensão territorial pequena e com um milhão de pessoas óbvio que vai ter problema, por isso acho que o incentivo de se deslocar de outra forma é válido – a pé, de bicicleta, patinetes e ônibus. Há muitas opções”.

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