As feiras de Balneário Camboriú ganharam protagonismo em 2025 e se tornaram um dos principais destaques da Fundação Cultural ao longo do ano.
Com crescimento expressivo, tanto em número de expositores quanto em público e qualidade dos produtos oferecidos, esses espaços também se tornaram pontos de encontro vibrantes e valorizados pela comunidade.
Nesta semana, a reportagem do Página 3 acompanhou de perto duas dessas iniciativas: a Feira da Orla, que ocorre todas às quartas-feiras no trecho reurbanizado da Avenida Atlântica, na Barra Sul; e a Feira de Verão, instalada na Praça da Bíblia, no Centro, funcionando de quarta a domingo durante a temporada.

Foto: Renata Rutes
O responsável pelas feiras é o diretor de Artes da Fundação Cultural de Balneário Camboriú, Ed Júnior, que acompanhou a visita da reportagem.
Ed tem conduzido um trabalho consistente junto aos feirantes, fortalecendo a organização interna e contribuindo diretamente para a criação da Associação dos Feirantes de Balneário Camboriú, iniciativa que vem estruturando o segmento e ampliando seu alcance, como aconteceu na Feira da Barra, que acontece aos domingos, e praticamente dobrou no número de feirantes (nove em janeiro, quando a gestão assumiu, e 25 atualmente).
Variedade de produtos

Foto: Renata Rutes
Ed destacou a curadoria que é feita, e mostrou ao jornal também a variedade de produtos – há poucas repetições e a qualidade é o principal foco.
Quando o produto não é artesanal, ele precisa ter uma motivação cultural para estar na feira, como é o caso dos produtos mineiros.

Foto: Renata Rutes
A variedade é realmente perceptível caminhando pelas feiras – quando o assunto é cultura alimentar há o tradicional pastel (muitas opções) e também paella, cachorro-quente, pipoca gourmet, comida cearense, brigadeiro, bolos recheados, brownie, entrevero, doces com coco e amendoim, e muito mais.

Foto: Renata Rutes
Também tem biscoitos e cucas, alfajor, bolsas, velas, cosméticos, incensos, bebidas diferenciadas como hidromel e destilados, macramê (técnica artesanal de tecelagem manual que utiliza nós para criar peças), pães, joias (de natureza resinada), souvenirs diferenciados de Balneário Camboriú, e muito mais.

Fotos: Renata Rutes
Feira da Orla foi a novidade do ano
A novidade das feiras neste ano foi a Feira da Orla, que iniciou em novembro e já caiu no gosto do público, acontecendo toda quarta-feira no trecho reurbanizado. Ela é mais ‘turística’, com muitas opções de gastronomia, chopp, e também souvenirs – pensados nos turistas.
Para conferir se a feira vem sendo aprovada, a Fundação Cultural ‘espalhou’ QR Codes pelos espaços (o diferencial é que as tendas da Feira da Orla não tiveram custos para a prefeitura, porque foram doadas pela RV Empreendimentos) e 139 pessoas responderam a pesquisa até esta semana – sendo que apenas uma delas não havia consumido nada na feira.
O valor gasto pelo público vai de R$ 10,00 a mais de R$ 200,00.
O que chama a atenção do público é a variedade dos produtos (75 pessoas), organização e estrutura (40 pessoas), localização e ambientação (50 pessoas) e o atendimento dos feirantes (43 pessoas).
Por enquanto, por determinação da prefeitura, a Feira da Orla deve acontecer até o final deste ano, mas se seguir a expectativa do público e dos feirantes, ela irá continuar como feira fixa. Vale lembrar que as feiras começaram na praia há quase três décadas, depois foram para a Avenida da Lagoa, onde hoje é a Praça da Cultura, quando surgiu o camelódromo que anos depois foi para a Rua 1.520, nas proximidades da Igreja Matriz Santa Inês, onde está até hoje.

