Especial: Feira é profissão: setor cresce 141% em Balneário Camboriú e movimenta até R$ 155 mil por dia

Às vésperas do Dia do Feirante, Página 3 mostra como as feiras mudaram de tamanho e de perfil em Balneário Camboriú; número de expositores passou de 51 para 123 desde 2024 e nova expansão começa pelo Bairro dos Pioneiros

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Por Renata Rutes

Barraca montada, produtos organizados, comida sendo preparada, clientes chegando. Por muito tempo, trabalhar em uma feira era visto como complemento de renda, atividade eventual ou até hobby. Em Balneário Camboriú, essa realidade vem mudando. Há feirantes que hoje sustentam suas famílias exclusivamente com o que vendem nas feiras da cidade. Há empreendedores que deixaram de viajar para outros municípios em busca de eventos, porque encontraram mercado suficiente em Balneário. Há negócios que nasceram ou cresceram entre as tendas. E há feira que, em apenas um dia, movimentou R$ 155 mil.

Feira da Cultura no Centro e Feira da Barra (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)
Feira da Cultura no Centro e Feira da Barra (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)

Na terça-feira (25), quando é celebrado no Brasil o Dia do Feirante, Balneário Camboriú apresenta números que ajudam a dimensionar essa transformação. Em dezembro de 2024, eram 51 feirantes cadastrados na Fundação Cultural. Um ano depois, em dezembro de 2025, já eram 86. Atualmente são 123 feirantes ativos. O crescimento desde dezembro de 2024 é de aproximadamente 141%.

E olhar apenas para os titulares das bancas ainda subestima o tamanho dessa atividade. Dados inéditos repassados pela Fundação Cultural de Balneário Camboriú (FCBC) ao Página 3 apontam que os 123 feirantes contam com 215 colaboradores. Somados, são aproximadamente 338 trabalhadores diretamente envolvidos na operação das feiras. Dos 123 feirantes atuais, 72 são mulheres.

1914 – a primeira feira no Brasil

A data de 25 de agosto homenageia justamente esses trabalhadores e remete a 1914, quando a Prefeitura de São Paulo oficializou a primeira feira livre da cidade. Mais de um século depois, a tradicional figura do feirante continua existindo, mas o perfil dos negócios mudou.

Nas feiras de Balneário Camboriú convivem hoje gastronomia, artesanato, cosméticos, bebidas, joias, produtos autorais, souvenirs, panificação, arte e diferentes segmentos da economia criativa.

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Uma quarta-feira de R$ 155 mil

Feira da Orla na Barra Sul: programa de toda quarta-feira (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)
Feira da Orla na Barra Sul: programa de toda quarta-feira (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)

A Fundação Cultural iniciou em agosto um levantamento de vendas da Feira da Orla, realizada todas as quartas-feiras no trecho reurbanizado da Avenida Atlântica, na Barra Sul.

É a primeira tentativa de mensurar financeiramente um movimento que já era percebido por quem frequenta ou trabalha no local.

No dia 5 de agosto, o faturamento informado pelos participantes foi de aproximadamente R$ 44,5 mil. No dia 12, chegou a R$ 66 mil. Na última quarta-feira, dia 19, o total foi de cerca de R$ 155 mil em um único dia. Importante destacar que agosto foi um mês chuvoso, inclusive com chuvas nas quartas-feiras de 5 e 12.

Números provam: feira é atividade econômica

Ed na Feira da Orla com o ator Julio Rocha (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)
Ed na Feira da Orla com o ator Julio Rocha (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)

O diretor-geral da Fundação Cultural, Ed Júnior, responsável pelas feiras municipais, disse ao Página 3 que existem casos em que um único feirante chega a faturar cerca de R$ 40 mil em um dia. Para ele, os números ajudam a demonstrar algo que a atual gestão da Fundação passou a defender desde 2025: feira também é atividade econômica.

“Desde o primeiro ano do mandato da prefeita Juliana Pavan foi uma política pública que ganhou atenção redobrada por entendermos que feira não se trata apenas de cultura, mas também de economia. Hoje a feira representa um avanço econômico muito grande no fomento cultural da cidade, mas também representa um dos principais atrativos culturais e turísticos de Balneário Camboriú”, disse.

“O feirante pode viver da feira”

A mudança defendida por Ed não foi somente estrutural. Ela passa também pela maneira de enxergar quem trabalha atrás das bancas. Por muito tempo, segundo ele, atividades desse tipo foram tratadas pelo poder público sob uma lógica predominantemente assistencialista.

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A proposta agora é reconhecer o feirante também como empreendedor.

