Pablo Picasso, um gênio da arte e um misógino de raiz. Teve várias mulheres e foi a ruína das que não tiveram força suficiente para fugir. Dentre as muitas mulheres esposas, amantes e musas, apenas uma o abandonou: Françoise Gilot.
Picasso casou duas vezes e teve múltiplas amantes em relações complexas temperadas de abusos. No início as reverenciava como musas, com romantismo, depois vinham os maus tratos. As conhecidas são: Laure Germaine Gargalle, Madeleine, Fernande Olivier, Eva Gouel, Gabrielle Lespinasse, Emiliene Geslot, Irène Lagut, Olga Khoklova (esposa), Sara Murphy, Marie-Thèrese Walter, Dora Maar, Françoise Gilot, Jacqueline Roque e Sylvette David.
Françoise Gilet, também pintora, escreveu a obra: Minha Vida com Picasso, (1964) que o artista tentou impedir a publicação na justiça. É um relato da vida, trabalho e do lado sombrio do artista. Iniciou o relacionamento com 21 anos, quando ele estava com 61. Por ser a única a abandonar o artista, Françoise foi perseguida por muitos anos, além do abuso psicológico foi impedida de expor seu trabalho. Pagou um preço alto pela liberdade. Teve dois filhos com o pintor, Claude e Paloma Picasso. Hoje, Françoise, é uma artista reconhecida e das melhores no seu estilo. Morreu em 2023 com 101 anos.
Dora Maar, fotografa e artista surrealista, trabalhou com fotomontagem, teve sucesso na fotografia e na publicidade, décadas de 20-30. Foi amante e musa de Picasso. Era uma mulher forte que o ensinou técnicas de fotografia e gravura, na arte, um influenciava o outro o que não impediu que fosse trocada por Françoise. Uma depressão profunda e colapso nervoso foi o resultado. Recuperou-se graças à análise com Lacan, tornando-se profundamente religiosa.
Marie-Thérese Walter, modelo. Teve uma filha com Picasso, Maya Picasso. Tinha 17 anos e ele 45. Inspirou muitas obras do mestre. Segundo o livro de Françoise, Marie-Thèrese aceitou o papel de eterna amante submissa, passando anos esperando por migalhas de atenção. Suicidou-se aos 68 anos.
Picasso tratava as mulheres como musas, objetos e vítimas. Submeti-as à manipulação emocional, crueldade, objetificação. Sua perversa declaração sobre as mulheres, diz bem da sua masculinidade tóxica: “Existem apenas dois tipos de mulheres: deusas e capachos”.
Sua neta, Marina Picasso, falou abertamente, de sua “sexualidade animalesca”: as mulheres, depois de usá-las, as ingeria e esmagava em suas telas, quando elas estavam completamente esgotadas, se desfazia delas.
Gilot detalhou no livro, que Picasso detinha todas orbitando ao seu redor e umas sabendo das outras, por isso ela conhece tanto das suas ex-mulheres. Percebeu logo que o convívio com as memórias, fazia parte de um jogo de controle do artista, cujo prazer era colecionar mulheres em seu museu privado, num complexo de Barba Azul. As mantinha vivas à margem de sua vida, sempre emitindo “pequenos gritos de alegria ou de dor”, para satisfação de seu ego.
Embora essa parte da personalidade do pintor nunca é colocada em suas exposições, atualmente existem várias feministas que discutem e questionam se, esse comportamento brutal com as mulheres ainda permite que suas obras sejam tão reverenciadas mormente, hoje com o Movimento #Me-too. Seriam necessárias mais exposições de Picasso?

