Durante seis dias, o 8º FECONTHI (Festival de Contadores de Histórias) realizou palestras, oficinas e formações variadas, com o tema “Memórias Afro-Narrativas”, com programação gratuita no Teatro Municipal Bruno Nitz e outros locais da cidade.
O evento foi idealizado pela Cia Ler e Viver e financiado pela Política Nacional Aldir Blanc.

O idealizador do Feconthi, Fábio Castilho, disse que esta edição foi intensa, bela e profunda e destacou a forte presença de várias escolas.
“As narrativas apresentadas trouxeram além de diversão, alegria e encantamento, com temas importantes como antirracismo e letramento racial. Tivemos grande participação das escolas municipais, estaduais e também de outros municípios, além do público espontâneo que se fez presente principalmente na biblioteca e no teatro”, afirmou.
Fábio segue dizendo que este Feconthi foi ainda mais especial, porque será a base da sua dissertação de mestrado.
“Sobre ele farei a dissertação de Mestrado, pela Unisinos, e este olhar atento a tudo o que estava acontecendo me fez perceber os pequenos detalhes, como as reações das crianças durante as contações, as questões que surgiram nas formações e a força do tema proposto”, acrescentou.
Vera Hoffmann, professora aposentada e contadora de histórias, que participa deste o primeiro Feconthi, também destacou esta edição.
“As formações do 8⁰ Feconthi BC foram ótimas e necessárias, um tema que necessita ser amplamente difundido e estudado. Embora tenhamos a Lei 10.639/03 que estabelece diretrizes curriculares para o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana, pouco vemos ser feito. É urgente levarmos esse tema e os conhecimentos acerca dele, ao maior número possível de ouvintes, a todo tempo e lugar”, colocou Vera.

Potyra Najara, contadora de histórias, escritora, atriz, arte educadora, elogiou a temática desta edição, ‘Memórias Afro Narrativas’.
“Foi um momento muito sensível e necessário. As formações foram intensas aulas sobre a cultura afro brasileira, as literaturas para as infâncias que trazem nas suas bases as narrativas que precisam estar nas escolas e casas, as histórias de vida das formadoras e formadores que levam todos os presentes a refletir diariamente sobre a disparidade social do nosso país”, disse Potyra.
Segundo ela, esta edição despertou um olhar mais amplo para a luta antirracista e sobre a urgência cotidiana de combater o racismo intrínseco no país.
“E na nossa cultura, para além disso admirar, respeitar e contar as belíssimas histórias dos povos africanos, cheios de poder, conhecimento e beleza. Como artista, mulher, contadora de histórias, cidadã antirracista, fico honrada em participar deste Feconthi e contribuir para um mundo com igualdade social, racial, de gênero, com uma sociedade mais justa, fraterna em busca da erradicação de todo e qualquer preconceito. Nós somos feitos dos povos africanos e indígenas, são nossa origem e raiz, eles que nos compõe e nos fazem chegar até aqui”, enfatizou.

A artesã Sueli Leodoro, líder do movimento quilombola no Morro do Boi, participou pela primeira vez do festival e ficou bem impressionada com a programação.
No Teatro Municipal, ela contou a história e ministrou uma oficina sobre ‘Abayomis’, bonecas de pano africanas sem costura, feitas somente com nós por mães africanas que se ocupavam com esta arte durante a viagem em navios negreiros.
“Acredito que eventos como este precisam acontecer com mais frequência em Balneário Camboriú. Também foi muito lindo ver todos fazerem as abayomis. Depois de confeccionadas, elas foram colocadas em roda no palco do teatro”, contou.





Fotos: Marcos Portugal
