Grupo de teatro amador promove protagonismo juvenil em Balneário Camboriú

“Hoje vivemos um tempo em que o produtor cultural trata a arte como produto e o artista vira bobo da corte dessa gente”, diz diretor do Grupo Catarinense

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O tradicional grupo de teatro amador Meta Movimento Estudantil, conhecido na cena cultural de Balneário Camboriú ganhou novo fôlego em 2013, quando foi reencarnado sob o nome de Grupo Catarinense. Desde então, a trupe atua dentro da Escola de Ensino Básico Francisca Alves Gevaerd (FAG), no Bairro da Barra, onde desenvolve o projeto voltado à formação artística de adolescentes.

À frente do grupo está o diretor teatral Juarez Rezende Araújo, mestre em Artes da Cena pela Escola Superior de Artes Célia Helena, que mantém o trabalho de forma totalmente voluntária. 

“Quem tiver interesse em participar de nossas montagens pode aparecer no ensaio, que é sempre aos sábados, das 10h às 12h, no palco da escola. E é de graça. Trabalhamos com adolescentes dos 12 aos 17 anos e promovemos com isso o protagonismo juvenil da garotada”, destaca Juarez.

Reconhecimento em festivais e trajetória nos palcos

Alunos de teatro em cena (Divulgação)

Neste ano, o grupo marcou presença em diversos eventos e festivais, representando Balneário Camboriú em cidades como Taió, Indaial e Pinhais (PR), onde participou pela segunda vez do Festival Nacional de Pinhais.

Mais recentemente, o grupo se classificou para o Festival de Esquetes de Blumenau, que será no final deste mês, com o espetáculo “Alice vai pra rua”, o mesmo que encantou o público paranaense. As montagens costumam trabalhar textos clássicos de autores como Coelho Neto, Nelson Rodrigues e Harold Pinter.

Arte por amor, não por lucro

Apesar das dificuldades financeiras típicas do teatro amador, Juarez segue sustentando o projeto com os próprios recursos.

“Ganhei alguns trocados em oficinas e projetos culturais que participei e gasto tudo com teatro amador. Faço por amor mesmo, além de alimentar meu portfólio artístico atualizado”, conta.

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O diretor também critica a postura de alguns produtores culturais que, segundo ele, abandonam os projetos após o fim do financiamento. 

“Acho ruim aprovar projeto na LIC ou na Aldir Blanc só pra ganhar uns trocados, ofertar uma oficina e, quando a grana acaba, deixar os adolescentes no ‘ora veja’. Se você estimula o povo a fazer arte, não pode parar só porque o dinheiro acabou. Hoje vivemos um tempo em que o produtor cultural trata a arte como produto e o artista vira bobo da corte dessa gente. Nisso eu tô fora. Posso fazer um monte de coisas por dinheiro, mas minha arte eu não negocio”, afirma Juarez.

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