El Niño deve antecipar efeitos e mudar o inverno em Santa Catarina: veja o que esperar do clima

Embora o El Niño seja tradicionalmente associado à primavera, modelos climáticos indicam que seus impactos devem ser sentidos mais cedo neste ano

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O inverno de 2026 em Santa Catarina deve ter um comportamento fora do padrão, com menos frio prolongado e mais episódios de chuva. A mudança está ligada ao avanço do fenômeno El Niño, que deve começar a influenciar o estado ainda durante a estação, antes mesmo da sua configuração completa.

A previsão foi reforçada no 241º Fórum Climático Catarinense, realizado no final de abril, que reuniu meteorologistas da Defesa Civil estadual, Epagri/Ciram, AlertaBlu, além de pesquisadores do IFSC e da UFSC. Segundo os especialistas, há mais de 80% de probabilidade de formação do fenômeno entre junho e agosto.

Efeitos já no inverno

Embora o El Niño seja tradicionalmente associado à primavera, modelos climáticos indicam que seus impactos devem ser sentidos mais cedo neste ano. 

O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, característica central do fenômeno, já vem sendo observado e tende a se intensificar, podendo atingir níveis fortes na primavera, com anomalias superiores a 1,5°C.

Na prática, esse cenário favorece: temperaturas acima da média; maior frequência de instabilidades; aumento gradual das chuvas; e maior chance de temporais com vento, raios e granizo. Especialistas destacam, no entanto, que um El Niño forte não significa necessariamente eventos extremos, mas cria condições mais favoráveis para que eles ocorram.

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Mudança acontece aos poucos

A transição climática deve ser gradual ao longo do trimestre. Em maio, o comportamento ainda segue mais próximo do padrão recente: chuva irregular, volumes abaixo da média e alternância entre períodos secos e a passagem de frentes frias e ciclones extratropicais. As temperaturas tendem a cair com a chegada das primeiras massas de ar frio mais significativas do ano.

A partir de junho, quando começa o inverno (no dia 21, às 5h24), a mudança se torna mais evidente. Os modelos indicam aumento das instabilidades, com volumes de chuva dentro ou acima da média e eventos mais intensos em curtos períodos.

Já em julho, embora historicamente seja um mês menos chuvoso, a tendência é de manutenção das instabilidades, com acumulados que podem superar o padrão em algumas regiões.

Frio mais curto e contraste térmico

Mesmo com o predomínio de temperaturas mais elevadas, o frio não desaparece completamente. Episódios de baixas temperaturas ainda devem ocorrer, especialmente em junho, com possibilidade de geadas nas áreas mais altas e até neve no Planalto Sul em condições específicas.

A diferença é que essas ondas de frio devem ser mais curtas e intercaladas com períodos mais quentes. A amplitude térmica, diferença entre mínima e máxima no mesmo dia, também tende a ser maior. Outro destaque são os chamados veranicos, com dias consecutivos de calor fora de época, que podem ultrapassar os 30°C mesmo durante o inverno.

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O que é considerado “normal” para o período

Climatologicamente, o trimestre de maio a julho é uma fase de transição entre o outono e o início do inverno em Santa Catarina.

Nesse período: os volumes de chuva costumam variar entre 100 mm e 150 mm na maior parte do estado; junho é, em média, um dos meses mais frios, com mínimas abaixo de 10°C; julho tende a ter redução nos acumulados de chuva, especialmente no litoral.

Além disso, é uma época marcada pela atuação frequente de frentes frias e ciclones extratropicais, que podem provocar temporais localizados, com ventos fortes e mar agitado.

Histórico e riscos

Dados do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil mostram que o período entre maio e julho registra menor número de desastres em comparação com a primavera e o verão. Ainda assim, há ocorrência de episódios relevantes, especialmente em maio.

Eventos como vendavais e chuvas intensas, embora menos frequentes, podem ocorrer associados à passagem de sistemas meteorológicos típicos da estação.

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Recomendações da Defesa Civil

Diante do cenário de maior instabilidade, a Defesa Civil orienta atenção redobrada aos alertas meteorológicos.

Em caso de temporais: procure abrigo em locais seguros, longe de árvores e estruturas frágeis; evite áreas abertas, especialmente durante descargas elétricas; permaneça em ambientes internos, preferencialmente em cômodos centrais da casa.

Durante chuvas intensas: não atravesse áreas alagadas ou pontes submersas; evite contato com a água; fique atento a sinais de deslizamentos, como rachaduras e inclinação de estruturas.

A recomendação é acompanhar diariamente os boletins atualizados, já que o comportamento do clima pode sofrer mudanças rápidas nos próximos meses.

Tendência para os próximos meses

A expectativa é que o El Niño ganhe força ao longo do segundo semestre, com impacto mais significativo na primavera. Até lá, o inverno catarinense deve ser marcado por um padrão mais instável, com alternância entre frio e calor e aumento gradual das chuvas, um cenário que exige atenção constante de autoridades e da população.

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