Foto: Renata Rutes
Opiniões

Cauana Alexandre Magalhães Galeano, feirante – “Eu conheci a feira através de uma publicação da prefeitura, informando onde teria a feira livre nesse período do verão e achei bem interessante, porque é algo bem cultural e eu acredito que Balneário, por ser uma cidade turística, é muito bom ter feiras, onde tem várias culturas mostrando realmente como que é a realidade de cada lugar. Fui buscando cada vez mais pesquisar como que era, porque eu já sabia que tinha feira. Eu vendo comida do Ceará, meu estado, e a ideia veio porque quando se pensa em feira, a gente pensa em pastel e caldo de cana, e tem gente que às vezes não quer porque quer comer algo diferente, então eu achei que seria interessante, por saber que não tem em vários lugares [a comida do Ceará], vi que seria um diferencial para as pessoas conhecerem”.

Talita Cristina Geraldino Rodrigues, feirante – “Atuo na feira há quase oito meses. Eu tentei no ano passado, na antiga gestão, não tive sucesso, fiz novamente inscrição em fevereiro, em março me chamaram e começo de abril eu já estava aqui trabalhando. Está sendo ótima a experiência, muito boa mesmo. Pode acontecer de eu não vender, mas o pessoal encomenda, pois o ponto é ótimo, e tenho gostado muito mesmo, porque a visibilidade é excelente”.
Adevilson Speroni, feirante – “Minha renda familiar, minha e da minha esposa, é exclusiva da feira. Mudou muito neste ano, pois expandiu bastante, abriu possibilidade para novos feirantes, isso agregou muito e também atraiu mais pessoas, mais público”.

Daniela da Silva dos Santos, presidente da Associação dos Feirantes de Balneário Camboriú – “Já vínhamos lutando há muito tempo pela associação. Eu sou feirante há 10 anos, e neste ano graças à Deus conseguimos montar, com parceria da Fundação Cultural, que disse como deveríamos fazer, o que foi muito importante para nós. O Allan Muller Schroeder, presidente da Fundação, nos deu um norte, disse o que poderíamos fazer, montamos nossa diretoria, e foi um grande passo. E onde queremos chegar? O céu é o limite! Queremos fazer a melhor feira do mundo, se bobear (risos). O avanço foi muito grande, com abertura para novos feirantes, mais público, tem demanda para isso e estamos colhendo os frutos. Somos vistos, ouvidos e lembrados! As pessoas sabem que existe a feira, e por isso agradecemos tanto ao Ed, que é um amigo, um acolhedor, tanto que agora atraímos até feirantes de outras cidades. Valeu esperar, porque alcançamos! Estamos no caminho certo”.

Fran Santos, feirante do Pastel da Preta – “Atuo como feirante há oito anos, amo essa vida, depois de alguns anos larguei meu emprego, minha companheira também, e hoje nos sustentamos somente das feiras! Somos feirantes itinerantes, trabalhamos em todas as feiras atualmente, e somos muito agradecidas. A presença do Ed como nosso coordenador foi essencial para incentivar essa moda criativa que é a feira, o retorno é muito maior! Temos mais de 40 feirantes novos e a maioria está feliz, não tenho dúvidas. Sou muito feliz e grata principalmente porque hoje temos mais dias de feiras e faz muita diferença em nosso sustento”.

Alessandro Martins, feirante – “Sou de Blumenau, mas agora estou fixo em Balneário, há quatro meses. Minha fábrica de hidromel continua lá, mas resido agora em Balneário. Está sendo maravilhoso, nosso produto está sendo 100% aceito, porque é um produto que faz parte da humanidade e o akvavit não tem ainda no mercado nacional – somos os únicos produtores no Brasil. O akvavit é um destilado que deu origem a vodka, ao uísque, ao gin… um destilado de alcaravia, uma semente que conhecemos como cominho, e lá fora é o cominho romeno. O nosso é o primeiro akvavit do Brasil”.

