Projeto capacita agentes comunitários no enfrentamento à violência em Balneário Camboriú

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A atuação dos agentes comunitários de saúde de Balneário Camboriú ganhou reforço nesta semana com a realização do segundo encontro do projeto “Acolher para Salvar”, promovido pela Diretoria do Departamento de Políticas Públicas para as Mulheres, da Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família, em parceria com a Secretaria de Saúde. A capacitação aconteceu na quarta-feira (24), na Univali, que cedeu o espaço como parceira da iniciativa.

Nesta etapa, participaram profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do Estaleirinho, Pontal Norte e São Judas Tadeu, que receberam treinamento específico para identificar sinais de violência doméstica e familiar e agir de maneira humanizada, fortalecendo a rede de proteção. O cronograma prevê novas capacitações até 2026, contemplando todas as unidades de saúde do município.

Divulgação/PMBC

O olhar atento dentro dos lares

Os agentes comunitários têm contato direto e frequente com as famílias, o que os coloca em posição estratégica para detectar situações de vulnerabilidade. Segundo a diretora Anna Nienkötter, muitas vezes são eles os primeiros a perceber que algo não vai bem dentro de uma casa.

“Quando entram em um lar, conseguem observar mudanças de comportamento que revelam sinais de violência. Uma criança que antes brincava e agora se isola, uma mulher que era comunicativa e de repente só se expressa através do marido, um idoso que antes se mostrava ativo e se apresenta apático. Até mesmo o estado da casa pode indicar problemas: de organizada, passa a estar desleixada, bagunçada. Esses sinais não podem ser ignorados”, destacou.

Anna lembrou que os sinais físicos também são importantes: hematomas, marcas no rosto ou nos braços, por exemplo.

“O agente comunitário precisa estar preparado para perceber e acolher, sem revitimizar. Isso significa não fazer perguntas que tragam mais dor ou culpa, mas sim ouvir com empatia e encaminhar dentro do protocolo adequado”, explicou.

Escuta ativa e confiança

Por estarem inseridos no dia a dia das comunidades, os agentes conquistam uma confiança única, que muitas vezes não existe em outras instituições. De acordo com Anna, é comum que uma vítima primeiro desabafe com o agente antes de procurar uma delegacia ou serviço de apoio.

“Essa relação próxima permite que a vítima sinta-se segura para falar. Por isso, a escuta ativa é fundamental. O agente deve ser capaz de acolher com sensibilidade, entender a gravidade da situação e acionar os caminhos necessários, sem expor ou constranger a pessoa”, ressaltou.

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Violência doméstica vai além da mulher

O projeto também reforça que a violência doméstica não afeta apenas mulheres, mas pode envolver crianças, adolescentes e idosos. Situações de apatia, medo ou até sinais físicos de agressão são indicativos de violações de direitos que precisam ser identificadas com urgência.

“Quando falamos em violência doméstica, não falamos só de violência contra a mulher. Envolve o ambiente familiar como um todo. Por isso, é essencial que os agentes estejam preparados para perceber qualquer mudança que aponte para situações de risco”, reforçou a diretora.

Capacitação contínua

Além da parte técnica, os próximos encontros também devem incluir dinâmicas práticas, visando preparar os profissionais para lidar com a complexidade dessas situações no cotidiano. O cronograma segue até 2026, com a próxima capacitação já prevista para a UBS do Ariribá.

Para a gestão pública, capacitar agentes comunitários é investir em prevenção, proteção e dignidade humana.

“Eles são um elo vital da rede de apoio. É por meio desse olhar sensível e dessa escuta qualificada que conseguimos romper ciclos de silêncio e violência, garantindo os direitos de quem mais precisa”, concluiu Anna.

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