Os vereadores de Balneário Camboriú discutiram nesta semana o projeto de autoria do Executivo que aprova a deliberação do Conselho da Cidade e autoriza a instalação de um parque de neve, o “Ski Planet”, no bairro Nova Esperança, mas há controvérsias sobre o valor de uma contrapartida adicional a ser paga pelo empreendedor.
O projeto, a ser executado pela Swiss Group, prevê a maior pista de esqui e snowboard indoor da América Latina, integrada a um hotel.
Uma emenda do vereador Marcelo Achutti exige que o empreendedor pague, além das contrapartidas previstas em lei, mais 5% do valor total do investimento, o que não é aceito pela empresa.
“Nos interessamos em investir em Balneário Camboriú por ser um pólo turístico importante, mas exigir 5% de contrapartida adicional, além das centenas de milhões de reais que investiremos na obra, e do grande volume de empregos e impostos que serão gerados, não me parece justo. Nos dispusemos a pagar 2,5% à comunidade, um montante expressivo, mas um valor acima disso nos obrigará a estudar alternativas”, resumiu um representante da direção da empresa.
Diante da polêmica, o Página 3 procurou os vereadores para ouvir suas opiniões e se eles tinham conhecimento que o empreendedor anunciou a disposição de destinar 2,5% do valor total do empreendimento para obras na cidade.
Nem todos os vereadores responderam, mas as manifestações dos parlamentares que retornaram o contato da reportagem, dentro do prazo, podem ser conferidas abaixo.
Samir Dawud – “Sou favorável ao projeto, acredito que é mais um equipamento turístico de grande potencial para agregar ainda mais no turismo do nosso município, além de ser em uma região que precisa ser valorizada e potencializada turisticamente. Quanto ao debate que está ocorrendo, Vereadora Jade e eu apresentamos uma emenda hoje onde traz as medidas mitigatórias e compensatórias para dentro do texto da lei, dando mais segurança jurídica e evitando que ocorra, assim como já ocorreu com outros empreendimentos, alterações dessas medidas sem que passe pela Câmara Municipal e consulta popular.
Outro ponto que acrescentamos/alteramos, é quanto a medida compensatória de 1 milhão para as festas da região sul, alterando para que esse valor seja repassado à Prefeitura Municipal/secretaria de obras, para obras de rede pluvial, especificamente no bairro Nova Esperança, onde o equipamento será instalado.
Quanto à intenção do empreendedor de aplicar 2,5% do total do empreendimento em obras, não chegou até mim a informação e tampouco vi ou recebi algo formal, mas com certeza seria excelente para nosso município.
Em resumo, sou favorável ao equipamento, porém acredito que assim como esse, os demais projetos especiais devem conter na Lei as medidas compensatórias e mitigatórias, trazendo mais segurança jurídica de que serão executadas”.
Marcelo Achutti – “Sou favorável ao empreendimento Ski Planet, pois acredito que ele trará mais atrativos turísticos e fortalecerá a economia da nossa cidade. No entanto, é importante destacar que os empreendedores colocaram a carroça na frente dos bois: o projeto ainda não foi aprovado, e mesmo assim já estavam vendendo unidades o que é proibido.
Sobre a questão das medidas compensatórias, eu não tinha conhecimento desse compromisso específico de 2,5% do valor total do empreendimento. Ainda assim, entendo que qualquer contrapartida deve ser compatível com as necessidades reais da comunidade. O Conselho da Cidade chegou a sugerir medidas como a realização de festas em alguns bairros, mas, na minha avaliação, medidas compensatórias precisam ser direcionadas a áreas essenciais, como drenagem e infraestrutura especialmente no bairro Nova Esperança, que demanda atenção urgente. Defendo o desenvolvimento da cidade, mas com responsabilidade, respeito às regras e foco no que realmente melhora a vida das pessoas”.
Anderson Santos – “O projeto Ski Planet tem o meu apoio desde que, logicamente, cumpra toda legislação vigente na cidade. Na sua apreciação, estou propondo contrapartida para a região Sul da cidade, local onde ele está sendo planejado. Propus uma emenda ao projeto que reverte recursos, especialmente para drenagem, ali para o Nova Esperança e adjacências através do Conselho de Desenvolvimento da Região Sul.
Então, nessa questão das contrapartidas, nós na Câmara de Vereadores iremos fazer uns ajustes, mas o projeto é importante para a cidade pelo número de empregos que vai criar e o incremento e inovação na economia de Balneário Camboriú que ele significa.
Só saliento o cuidado que os empreendedores têm que ter, e nós vamos cobrar, de que toda a tramitação do projeto seja feita dentro dos órgão competentes e que as regras e leis sejam respeitadas antes de colocar o projeto no mercado para captação”.
