Com manobra de ruralistas, Câmara aprova redução de área de floresta nacional no Pará

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A bancada ruralista fez uma manobra e aprovou na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (20) um projeto de lei que reduz em 486 mil hectares a Floresta Nacional do Jamanxim, na amazônia. Isso equivale a quase 40% da sua área total. A medida deve beneficiar fazendeiros e contém brecha para regularizar grilagem e mineração.

A proposta foi votada em uma tramitação a jato, sem passar por nenhuma comissão. Agora, o texto passará pelo Senado e, se for aprovado neste, segue para o Executivo, que pode sancioná-lo ou vetá-lo.

A mobilização faz parte de uma ofensiva do grupo, o mais forte no Congresso Nacional, em prol de temas que interessam ao setor, como um pacote econômico e outro que inclui propostas para limitar aos poderes de fiscalização do Ibama (Instituto Nacional do Meio Ambiente) e permitir que o Ministério da Agricultura vete a classificação de espécies em risco de extinção.

O pacote defendido pela bancada ruralista foi criticado pelo ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, que chamou a iniciativa de um “rolo compressor”.

A Floresta Nacional do Jamanxim foi criada em 2006 na cidade de Novo Progresso, no Pará, com 1,3 milhão de hectares.

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Ela fica próxima ao Parque Nacional do Jamanxim, em uma região que desperta o interesse de produtores rurais e também por onde deve passar a ferrovia chamada de Ferrogrão. Este empreendimento visa escoar a produção agropecuária, é criticado ambientalistas e tem sua construção questionada no Supremo Tribunal Federal (STF).

A votação no plenário da Câmara foi acompanhada presencialmente por Helder Barbalho (MDB), ex-governador do Pará, estado que no final de 2025 recebeu a COP30, a conferência de combate às mudanças climáticas das Nações Unidas.

Originalmente, o projeto sobre a Floresta Nacional do Jamanxim foi apresentado pelo Executivo em 2017, gestão de Michel Temer (MDB). Porém, desde então, a tramitação estava parada.

O texto voltou a caminhar em maio deste ano, quando foi apresentado um requerimento de urgência para que pudesse ir direto para votação no plenário.

A proposta entrou na pauta nesta terça-feira (19), por articulação da bancada ruralista. O governo Lula (PT) pediu, então, a retirada do item de pauta, já que era de autoria do Executivo.

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Mas, ainda na terça-feira, o deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL) apresentou um projeto de lei igual ao que havia sido proposto pelo governo Temer. Com essa manobra, a proposta avançou.

Designado relator, José Priante (MDB-PA) apresentou o seu relatório já nesta quarta. Horas depois, foi aprovado o regime de urgência para a matéria e, pouco depois, também o seu mérito.

O projeto reduz 486 mil hectares da Floresta Nacional do Jamanxim e reorganiza sua área, transformado esse pedaço em uma APA (Área de Preservação Ambiental), um modelo com menor proteção e que permite atividades produtivas, com planos de manejo.

O objetivo dos ruralistas é permitir que fazendeiros utilizem a área para produção. A proposta fala em regularização fundiária de propriedades já existentes na área, o que abre espaço para a legalização de áreas griladas.

Na prática, a proposta pode fazer com que proprietários, que utilizavam irregularmente a área da floresta nacional, possam conseguir autorização para suas atividades. O texto ainda tem um dispositivo que permite a realização de “atividades minerária” dentro do território da floresta.

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