Gabriel Sandri, feirante – “Somos da Casa Moon Destilaria, a primeira destilaria de Balneário Camboriú, eu sou o primeiro destilador da cidade, sou nativo da terra e faço todos os produtos de forma 100% artesanal. Feirante comecei agora, já estou na sexta edição, em todas as feiras, e está sendo ótimo, com muita visibilidade e networking. É um leque gigante para trabalhar, é sensacional”.

Guilherme Mineto, feirante – “Sou produtor da Namandú Aromas há quatro anos, foi meu projeto de modelagem de negócios, de conclusão do curso de Design, sempre gostei muito de incenso e depois que aprendi a fazer de forma natural foi o que abriu as portas para mim, financeiramente, inclusive. Por serem todos naturais, fitoenergéticos, com muito estudo dentro da magia elemental para fazer a composição das receitas, porque eles têm objetivo energético e espiritual. Tem sido maravilhoso estar na feira, que é uma porta de entrada financeira e para captar clientes, pois consigo apresentar meus produtos, não só para mim, mas para todos os outros artesãos que integram esse grande movimento que se tornou as feiras”.

Liliano Felipi, proprietário da Maitá Cosméticos e feirante – “Utilizamos insumos da Serra Catarinense e fazemos isso através de uma instituição chamada Araucária Mais que comprova a origem de cada produto e faz o link entre os pequenos agricultores e a indústria final, para garantir um comércio justo. Eles nos vendem a matéria prima, fazemos toda a parte de enriquecimento tecnológico e depois misturamos com os outros blends, com as manteigas e óleos. Com cada um dos insumos é feito um extrato diferenciado – por exemplo no butiá usamos o coquinho, a semente dele, para desenvolver o óleo do butiá, já a erva mate utilizamos o primeiro e o segundo broto da erva-mateira, uma espécie de ‘matchá’ da erva-mate, da goiaba serrana utilizamos a casca e as folhas da goiabeira, e assim fazemos, com controle total da cadeia produtiva, inclusive a pós-produção – ainda monetizamos embalagens vazias da Maitá e damos desconto de 10% no próximo produto. Nossa história com a feira nasceu do meu gosto pela feira: eu tinha uma loja bem perto, e vejo que a feira é o principal lugar para criar raízes em Balneário, justamente por nossa cidade ter tantas pessoas de fora – porque tem o poder da constância, vamos nos conhecendo, criando laços”.

Kevin Edwards e Jéssica dos Santos, clientes que estavam na Feira da Orla – “Nem sabíamos que tinha a feira! É uma feira organizada, com muitos produtos artesanais, de qualidade. Nos apaixonamos ao ver tanta variedade, ainda mais que vivemos em uma cidade tão urbana. De verdade, amamos! Esperamos que cresça ainda mais e que surjam mais feiras pela cidade”.
Confira quando e onde acontecem as feiras
Feira da Cultura, todos os sábados das 9h às 15h, na Praça da Cultura – A Feira da Cultura de Balneário Camboriú celebra arte, artesanato e gastronomia local, reunindo talentos e sabores em um ambiente vibrante e acolhedor.
Feira da Barra, todos os domingos das 10h às 16h, na Praça do Pescador – A Feira da Barra celebra a cultura, o artesanato e a gastronomia local, oferecendo uma experiência autêntica que conecta comunidade e visitantes no coração histórico de Balneário Camboriú.
Feira da Rua 200, quartas e sábados das 06h às 12h, na Rua 200 – A Feira da Rua 200 conecta produtores locais e consumidores, oferecendo alimentos frescos, sazonais e sustentáveis, enquanto fortalece a agricultura familiar e a economia local.
Feira da Orla, na Praia Central (no trecho reurbanizado, na Barra Sul) toda quarta das 14h às 22h.Feira de Verão, na Praça da Cultura, de quarta-feira a sábado, das 16h às 22h, até fevereiro de 2026.