“Um dos principais olhares que começamos a ter é não enxergar o feirante à margem da cultura ou como um ‘coitadinho’. Vemos que são grandes empresários e empreendedores, como qualquer outro que está na Avenida Brasil, na Avenida Atlântica ou nos shoppings”, afirmou.

É uma comparação que ganha força quando confrontada com os números de faturamento. Ed relata ainda que alguns trabalhadores deixaram de depender de agendas de eventos em outros municípios.

“O feirante pode viver da feira, não precisa sobreviver. Não é um hobby. Se torna, de fato, o trabalho dele. Hoje temos feirantes que falam que não precisam mais ir para outras cidades e outros eventos porque a feira já sustenta o lar deles”, contou.

Essa transformação aparece também na composição atual do grupo. Dos 123 feirantes ativos, 72 ingressaram desde o começo da gestão 2025/2028.

Ou seja, mais da metade dos participantes atuais é nova. Para Ed, é praticamente outra feira. São novos empreendedores, novos produtos e, paralelamente, novos espaços de comercialização.

Há menos de um ano, ninguém sabia se a Feira da Orla continuaria

Feira virou novo atrativo turístico (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)
Feira virou novo atrativo turístico (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)

O exemplo mais evidente dessa mudança talvez esteja na Barra Sul. Em dezembro de 2025, o Página 3 publicou uma reportagem especial sobre o crescimento das feiras de Balneário Camboriú (relembre aqui).

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Naquela ocasião, uma das grandes novidades era a Feira da Orla, inaugurada apenas um mês antes. Ainda havia uma pergunta sem resposta: ela continuaria?

A autorização inicial previa a realização até o fim daquele ano, que foi prolongada até o fim da temporada e então oficializada como feira fixa. Até então, a permanência dependeria da resposta do público e dos próprios feirantes. O que naquele momento era experiência virou rotina.

A Feira da Orla completa um ano em novembro e atualmente é uma das mais movimentadas do circuito municipal.

“Já faz parte do hábito semanal dos moradores e turistas de Balneário Camboriú. As pessoas buscam ir à feira toda quarta-feira”, disse Ed.

E há uma particularidade importante nisso: ser nas quartas-feiras. A escolha foi justamente ocupar uma área turística da Barra Sul em pleno meio da semana, quando o movimento naturalmente poderia ser menor do que aos finais de semana. A feira criou um motivo para estar ali. Hoje, moradores e visitantes encontram gastronomia, artesanato, bebidas, produtos autorais e souvenirs, entre outras opções. E foi justamente essa feira, que há menos de um ano ainda precisava provar que funcionaria, que registrou os R$ 155 mil em vendas no último dia 19.

Uma transformação que começou antes

A relação de Balneário Camboriú com as feiras, porém, não nasceu agora. Há quase três décadas elas já aconteciam na praia.

Posteriormente foram levadas para a Avenida da Lagoa, na região onde atualmente está a Praça da Cultura. Foi também nesse período que surgiu o camelódromo, posteriormente transferido para a Rua 1.520, nas proximidades da Igreja Matriz Santa Inês, onde permanece.

Ao longo dos anos, as feiras assumiram diferentes formatos. Hoje, a curadoria dos participantes procura evitar excesso de produtos semelhantes e privilegiar produção artesanal, gastronomia, identidade cultural e itens diferenciados. Quando um produto não é artesanal, a Fundação exige que exista justificativa cultural para a participação.

É por isso que caminhar entre as bancas pode significar encontrar, lado a lado, pastel e caldo de cana, paella, comida cearense, pães, bolos, brownie, produtos com frutos do mar, hidromel, destilados, cosméticos, incensos naturais, macramê, joias, bolsas e souvenirs de Balneário Camboriú.

“A feira foi um divisor de águas no nosso negócio”

Brainham Vieira, da Cacau Glow (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)
Brainham Vieira, da Cacau Glow (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)

A estatística ganha outra dimensão quando contada por quem depende dela. Brainham Vieira, da Cacau Glow, diz que entrar no circuito mudou a trajetória do empreendimento.

“Com certeza, a feira foi um divisor de águas no nosso negócio. Foi através dela que tivemos a oportunidade de apresentar nosso trabalho para mais pessoas, conquistar novos clientes e fazer a Cacau Glow crescer e ganhar espaço na cidade”, contou ao Página 3.

Para ele, a banca funciona também como vitrine.

“Para nós, a feira vai muito além de um lugar de venda. É um espaço de oportunidades, de encontros, de troca entre empreendedores e de valorização do trabalho de quem está todos os dias lutando para fazer seu negócio acontecer. É maravilhoso compartilhar experiências com os colegas feirantes”, disse.

Brainham destaca também a estrutura e o trabalho dos profissionais envolvidos na organização.

