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Balneário Camboriú
Dalton Delfini Maziero
Dalton Delfini Maziero
Historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador das culturas pré-colombianas e história da pirataria marítima.
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O INFORTÚNIO DO VASA

Dizem que a melhor forma para se aprender algo é tentando e errando; mas no caso específico do galeão Vasa, o erro custou a humilhação de um país, de um Rei e uma astronômica fortuna em dinheiro.

O Vasa – também escrito Wasa – foi um dos mais imponentes galeões do século XVII, seja pelo seu tamanho e armamento, seja pelo riquíssimo trabalho artístico aplicado em seu interior. O navio foi uma encomenda do rei sueco Gustavus Adolphus II (1594-1632), que almejava nele, criar um símbolo nominal de sua Casa. O Vasa foi o maior navio de seu tempo, com incríveis 1.400 toneladas, equipado com 64 enormes canhões em bronze e infinitos entalhes barrocos policromados em seu casco, incluindo mais de 500 esculturas em carvalho com representações de animais e heróis gregos. Ele possuía 47 metros de comprimento (casco) e 55 de altura até o topo do mastro principal, ultrapassando qualquer torre de igreja da época! Ele foi o navio de guerra mais imponente, luxuoso e bem armado da história. Sendo assim, o rei passou a visitar e inspecionar – mais do que devia – o estaleiro de Estocolmo, onde o navio foi construído. 

Contudo, existem evidências que o rei começou a pressionar o carpinteiro Henrik Hybertsson a fazer alterações na planta original, após a quilha já estar estabelecida. Ele exigiu a instalação de uma segunda ponte para uma nova linha de canhões. De fato, o Vasa atingiu 69 metros de proa a popa (incluindo gurupés), mas essas alterações estruturais acabaram por criar uma desproporção entre largura e altura da nave, mudando seu centro de gravidade e tornando-o assim, perigosamente instável.

Em 1628, o Vasa estava pronto, em seu período de ancoragem em frente ao Palácio Real, sob supervisão do Almirante Clas Larsson Fleming e do Capitão Sofring Hansson, para início de um exercício de estabilidade naval. O exercício consistia na corrida simultânea de 30 marinheiros de um lado ao outro do convés, onde seria avaliado o balanço do navio. Após alguns minutos de teste, o Vasa começou a inclinar perigosamente e a atividade foi interrompida. Diante do acontecimento, eles reforçaram o lastro da embarcação, numa tentativa de compensar o ponto de equilíbrio.

Em agosto do mesmo ano, finalmente o Vasa foi inaugurado. A Corte postou-se orgulhosa rodeada de embaixadores estrangeiros. Milhares de pessoas interromperam seus afazeres para participar do evento. No convés do navio, havia uma tripulação de 435 homens e dezenas de mulheres e crianças – parentes dos oficiais – que acenavam em estado festivo. O navio foi saudado com tiros de canhão ao passar em frente da fortaleza de Sodermalm, mas com apenas 1,6 quilômetros navegados – mal havia saído do porto – foi atingido por uma forte rajada de vento, que o fez inclinar. O timoneiro ainda tentou corrigir a postura do navio, mas já era tarde demais. A água entrou pelas portinholas inferiores dos canhões e fizeram o poderoso Vasa naufragar em minutos, diante dos olhos atônitos da enorme plateia. Segundo relatos, morreram cerca de 50 pessoas neste que foi um dos maiores equívocos da construção naval de todos os tempos.

O Vasa, que deveria ser o orgulho de uma nação, pousou quase na vertical a 32 metros de profundidade e a não mais que 120 metros da costa. Como era previsto, o rei Gustavus abriu um inquérito para descobrir o culpado pela humilhação. Obviamente que, na época, a Comissão encarregada do trabalho não chegou a uma conclusão final, até porque um dos culpados seria o próprio rei, que exigiu mudanças estruturais na embarcação.

No século XX, um audacioso projeto de recuperação do naufrágio teve início, e hoje a carcaça do Vasa encontra-se preservada e exposta no fabuloso Museu Vasa, em Estocolmo (Suécia), para quem quiser apreciar de perto o que sobrou deste magnífico navio, que infelizmente não teve a oportunidade de exibir seu esplendor nos mares do século XVII.
Dalton Delfini Maziero é historiador, escritor, especialista em arqueologia e explorador. Pesquisador dos povos pré-colombianos e história da pirataria marítima. Visite a Página do Escritor (https://clubedeautores.com.br/livros/autores/dalton-delfini-maziero)

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