Jaime Araya: um músico chileno que fez história em Balneário Camboriú

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O chileno Jaime Araya, que chegou a Balneário Camboriú no início dos anos 90, trazendo na bagagem seu conhecimento e paixão pela música, especialmente pelo rock e blues, esbanjando talento como guitarrista, baixista, baterista, uma celebridade multi instrumental, saiu de cena, no último sábado (13).

Em Balneário Camboriú e região deixou sua marca, não somente como músico, mas também como professor de música, outra habilidade reconhecida, mas sobretudo por seu talento e humildade.

Araya e o jornal Página 3 iniciaram quase juntos sua trajetória em Balneário Camboriú há mais de três décadas. Ele participava dos eventos da cidade e da região e era notícia frequente no Página 3, embora não gostasse muito de holofotes.

Nesta semana, a reportagem colheu depoimentos de pessoas que conheceram, conviveram e participaram ativamente da vida deste chileno de Balneário Camboriú, seja dividindo o palco com ele, seja aprendendo com ele ou apenas conversando, porque tinha sempre alguma coisa para ensinar.

Acompanhe:  

Arquivo Pessoal

Cristian Becker

“O Jaime Araya foi muito importante para mim. Foi com ele que eu aprendi a dinâmica na música, que é a questão do volume, quando subir ou abaixar em uma mesma canção e a questão do improviso musical. Nós montamos juntos a Araya Blue Band em 1997. Meu nome é Cristian Becker, mas era como Cinderela que o pessoal me conhecia como baterista. 

Toquei muito tempo com o Jaime, ele gostava muito de interagir com os alunos e sempre convidava os que mais se destacavam a tocar na banda ou fazer uma canja em shows. Foi uma referência para o pessoal da cidade no final dos anos 90 e início dos anos 2.000. Muita gente foi aluno dele. 

Sua marca quando chegou na cidade foi ser tio de um músico muito respeitado entre o pessoal do Heavy Metal chamado Tom Araya, da banda americana Slayer. 

O Jaime tinha como repertório principal o blues, o rock setentista como Deep Purple e Santana. Tocou em vários eventos municipais, era um apaixonado pela guitarra, vivia de música e pela música. Atualmente tocava na praça de alimentação do shopping Atlântico todo o sábado. 

Vou sentir muita saudade de um amigo e de um professor. Viveu fazendo aquilo que amava”.


Arquivo Pessoal

Laélio Jr.

“Conheci o Araya meados dos anos 90. Fiquei impressionado com sua fluidez e pegada à la Clapton. Era um músico muito competente, especialmente no blues rock. Apesar de não termos trabalhado juntos em bandas, tocamos informalmente por mais de uma ocasião. Em particular, lembro-me quando estive em sua residência e improvisamos Deep Purple e Uriah Heep. 

Ademais, ele não abriu mão do repertório que o satisfazia como músico profissional, sem temer as dificuldades advindas dessa opção. 

Sua partida repentina é uma triste surpresa a todos que conviveram com ele ou apreciaram seu som. 

Descanse em paz mestre Araya”.


Arquivo Pessoal

Hilton Siqueira

“Jaime Araya quando apareceu em Balneário todos os roqueiros metaleiros da época aceitaram ele como uma celebridade, pois ele é tio do Tom Araya do Slayer, banda de thrash metal adorada pelos bangers.

Ele era um ótimo professor de música. Tem vários alunos que são bons músicos hoje que iniciaram com ele.

Não só alunos para guitarra, ele ensinava música, era um bom baixista, era tecladista e bateria também tocava. Era multi.

Falava baixinho, a gente às vezes fazia que entendia… kkkk Era uma pessoa simples e sempre dava força a todos que queriam tocar. Era também Luthier (consertava, restaurava e regulava instrumentos musicais). Um excelente músico, um dos melhores. Tocava os clássicos do rock como ninguém aqui na região. Pioneiro! de corda, como violões, guitarras, violinos e baixos, artesanalmente”.


Arquivo Pessoal

Júlio Cesar Gavilan (como músico Cesar ou Jack Gavilan)

“Conheci o Jaime Araya faz 10 anos…eu precisava de um Luthier para consertar meu violão e me indicaram o ‘melhor Guitarrista da região’. Era ‘tão bom guitarrista que o chamavam de Mago’, esse era o Jaime Araya…naquela época morava ao pé do Cristo Luz onde tinha seu Studio G3 e onde trocamos as primeiras ideias sobre música. 

