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Balneário Camboriú

Internet, entre o Bem e o Mal

Penso que o ser humano carrega consigo a sina maniqueísta de estar condenado a conviver entre o bem e o mal. Esse carma escatológico se transmite também às instituições e invenções humanas. Criadas para construir o bem-estar humano, acabam sendo usadas para fazer o mal. Exemplos mil aí estão para comprovar essa assertiva.

Inventado para ser um meio de transporte rápido de pessoas e mercadorias, o avião, essa maravilha moderna de paternidade disputada entre os irmãos Wright e o nosso Santos Dumont – o pai aqui não interessa – logo foi transformado numa das mais cruéis e mortíferas armas de guerra. Desde o seu primeiro voo, o aeroplano como assim um dia foi chamado, tem transportado cargas e gente sem fim para o bem de toda a humanidade. Mas, quantas vidas pereceram sob o impacto das bombas lançadas dos céus pelas asas da morte e da destruição?

Assim também aconteceu com a internet, essa maravilhosa e milagrosa rede infinita de comunicação virtual. Em poucos anos, operou uma profunda revolução nos meios de comunicação social e da própria vida humana. Seus benefícios ninguém pode negar: informação, pesquisa e conhecimento, conversas sem fronteiras nacionais, imagens e muito mais à disposição de grande parte da população mundial, literalmente na palma das nossas mãos.

No entanto, a internet também trouxe consigo graves problemas, males que precisam ser combatidos. Infelizmente, em muitos casos, tem sido ela usada como uma rede sem limites de fofocas, difamações e calúnias. As redes sociais se transformaram num poderoso meio de comunicação para espalhar falsas notícias. O mais grave é a nossa dependência ao feitiço da tela fantástica de um computador ou do telefone celular, que parece ter nascido em nossas mãos.

Lamentavelmente, a internet tem sido também um instrumento de extorsão criminosa. Com mãos hábeis, inteligência a serviço do mal, esses bandidos-internautas usam o celular para ludibriar a boa-fé e afanar dinheiro de honestos e inexperientes cidadãos. Esse esperto aparelho atravessa muros, grades e revistas das prisões de segurança máxima para ser operado por mãos delinquentes. Do interior de uma cela-castigo, o celular é transformado numa ferramenta do mal para escorchar dinheiro ganho com trabalho e suor de pessoas pobres.

A última novidade é o golpe cometido por meio do Pix. Criado para facilitar a vida de correntistas, essa operação simples, rápida e gratuita de transferência bancária tem sido usada para golpear pequenas economias de gente simples e de boa-fé.

É triste. Mas, parece que o bem sempre vem acompanhado do mal, sua sombra sinistra e da qual não conseguimos nos livrar.

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João José Leal
Da Academia Catarinense de Letras. Promotor de Justiça aposentado
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