O tema da pirataria marítima, além de fascinante, instiga nossa imaginação a respeito de uma época cercada de mistérios e incertezas. A vida cotidiana dos piratas ainda é cercada de dúvidas, assim como o destino de seus tesouros. O cinema, com franquias como “Piratas do Caribe”, ajuda a popularizar o tema, mas reforça uma imagem as vezes distante da realidade.
Sim, piratas de fato existiram. Sim, eles saquearam navios, alguns deles com tesouros. Sim, eles tiveram alguns redutos e ilhas que foram notórios esconderijos como New Providence, no Caribe. Agora, um dos mais importantes pesquisadores marítimos pretende organizar uma expedição em busca dos vestígios esquecidos desses piratas; mais especificamente sobre seus navios naufragados ao largo de Nassau, New Providence e outras localidades do Caribe. O objetivo é esclarecer mais sobre a vida real desses fascinantes criminosos.
Segundo o Dr. Sean Kingsley, existem evidências registradas de mais de 500 naufrágios na região que pretende pesquisar. Alguns deles são famosos, como a nau Fancy (46 canhões), do corsário Henry Avery. Também relatos do governador Woodes Roger em 1718 indicam o afundamento de 40 navios no litoral de New Providence como forma de apagar vestígios de ilegalidades entre as ações de piratas. Segundo Kingsley, a exploração do que se encontra abaixo da linha d’água pode revelar artefatos cotidianos como garrafas, cachimbos, louças e também restos de saques como moedas e esmeraldas.
Ao longo de 30 anos, Kingsley já explorou mais de 350 naufrágios ao redor do mundo. É editor fundador da Revista Wreckwatch, dedicada a exploração de tesouros arqueológicos subaquáticos. Sua agora intitulada “Expedição dos Piratas de New Providence” ganhou o apoio do governo de Bahamas e da Corporação de Antiguidades, Monumentos e Museus das Bahamas. Uma série documental será produzida sobre suas buscas. Intitulado “O Mistério do Tesouro do Rei Pirata”, o documentário terá como codiretor Chris Atkins; que afirma pretender trazer à tona “a história, a paisagem em ruínas e os lobos do mar da era de ouro da pirataria entre 1696 e 1730 de volta à vida… As Bahamas, com suas águas azuis e visibilidade subaquática cristalina, são o sonho de qualquer cineasta. Pela primeira vez na história, os espectadores verão com seus próprios olhos os lugares onde Barba Negra e sua gangue aterrorizaram a Américas.”
Um dos desafios da expedição será distinguir os navios europeus de comércio daqueles considerados navios piratas. Segundo Kingsley, “Geralmente, se você encontrar um naufrágio holandês, inglês ou francês, ele tem um tipo muito específico de cultura material. Se for espanhol, terá potes de azeitona, um bom marcador. Se for britânico, pode ter cachimbos de Bristol ou Londres, por exemplo…Em um naufrágio de piratas, você encontrará cerâmicas francesas, inglesas e holandesas e uma mistura de moedas, desde árabes a britânicas, e armas como potes fedorentos, armas explosivas usadas por piratas.“
Resta-nos aguardar o andamento desta pesquisa inédita sobre os locais em que viveram Barba Negra, Anne Bonny, Mary Read, Calico Jack, Charles Vane entre outros, que certamente nos ajudará a reconstituir um pouco do cotidiano desses criminosos aventureiros que mexem com nossa imaginação ao longo dos séculos.
Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e editor da revista Gilgamesh. Pesquisador dos povos pré-colombianos e história da pirataria marítima. Visite a página: (https://www.revistagilgamesh.com.br)

