O historiador e professor Fábio Aurélio Castilho está participando da 10ª edição do Prêmio Baobá, idealizado por Andrea Sousa, presidente da Academia Brasileira de Contadores de Histórias e que está acontecendo pela primeira vez fora do Brasil.
Esta edição que iniciou no dia 7 e termina nesta terça-feira (14), no distrito de Chongorói, província de Benguela, em Angola, é especial, porque é a primeira realização internacional. Contadores de 11 estados brasileiros participam do evento e as homenagens estão acontecendo debaixo de baobás milenares.
A presidente da Academia Brasileira, Andréa Sousa, disse que agregar é essencial e a realização desta premiação em Angola é muito especial.

“Estamos agregando Lima (Peru), agora estamos agregando contadores tradicionais africanos em Angola, porque há uma conexão muito forte Brasil/Angola. Em Angola tem a cidade de Benguela e ali está o distrito de Chongoroi, conhecido como o ‘lar dos baobás’. Nada mais pertinente, emocionante e profundo do que fazer a solenidade de entrega do Prêmio Baobá entre cinco baobás, dois dos quais com mais de 1600 anos”, disse Andréa.
Fábio é Mestrando do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, e foi convidado para fazer parte da programação do Prêmio Baobá 2026 África, onde apresentou sua pesquisa para a dissertação do Mestrado intitulada ‘Atlântico Sul Negro’ Memórias Afro-Narrativas e Educação das Relações Étnico-Raciais no 8º Feconthi BC.
“Esses dias aqui estão sendo de intenso aprendizado, fomos acolhidos como netos desta terra em todos os lugares que chegamos. Vi minha avó Clarinda (in memorian), uma mulher negra, representada em muitos rostos por aqui, com sorrisos e olhos brilhantes. A pesquisa com certeza ganha raízes e mais profundidade após essa experiência. O projeto foi apresentado em rodas de conversa e também de forma breve na reunião com o governador de Benguela, Manuel Nunes Júnior, disse o historiador ao Página 3.

Fábio é professor da rede municipal de Balneário Camboriú, onde atua no projeto “Conta pra Mim”, que leva literatura e contação de histórias para as unidades de ensino de Balneário Camboriú dentro de um ônibus especialmente adaptado para o tema.
“Como professor, pesquisador e contador de histórias, viver essa experiência é um encontro entre prática, pesquisa e ancestralidade. Minha pesquisa de mestrado sobre memória, oralidade e identidades ganha novos horizontes ao dialogar com os territórios que inspiram narrativas que atravessaram o Atlântico e permanecem vivas em nossa cultura. Representar Balneário Camboriú neste encontro internacional é uma honra. Levarei comigo as histórias, os aprendizados e a certeza de que contar histórias também é educar, preservar memórias e fortalecer identidades”, conta.

O Prêmio Baobá
O Prêmio Baobá é considerado o maior reconhecimento a contadores de histórias no país, sendo concedido a contadores, escritores, editoras, movimentos e fundações que, com suas práticas, desempenhos e ações, fortalecem, ampliam e difundem a arte narrativa no Brasil, valorizando a tradição oral e despertando o interesse pela literatura e o gosto pela leitura.

