Um episódio de violência contra profissionais da saúde foi registrado na madrugada de quarta-feira (28), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro da Barra, em Balneário Camboriú. Um paciente ameaçou a equipe após ter o pedido de atestado médico negado e retornou à unidade exibindo uma arma de fogo.
De acordo com informações apuradas pelo jornal, o paciente deu entrada na UPA por volta das 5h40, relatando dor abdominal acompanhada de diarreia. Durante a avaliação médica, o profissional prescreveu medicação, mas não concedeu o atestado solicitado. Ainda conforme as informações, o paciente apresentava pressão arterial estável, estava hidratado e não apresentava sinais de gravidade clínica que justificassem o atestado.
Após a negativa, o homem se alterou, afirmou que não queria medicação e ameaçou retornar para “matar todo mundo” caso o atestado não fosse concedido.
Pouco tempo depois, ele voltou à unidade, levantou a blusa e mostrou uma arma na cintura. As portas da UPA já estavam fechadas naquele momento, e o vigia da unidade impediu a entrada do suspeito.
Segundo o relato, a situação foi rápida e não foi possível confirmar se a arma era verdadeira ou de brinquedo, mas, diante da ameaça, não havia como desconsiderar o risco. Antes da chegada da polícia, o homem fugiu do local.
A Secretaria de Saúde de Balneário Camboriú registrou boletim de ocorrência, e o médico também formalizou o relato à Polícia Civil.
O paciente, de 19 anos, morador do bairro da Barra, já foi identificado. O caso está sob investigação.
Histórico de atendimentos e possível motivação
Ainda conforme apurado pelo jornal, o paciente possui histórico de atendimentos frequentes na unidade. Dois dias antes do episódio, no dia 26/01, ele já havia procurado a UPA da Barra e recebeu dois dias de atestado médico. Na madrugada do dia 28, retornou à unidade e teve o novo pedido negado.
Há a suspeita de que a insistência pelo atestado estivesse relacionada a uma audiência judicial marcada para aquele dia, já que a ausência só poderia ser justificada mediante apresentação de documento médico. A informação, no entanto, ainda será apurada pelas autoridades.
Equipe abalada e reforço na segurança
Em entrevista ao jornal, a secretária de Saúde de Balneário Camboriú, Aline Leal, confirmou o ocorrido e destacou que a situação foi rapidamente comunicada à gestão.
“É inadmissível. Foi um episódio de violência, algo assustador. A agressividade foi muito preocupante”, afirmou.
A secretária ressaltou que a prioridade é garantir a segurança física e emocional dos profissionais da rede.
“O que cabe à Secretaria é promover a segurança dos nossos profissionais como um todo. Nós temos que proteger quem está na linha de frente”, disse.
A equipe ficou bastante abalada e recebeu acolhimento psicológico após o episódio.
Aline também lembrou que, no ano passado, a Secretaria já havia levantado a necessidade de reforçar a segurança nas unidades de saúde, em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública.
Atualmente, a UPA da Barra conta com monitoramento por câmeras 24 horas, inclusive na recepção. Além disso, a Secretaria informou que está providenciando a implantação de um botão do pânico na unidade, semelhante ao que já funciona na UPA das Nações, além do reforço da presença da Guarda Municipal no bairro.
“O caso está sendo investigado pela polícia, e nós seguimos dando todo o apoio necessário às equipes”, reforçou a secretária.