Eduardo Zanatta – “Vejo que o empreendimento é positivo por conta do apelo turístico e desenvolvimento econômico e turístico da cidade, além da geração de empregos e renda, agenda que é central para o nosso mandato. Porém, é importante que as suas contraprestações sejam claras e bem delimitadas para que o poder público possa exigi-las posteriormente. Por exemplo, teremos ingresso social ou algum desconto para os moradores como acontece em outros municípios? As medidas compensatórias falam em reflorestamento, mas como será aplicado?
Os recursos financeiros para as festas municipais de fato podem ser melhor aproveitados em obras de drenagem, que foi a maior reclamação da população na audiência pública, além disso o investimento poderia ser aplicado na ampliação das compensações ambientais, já que um empreendimento desse porte deve exigir mais do que reflorestamento e coleta de água pluvial para mitigar seus impactos na fauna e na flora, deve contribuir para a construção de um plano de ação climática em Balneário Camboriú”.
Jade Martins – “Vejo como um projeto inovador, com grande investimento no nosso Município e que alavancará ainda mais o turismo de Balneário Camboriú, em especial em uma região que merece ser potencializada.
Apresentamos em conjunto com o Vereador Samir uma emenda buscando melhorar o projeto em relação à segurança jurídica, incluindo expressamente na sua redação as condicionantes exigidas pelo Conselho da Cidade. Na mesma emenda alteramos o valor de contrapartida financeira que seria destinado a festas para aplicação do recurso em rede pluvial do Bairro Nova Esperança, através da Secretaria de Obras.
Quanto à aplicação de 2,5% do total do empreendimento por parte do empreendedor não tenho conhecimento formal”.
Alessandro Kuehne ‘Teco’ – “Sou e sempre serei apoiador de projetos que realmente fazem nossa cidade crescer e ser cada vez mais reconhecida. Sem dúvida, o Ski Planet representa mais do que um novo atrativo: é uma oportunidade concreta de movimentar o turismo, gerar renda e fortalecer nossa economia, tornando Balneário Camboriú um destino procurado o ano inteiro.
Com isso, a região Sul da cidade deve receber atenção redobrada, especialmente quanto ao impacto na mobilidade urbana. Um tema que já é sensível para quem entra e sai do bairro Nova Esperança. Também é fundamental destacar que o Loteamento Schultz precisa de prioridade absoluta. Os moradores convivem há anos com prejuízos causados pelas chuvas e pela falta de drenagem adequada. Resolver essas demandas não é opcional. É uma questão de dignidade, segurança e qualidade de vida para as famílias que vivem ali.
Sabemos que o empreendedor demonstrou disposição em investir 2,5% do valor total do projeto em obras de contrapartida, o que pode resultar em melhorias importantes para toda a região. Mesmo sabendo disso, nenhuma contrapartida terá efeito real se não partir da escuta verdadeira da comunidade. Os moradores do Schultz precisam ser ouvidos, respeitados e considerados em cada etapa. É escutando quem vive o problema que construiremos a melhor solução.
Ao final, a decisão caberá à maioria dos vereadores. E, da minha parte, seguirei firme em garantir que cada voto considere aquilo que realmente importa para nossa cidade e para as famílias que vivem aqui.”
Ricardinho da Saúde – “Considero o empreendimento de grande potencial turístico e econômico para Balneário Camboriú. Minha análise, no entanto, está focada em garantir que os benefícios para a cidade sejam concretos e assegurados. Sobre a contrapartida, a informação que possuo, com base nas Emendas nº 1 e nº 2 protocoladas nesta Casa, é de que o percentual em discussão é de 5% sobre o valor total do investimento, e não 2,5%. Ambas as propostas de emenda convergem neste percentual.
O ponto crucial do debate, a meu ver, é o cronograma de pagamento dessa contrapartida. A Emenda nº 1 propõe o pagamento integral na emissão do alvará de construção, enquanto a Emenda nº 2 sugere um pagamento escalonado, com a maior parte (3%) sendo quitada apenas na expedição do Habite-se.
Meu posicionamento será a favor da proposta que melhor resguarde os interesses do município, garantindo que as obras de infraestrutura no Bairro Nova Esperança e em outras áreas impactadas ocorram de forma célere e com a devida segurança jurídica e financeira para a administração pública”.
Kaká Fernandes – “Sou favorável ao projeto Ski Planet porque ele representa uma oportunidade única de desenvolvimento econômico, geração de empregos e fortalecimento da Região Sul de Balneário Camboriú. Trata-se de um empreendimento inovador, de grande porte, que pode consolidar nossa cidade como referência nacional em turismo e entretenimento durante todo o ano.
Balneário Camboriú já perdeu no passado importantes investimentos que poderiam ter transformado a cidade — como o próprio Beto Carrero, que acabou se instalando em Penha — e não podemos cometer os mesmos erros novamente. Projetos dessa magnitude geram impacto, renda, visibilidade e valorização urbana, e devem ser analisados com seriedade e responsabilidade.