“Somos muito gratos por todos que estão nos bastidores e fazem as feiras acontecerem. A feira é exemplo de estrutura e organização”, afirmou.

E resume a transformação de maneira simples:

“A feira nos permitiu crescer não só como empresa, mas como pessoa também. Ela nos deu muita visibilidade e hoje poder viver apenas como feirante e contribuir com a cultura gastronômica da nossa cidade é simplesmente incrível para nós.”

Associação mudou também a organização interna

O presidente Celso (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)
O presidente Celso (Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal)

O crescimento trouxe outra necessidade: representação. Em 2025 foi criada a Associação dos Feirantes de Balneário Camboriú, reivindicação antiga dos trabalhadores e considerada pela Fundação Cultural um dos principais marcos desse processo.

Se antes a organização dependia essencialmente do poder público, a associação passou a permitir que os próprios feirantes participem de forma estruturada das discussões e decisões relacionadas ao setor.

O presidente da entidade, Celso Ferreira, define as feiras como parte da identidade cultural, turística e econômica da cidade.

De jóias a velas… (Foto: Renata Rutes)
De jóias a velas… (Foto: Renata Rutes)

“Para nós, feirantes, elas representam muito mais do que um espaço de comercialização: são uma oportunidade de trabalho, geração de renda, valorização da produção artesanal e gastronômica e, principalmente, de aproximação direta com a comunidade e com os visitantes que frequentam a cidade”, disse.

Segundo Celso, a entidade pretende avançar agora na profissionalização da categoria. Entre os projetos estão capacitações, orientação administrativa e comercial, melhoria da apresentação dos produtos, fortalecimento da identidade das feiras e maior divulgação dos expositores. A associação também pretende criar novas oportunidades para participação dos empreendedores em eventos e ampliar parcerias com o poder público.

“Entendemos que o feirante exerce uma atividade que merece ser valorizada e inserida de forma permanente nas políticas culturais, turísticas e de desenvolvimento econômico do município”, afirmou.

Biscoitos e macramê… (Fotos: Renata Rutes)
Biscoitos e macramê… (Fotos: Renata Rutes)

Para Celso, a organização coletiva beneficia também quem visita as feiras.

“Quando os feirantes estão organizados e unidos, todos ganham: os trabalhadores, que passam a ter maior representatividade; o público, que encontra produtos e serviços de qualidade; e a própria cidade, que fortalece sua identidade cultural e amplia suas opções de turismo e lazer”, acrescentou.

123 feirantes, 14 cidades

Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal
Divulgação/FCBC/Arquivo pessoal

As feiras de Balneário Camboriú não são estritamente locais. Dos 123 feirantes ativos, 66 são de Balneário Camboriú. Os outros 57 vêm de fora, o equivalente a 46% do total. Camboriú responde pela maior parcela depois de Balneário, com 28 participantes. Itajaí tem seis; Navegantes, quatro; Blumenau, Indaial, Itapema e Bombinhas têm três cada; Brusque possui dois; e Balneário Piçarras, Tijucas, Bombas, Garopaba e Timbó possuem um participante cada. Ao todo, são 14 municípios representados.

O Decreto nº 11.645/2024 faz referência à participação de moradores de Balneário Camboriú e da região da AMFRI. Segundo a Fundação Cultural, alguns empreendedores de municípios de fora dessa área participam atualmente por oferecerem produtos diferenciados que agregam à composição das feiras. Essa expansão transformou Balneário Camboriú também em destino para quem produz em outras cidades.

44 tendas e uma estrutura que precisou crescer

Pães artesanais e petiscos (Fotos: Renata Rutes)
Pães artesanais e petiscos (Fotos: Renata Rutes)

Depois da Orla, a aposta é levar a feira aos bairros

No domingo, 30 de agosto, o Bairro dos Pioneiros será ‘laboratório’ para uma nova etapa. Das 9h às 17h, a Praça Valmor Manoel Germano Corrêa recebe a primeira Feira dos Pioneiros, reunindo aproximadamente 20 feirantes cadastrados, além de música ao vivo. A entrada será gratuita.

Será um projeto-piloto.

A Fundação Cultural pretende avaliar o fluxo de pessoas, receptividade da comunidade e questões logísticas antes de decidir se a feira poderá se tornar permanente. Foi exatamente o caminho percorrido pela Feira da Orla. A proposta é levar atividades de economia criativa e cultura para além dos pontos que já concentram as feiras tradicionais.

A primeira edição terá produtos que já se tornaram conhecidos pelo público das outras feiras, como pastel e caldo de cana, bolos e paella, além de artesanato com iconografia local. A Fundação afirma que serão mantidos os mesmos critérios de qualidade aplicados atualmente, incluindo acompanhamento da equipe técnica e, quando necessário, fiscalização sanitária.

