Vereador Achutti propõe projeto que proíbe privatização dos serviços de água e saneamento 

Ele comenta que seu projeto é um instrumento para que não haja privatização de nada em Balneário Camboriú, porque mandatos passam e leis ficam

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O Projeto de Lei Ordinária nº 14/2026, de autoria do vereador Marcelo Achutti está em tramitação na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú desde quarta-feira (21) e propõe vedar, no âmbito do município, a privatização dos serviços de captação, tratamento e distribuição de água, bem como do saneamento básico.

O texto estabelece que a água deve ser preservada como bem natural e público, impedindo qualquer forma de privatização desses serviços essenciais em Balneário Camboriú. 

Pela proposta, a gestão deve permanecer sob administração pública direta, garantindo o interesse coletivo, a universalização do acesso e a função social da água.

Achutti salienta que seu projeto veio de uma proposta do então vereador Orlando Angioletti, em 2001, que foi arquivada. 

Divulgação/CVBC

“Hoje se conseguimos fazer investimentos necessários em Balneário Camboriú é porque a Emasa se tornou autarquia. Esse tipo de privatização de consórcio, Balneário e Camboriú juntas, eu concordo, mas trocar por Águas de Camboriú em Balneário não – o esgoto lá até hoje não foi feito e compram água da Emasa até hoje”, diz.

O vereador comenta ainda que seu projeto é um instrumento para que não haja privatização de nada, pois ele vê que a cidade não quer a privatização e quanto mais instrumentos tiver, mais dificuldade haverá se alguém, algum dia, quiser privatizar. 

“O então prefeito Rubens Spernau sugeriu na época para o prefeito de Camboriú, Edson Olegário, um consórcio entre os dois municípios. Camboriú não quis, aí fizeram Secretaria da Água, depois veio a Águas da Mentira e até hoje a merda vai para o Rio Camboriú. Não adianta nada Balneário ter 100% de rede coletora e Camboriú não ter praticamente nada porque o esgoto segue indo para o rio”, pontua.

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Achutti opina que ao invés de pagar para a concessionária Águas de Camboriú, Camboriú poderia pagar para a Emasa fazer a obra de saneamento da mesma forma que foi feito em Balneário. 

“Mandatos passam e leis ficam para dar segurança a determinadas situações e com a Emasa não é diferente. Tenho vontade de fazer outro PL para que não possam utilizar dinheiro da Emasa para folha de pagamento, mesmo tendo vício de origem [o projeto], mas tenho vontade. A Emasa é para investimentos em água e saneamento. Não estou dizendo que o atual governo quer privatizar a Emasa, mas quero dar segurança que isso não aconteça no futuro”, completa.

Confira o projeto:

Projeto de Lei Ordinária N.º 14/2026

“Dispõe sobre a vedação à privatização dos serviços de captação, tratamento e distribuição de água, bem como do saneamento básico, no Município de Balneário Camboriú – SC.”

Art. 1º Fica vedada, no âmbito do Município de Balneário Camboriú – SC, a privatização da água enquanto bem natural, bem como dos serviços públicos de captação, tratamento e distribuição de água e de saneamento básico.

Art. 2º Os serviços de que trata o artigo 1º desta Lei deverão permanecer sob gestão pública direta, preservando-se o interesse coletivo, a universalização do acesso e a função social da água.

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Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Marcelo Achutti (MDB)

Vereador 

Justificativa

A água é condição essencial à vida e, portanto, deve ser reconhecida e tratada como um bem estratégico, indispensável à saúde pública, ao equilíbrio ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Por essa razão, impõe-se ao Poder Público o dever de preservá-la como bem público, assegurando seu acesso universal e sua gestão voltada ao interesse coletivo.

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O presente Projeto de Lei tem como objetivo resguardar esse direito fundamental da população, diante de iniciativas que buscam retirar dos municípios a titularidade na prestação dos serviços de abastecimento de água e saneamento básico. Tais iniciativas, oriundas do Governo Federal, ao condicionarem as concessões à prévia declaração de disponibilidade hídrica, acabam, na prática, abrindo caminho para a privatização da água, submetendo um bem essencial à lógica do mercado e do lucro.

A água é um bem natural e comum, que não pode ser apropriado privadamente em benefício do capital. Permitir sua mercantilização seria equiparável a cobrar pelo ar que respiramos, afrontando princípios básicos da dignidade humana e da justiça social.

Dessa forma, este Projeto de Lei propõe, no âmbito municipal, um instrumento jurídico legítimo para impedir a privatização da captação, do tratamento e da distribuição da água, bem como dos serviços de saneamento básico, reafirmando a autonomia do Município e a primazia do interesse público sobre interesses econômicos, garantindo a proteção de um bem essencial às atuais e futuras gerações.

Balneário Camboriú, 21 de janeiro de 2026.

Marcelo Achutti (MDB)

Vereador.

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