É importante destacar que o Projeto de Lei 292/2025 não libera a construção automaticamente. Ele apenas autoriza o enquadramento como Projeto Especial dentro das regras do Plano Diretor, mantendo todas as exigências legais, entre elas o Estudo de Impacto de Vizinhança e o Termo de Compromisso.
O artigo 3º, parágrafo único, deixa isso muito claro ao determinar que todas as medidas mitigadoras e compensatórias deverão ser aplicadas prioritariamente na área de influência direta do Bairro Nova Esperança. Ou seja, o bairro será o principal beneficiado com as melhorias de infraestrutura, mobilidade e drenagem que o EIV determinar.
Minha defesa é pela modernização responsável, com contrapartidas efetivas e benefícios diretos para a comunidade local. Vejo no Ski Planet um projeto que pode trazer desenvolvimento equilibrado e novas oportunidades para toda Balneário Camboriú, especialmente para a região Sul”.
Naifer Neri – “Sou favorável ao projeto Ski Planet. Acredito que Balneário Camboriú precisa avançar e permitir que investimentos desse porte se desenvolvam, especialmente quando o empreendedor demonstra responsabilidade e capacidade de transformar uma região inteira.
O empreendimento não traz apenas empregos, renda e geração de riqueza para a cidade — ele também estimula melhorias estruturais na área onde será implantado. Questões como segurança, saneamento e drenagem pluvial são essenciais para o próprio funcionamento do negócio, e naturalmente acabam beneficiando todos os moradores do entorno.
Onde há investimento privado de grande porte, há valorização imobiliária e dinamização econômica, e isso já é comprovado pelo próprio mercado.
Sobre a informação de que o empreendedor estaria disposto a investir 2,5% do total da obra, não temos esse dado confirmado. O que existe oficialmente é a ata do Conselho da Cidade, que estabelece critérios como o pagamento referente ao Estudo de Impacto de Vizinhança no momento da emissão do alvará de construção. Na Audiência Pública, mencionou-se algo na casa dos R$ 8 milhões em investimentos associados, mas cabe à Prefeitura consolidar esse número.
Defendo que o município não imponha percentuais arbitrários que acabam afastando investidores.
Projetos desse tamanho exigem do próprio empreendedor melhorias em acesso, drenagem, abastecimento de água, energia e outros serviços — o que naturalmente gera contrapartidas reais para toda a região.
Em relação ao impacto econômico direto, o Ski Planet deve gerar 600 empregos diretos e aproximadamente 1.200 empregos indiretos, fortalecendo toda a cadeia produtiva da cidade. Além disso, a operação do empreendimento tem potencial de arrecadar cerca de R$ 15 milhões por ano em ISS para os cofres municipais — recursos que retornam para serviços públicos, infraestrutura e melhoria da cidade. Balneário Camboriú não pode desperdiçar investimentos estruturantes como este. Eles movimentam a economia, valorizam bairros inteiros e ampliam a capacidade de desenvolvimento do município.”
Aldemar ‘Bola’ Pereira – “Eu tenho conhecimento do projeto, inclusive nós já discutimos isso na Comissão de Finanças e Orçamento do município, que envolve repasse de dinheiro para o município, para obras. Eu tenho conhecimento, sim.
O questionamento que foi levantado ali pelo vereador Elizeu Pereira é de que ali é uma bacia que alaga. Quando foi feita a duplicação da BR-101 em 1999, na audiência pública no Hotel Marambaia, nós pedimos para que aquela passagem embaixo da BR, onde sai água para o Rio das Ostras, ali do Loteamento Schutz para o Rio das Ostras, para que fosse feito bem profundo, bem largo, bem amplo, para que não represasse a água da chuva ali no loteamento, porque historicamente as trombas d’água, alto volume de chuva ao mesmo tempo ou com longo tempo, uma semana, dez dias, quinze dias, encharca terreno e qualquer chuva mais forte, então aquilo ali vira uma lagoa.
E este ano mesmo de 2025, em 16 de janeiro, deu a enchente, dia 20 de janeiro já estava aqui a prefeitura de Chapecó, inclusive, para ajudar a reconstruir ali, a refazer tubulação, limpar tubulação, tirar entulho, tirar lixo, tirar lodo.
Por quê? Porque a água é represada na BR, aquela passagem embaixo da BR não é condizente. Se eles colocarem um empreendimento ali naquele terreno, isso significa que aquele amplo terreno, que tem 148 mil metros quadrados, em torno de 80 mil metros quadrados, é onde fica muita água depositada, se não depositar mais nada ali, vai virar uma catástrofe, pode acontecer uma tragédia no Loteamento Schutz, que é uma população de muito baixa renda, muito baixa renda mesmo.
Então essa é a preocupação, mas nós somos 100% favoráveis ao empreendimento, a única preocupação nossa é que resolva a questão do represamento de água embaixo da BR, para que a água vá para o Rio das Ostras e não fique ali alagando as casas”.