Qualidade passou a fazer parte da estratégia

A variedade é tratada pela Fundação Cultural como parte fundamental do crescimento. A intenção é evitar uma feira formada por dezenas de barracas vendendo essencialmente as mesmas coisas. A curadoria busca equilibrar gastronomia, artesanato, produtos culturais e empreendimentos autorais.

Paralelamente, os participantes precisam atender às regras relacionadas aos produtos comercializados e às exigências da Vigilância Sanitária quando aplicáveis. É uma estratégia diretamente ligada ao objetivo de transformar a feira em destino – não apenas um lugar onde alguém eventualmente passa e compra alguma coisa, mas um programa para moradores e turistas.

E se chover?

O crescimento econômico trouxe também um problema prático. Se a feira deixa de ser complemento e passa a sustentar famílias, cancelar uma edição por causa do tempo significa perda real de renda. A preocupação aumentou diante da possibilidade de influência do El Niño e do risco de períodos de chuva intensa e alagamentos.

A Fundação Cultural começou, por isso, a discutir uma resposta para os dias em que as condições meteorológicas tornem inviável manter as estruturas na rua. Uma das alternativas estudadas é o Centro de Eventos Júlio Tedesco. A ideia é utilizar o espaço para uma espécie de “feira das feiras”, reunindo os empreendedores em ambiente coberto em situações específicas.

Segundo Ed, a possibilidade já foi apresentada ao Centro de Eventos e teve sinalização positiva. O formato ainda precisa ser desenvolvido, mas mostra uma mudança provocada pelo próprio crescimento: se centenas de pessoas dependem daquela atividade, garantir condições para que ela aconteça também passa a integrar a política pública.

De espaço assistencial a economia criativa

É justamente aí que Ed acredita estar a principal mudança ocorrida desde 2025. Não se trata apenas de ter mais barracas. A transformação, segundo ele, foi reconhecer a feira como parte da economia da cidade.

“O avanço da feira só se deu porque o Poder Executivo, em nome da prefeita Juliana Pavan, confiou na equipe técnica para entender que feira não deveria ser somente espaço de assistencialismo, e sim ter um foco na economia de fato”, afirmou.

A comparação que a Fundação pretende perseguir agora é ambiciosa. A meta é fazer com que Balneário Camboriú se torne referência nacional em economia criativa através das feiras, entrando no grupo de cidades reconhecidas pela qualidade e força desse tipo de atividade, como Curitiba e Santos.

“Balneário Camboriú merecia ter feiras como tem hoje”, disse Ed.

Um ano depois, outra realidade

Quando o Página 3 percorreu as feiras da cidade em dezembro de 2025, os sinais de transformação já estavam lá.

A Feira da Barra havia passado de nove participantes no começo daquele ano para 25. Novos empreendedores começavam a ocupar os espaços. E a recém-criada Feira da Orla ainda precisava descobrir se teria público suficiente para continuar.

Naquela reportagem, trabalhadores já diziam que as feiras estavam mudando suas vidas.

Adevilson Speroni contou que a renda dele e da esposa vinha exclusivamente da atividade. Fran Santos, do Pastel da Preta, relatou que ela e a companheira haviam deixado seus empregos e passaram a viver das feiras.

Outros empreendedores destacaram a visibilidade, o networking e a possibilidade de criar raízes em uma cidade marcada por moradores vindos de diferentes lugares do país.

O que naquele momento aparecia principalmente nos relatos individuais começa agora a surgir também nas estatísticas.

De 51 feirantes em dezembro de 2024, Balneário Camboriú passou para 86 em dezembro de 2025 e 123 em agosto de 2026. São 72 novos trabalhadores cadastrados durante a atual gestão. Com os colaboradores, a cadeia já alcança 338 pessoas. Quase metade dos expositores vêm de outras cidades. Uma feira criada há menos de um ano já se transformou em programa semanal na Barra Sul. E, em uma única quarta-feira de agosto, as vendas chegaram a R$ 155 mil. Agora, outra praça será testada e um novo bairro poderá entrar definitivamente no circuito.

Às vésperas do Dia do Feirante, talvez o dado mais significativo não esteja apenas no crescimento de 141%, nas centenas de trabalhadores ou nos milhares de reais que circulam entre as barracas. Está no que alguns desses trabalhadores passaram a dizer sobre si mesmos: eles vivem da feira. E aquilo que durante muito tempo poderia ser encarado apenas como uma atividade paralela passou a ocupar, para muitas famílias, o lugar principal: profissão, negócio e fonte de renda.

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