MONTE ALBÁN – A CAPITAL ZAPOTECA

Dalton Delfini Maziero
Historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima.
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A cidade de Oaxaca é um dos destinos mais lindos e gratificantes do México. Uma cidade colonial muito bem preservada, colorida, que respira cultura e que abraça os visitantes com seus museus, casarões, centros culturais, restaurantes e artesanatos. Mas seu passado guarda as origens de uma das mais brilhantes culturas pré-colombianas das Américas: os Zapotecas e sua capital Monte Albán, cujo nome original não é conhecido. Ela está a 1940 metros de altitude, no topo de uma elevação que foi aplainada artificialmente. Sua ocupação não se restringe ao “monte” onde se encontra, mas também a todo vale de Oaxaca.

O local onde hoje se encontram as ruinas já era ocupado em 500 a.C. e depois tornou-se a capital política expansionista dos Zapotecas. Em seu auge, chegou a abrigar mais de 17 mil pessoas. A elite que ocupou Monte Albán desenvolveu um importante relacionamento com as demais regiões, inclusive com a poderosa Teotihuacán (Vale Central do México), que organizou um bairro apenas para o povo zapoteca de Oaxaca. As ruinas que hoje podemos visitar são de uma beleza estética pouco vista nas Américas. Seus templos, pirâmides e praças parecem cuidadosamente planejados para tornar tudo harmônico. Não sem motivo, o local era ocupado apenas por uma elite político-religiosa-militar que separava o espaço por um muro, tornando o local acessível à população somente em datas comemorativas. Por centenas de anos, Monte Albán se sustentou graças aos tributos que cobrava de seu próprio povo (agricultores e comerciantes) e daqueles que usavam o vale de Oaxaca com rota comercial.

Por volta de 800 d.C. Monte Albán começou a perder poder, quando alguns grupos de elite afirmaram sua autonomia em locais periféricos do vale de Oaxaca, como Mitla e El Palmillo. Do ponto de vista arquitetônico, Monte Albán apresenta uma praça de 300 x 150 metros com prédios públicos ao seu entorno com escadarias monumentais. Existem duas quadras de bola e uma enorme quantidade de lajes (+ 300 unidades) esculpidas conhecidas como “Danzantes”. Nelas, podemos observar homens nus, retorcidos e mutilados; talvez prisioneiros de guerra.

A existência de muros separando o centro da cidade dos espaços periféricos induz a pensar em uma forte estratificação social entre os zapotecas. Destaca-se também o chamado Edifício “J”, que se encontra no centro da praça, em forma de “flecha”, alinhado com a Estrela Capella. Em suas paredes, mais de 40 lajes esculpidas descrevem lugares acompanhados de figuras de cabeça para baixo. A obra é interpretada como locais que foram dominados pela elite de Monte Albán. A partir de 900 d.C., os mixtecas dominaram a região impondo sua influência e ocupando Monte Albán.

Uma das descobertas mais fascinantes de Monte Albán foi a chamada “Tumba nº7”. Ela faz parte de diversas sepulturas da elite zapoteca, datadas entre 650 a 800 d.C. Contudo, a Tumba nº 7 foi reutilizada pelos Mixtecas por volta de 1350 d.C., no período de sua ocupação em Monte Albán. A Tumba 7 revelou o maior tesouro encontrado na Mesoamérica e paredes belamente ornamentadas. Estudos mostram que a tumba não era exatamente uma sepultura dedicada a um governante, mas sim um ossuário, onde restos mortais de uma classe específica (ou família) eram guardados. Ela foi descoberta em 1932 pelo arqueólogo Don Alfonso Caso e possuía mais de 600 objetos, muitos deles artefatos em ouro e joias. A descoberta desse túmulo foi tão magnífica que o México criou em 1939 o INAH – Instituto Nacional de Antropologia e História, órgão federal que controla, pesquisa e subsidia os sítios arqueológicos do México. Pesquisas recentes provaram que os Mixtecas – na época de sua dominação sobre Monte Albán – utilizaram o mesmo espaço para enterramento e oferendas aos seus mortos. Foram identificados dois deuses nas representações da tumba: Mictlantecuhtli (Deus do Infra mundo) e Xipe Tótec (Deus da Vida e da Morte). Muitos dos artefatos encontrados em Monte Albán podem ser vistos e admirados hoje no museu de sítio, ao lado das ruinas.

Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e editor da revista Gilgamesh. Pesquisador dos povos pré-colombianos e história da pirataria marítima. Visite a página: (https://www.revistagilgamesh.com.br)

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