Após alguns dias, o Jaime me ligou e me perguntou se eu queria desenvolver um projeto profissional com ele….e eu prontamente respondi que para mim seria uma honra tocar ao seu lado….a partir daí foram muitos ensaios e muitos palcos. Montamos a banda “Deligência Noturna” (deligência é com “e” mesmo) onde apresentamos performance de uma banda completa…com guitarra, baixo e bateria. 

Paralelamente à música, cresceu uma grande amizade que durou uma década, uma amizade que passou do palco e se tornou muito sólida, interrompida neste sábado…ou talvez no domingo, porque eu estava lá no domingo para dar minhas despedidas ao meu amigo… e a Deligência Noturna continua…..agora sem o Jaime”.


Arquivo Pessoal

Bola Teixeira

“Jaime Araya foi embora à francesa – o guitarrista chileno de nascimento, mas nosso de BC por adoção, sempre foi um cara quieto de fala mansa, mas que dedilhava seu instrumento como ninguém. Conheci o Jaime há muito tempo. Acho que desde quando comandei a cultura de BC nos anos 90, talvez antes mesmo. Amante do blues, sua guitarra era poderosa. Formou muito músico na cidade. Pessoa simples, reservada, agora foi embora aos 75, quietinho, sem as homenagens que mereceria, mas a memória das pessoas é curta. Minha reverência e reconhecimento ao mestre. Gracias gringo, nos vemos”.


Foto: Kesia R. M. Valentini

Rodrigo R. Valentini (Manga)

“Jaime Araya, colega, professor e amigo! Quando ouvi sobre o Araya pela primeira vez, no final dos anos 90, era um adolescente fissurado pelo blues, pai do Rock’n’Roll. Fiquei curioso para vê-lo tocar. E justamente quando fui prestigiar uma apresentação sua, tocando com outros amigos, tive a sorte de vê-los tocando “In-a-Gadda-da-Vida” da banda Iron Butterfly. Foi impressionante. A partir daí, virei fã. 

Tempos depois, quando eu estava como guitarrista da banda Mister Up e estávamos pré produzindo as músicas para nosso CD, tivemos a honra de tê-lo por um curto período de tempo conosco e inclusive, deu dicas importantes, como por exemplo na música “17 Anos” em que temos arranjos dele. 

Algum tempos depois peguei aulas com ele, e toda vez que pego a guitarra ainda sinto em minha identidade musical seus ensinamentos. 

Ainda, há três anos mais ou menos, quando eu estava montando a banda 10SexOut, ele chegou a fazer um som comigo e com o Laélio junto, para nossa grande satisfação. 

Sempre que nos encontrávamos nas ruas (pois ele era um caminhante impressionante), eu já sabia, que ali passaríamos pelo menos uma hora trocando ideias sobre música e relembrando momentos e amigos. Sempre uma conversa muito gostosa. 

O que mais me impressionou sempre no Jaime foi sua coragem de vir do Chile para BC e viver de blues e rock, numa cidade onde impera a música eletrônica e o Pop (rock?). 

Grande Jaime Araya, será sempre lembrado por sua integridade, por seu amor por sua esposa e filho, Serginho, também meu grande amigo, e por seu amor pela música! 

Esteja em paz e com a certeza da missão cumprida! Até breve, nos palcos celestiais! “

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Arquivo Pessoal

Luiz Fernando Ozawa

“Conheci Jaime na minha adolescência e posso dizer que era o maior guitarrista que conheci pessoalmente, e isso era incrível, justamente porque ele tinha habilidade e soava como aqueles caras grandes que ouvíamos no K7 e no CD, e víamos no VHS. 

Jaime era virtuoso, exímio guitarrista, solava com facilidade, tinha o porquê de ser exigente. Estudioso, professor, metódico, perfeccionista, ranzinza até. Os que não o conheciam de perto podiam fazer mau juízo. 

Viramos amigos e eu seguia seu fã. Tentei até produzir ele e uma de suas tantas bandas. Jaime era o chileno mais local, conhecido e admirado. Tomamos algum pisco e scoth na vida. Baita profissional e amante da boa música. Deveria ter sido laureado com reconhecimento maior, mas no imaginário dos amantes de blues e rock da região ele será sempre uma constante presença de honra. Jaime, presente”!


Janeiro de 98, no projeto ‘Tentações de Verão’, da prefeitura, que espalhou palcos com shows simultâneos na beira mar, desde a Rua 3000 até a Barra Norte (Arquivo Pessoal)
“Quando éramos um trio…”, escreveu Cesar Gavilan (Arquivo Pessoal)

Videos enviados por César Gavilan

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