Mercado de baterias para armazenar energia é dominado pela China e vive era da euforia

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(FOLHAPRESS) – Um dos assuntos da vez hoje no setor elétrico são as baterias. No Brasil, um leilão previsto para o fim do ano anima empresas e entidades, que esperam ver a tecnologia deslanchar e ajudar no equilíbrio entre demanda e oferta de energia. No mundo, projetos do tipo já crescem em alta velocidade.

Os sistemas de armazenamento de energia passaram, em curto espaço de tempo, de uma promessa para uma demanda do setor. Diante do avanço de fontes renováveis intermitentes – cuja geração não coincide com os momentos de maior consumo -, as baterias passaram a ser vistas como essenciais para conferir flexibilidade aos sistemas elétricos.

A importância delas é quase consensual no setor, embora alguns especialistas argumentem que há mecanismos mais eficientes e baratos para armazenar energia, como as usinas hidrelétricas reversíveis.

Conhecidos com Bess na sigla em inglês, os sistemas de armazenamento de energia em baterias existem hoje em três formatos principais. Um deles é instalado do lado do consumidor e serve para armazenar energia para garantir autossuficiência, reduzir a conta de luz e servir de backup para casas e comércios.

Outra aplicação é nas empresas distribuidoras, com foco em resolver problemas locais da rede.

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O terceiro formato, que vem ganhando escala nos últimos anos, consiste na instalação de baterias conectadas diretamente às redes de transmissão ou a grandes usinas de geração. O leilão previsto para dezembro no Brasil foca esse modelo.

Relatório de maio deste ano feito pela consultoria BloombergNEF mostra que o setor de armazenamento ultrapassou pela primeira vez em 2025 a barreira dos 100 GW (gigawatts) instalados em um único ano. Segundo a IEA (Agência Internacional de Energia), foram 108 GW, valor 40% superior ao registrado em 2024.

A evolução foi impulsionada pela queda nos preços das baterias. De 2010 para cá, os custos dos projetos caíram mais de 90%.

Além disso, o crescimento do setor acontece em um momento de demanda global por baterias, impulsionado pelos cortes na geração de energia renovável (chamado de “curtailment”), aumento da frota de carros elétricos e políticas públicas para incentivar o armazenamento de energia.

A China lidera essa corrida e responde por mais da metade dos novos projetos de baterias instalados no mundo. Em segundo lugar vêm os Estados Unidos, com cerca de 16%.

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Dados do regime chinês mostram que, no final de 2025, a capacidade instalada em sistemas de armazenamento no país atingiu 136 GW. O crescimento veio apoiado por subsídios estatais para a instalação de novos projetos e para a redução de custos de produção.

Nos EUA, a evolução das baterias também é apoiada por políticas públicas. Um dos estados que puxam essa tendência é a Califórnia, onde a capacidade de sistemas de armazenamento saiu de menos de 1 GW em 2019 para mais de 17 GW hoje.

Segundo a autoridade de energia americana, a capacidade de armazenamento em baterias em grande escala nos Estados Unidos cresce a uma taxa anual de 70%. Em 2025, o sistema elétrico do país registrou 43 GW de capacidade em Bess. No primeiro semestre deste ano, outros 8,3 GW foram adicionados.

Parte dessa trajetória veio apoiada por créditos fiscais do governo federal. Outra fatia, por políticas locais. A Califórnia, por exemplo, exige a instalação de baterias em todos os novos grandes edifícios.

A Austrália também vem se destacando, com novas instalações saltando para quase 8 GW em 2025, volume nove vezes maior que o do ano anterior.

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No Oriente Médio, a expansão da capacidade de armazenamento superou 3 GW em 2025. O avanço foi impulsionado pela Arábia Saudita, onde as baterias se tornaram uma fonte importante de flexibilidade para o sistema elétrico diante da rápida expansão de grandes projetos de geração renovável.

Na América do Sul, é o Chile que se destaca. Em 2025, as novas instalações chegaram a 1 GW.

A previsão da BloombergNEF é de que o setor de armazenamento continuará crescendo ao longo da próxima década, impulsionado pela queda dos custos, aumento das renováveis e leilões de baterias. A estimativa é que as instalações anuais cheguem a marca de 300 GW até 2036. Neste ano, a consultoria projeta novos 158 GW.

Fabio Lima, diretor-executivo da Absae (Associação Brasileira de Armazenamento de Energia), diz que o setor de baterias atravessa um momento de transição no Brasil e de consolidação acelerada no exterior.

Segundo ele, o mercado brasileiro já atingiu um patamar de maturidade. Prova disso é o volume recorde de 297 GW de projetos cadastrados para o leilão deste ano – mais do que toda a capacidade instalada do sistema elétrico brasileiro hoje.

“Os maiores desafios ainda são regulatórios. O armazenamento no Brasil completou uma primeira fase que eu chamo de permissão. Mas a gente ainda não tem as bases de remuneração bem estabelecidas, não tem esse sinal econômico para o consumidor. O que realmente vai ditar o ritmo é como a regulação dá os sinais econômicos”, afirma.

Outra questão citada pelo setor são os impostos. Dados da consultoria Greener indicam que os sistemas ainda enfrentam uma elevada carga tributária no Brasil, que responde por cerca de 79% do custo total de adesão.

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