Em reunião realizada nesta sexta-feira (28), a prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan, apresentou aos prefeitos da região uma proposta para que os municípios da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (Amfri) desenvolvam, em conjunto, um programa destinado à melhoria da educação pública.
A articulação prevê uma parceria com o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC), que já acompanha ações de gestão educacional em outros municípios catarinenses.
A iniciativa surge após a divulgação do Ideb de 2025, que revelou resultados abaixo dos patamares de qualidade em boa parte das escolas da região.
Em Balneário Camboriú, apesar de uma pequena recuperação nos anos iniciais, a média da rede permaneceu abaixo da referência usada para avaliar um ensino de qualidade.
Primeira reunião será na próxima quarta-feira
Uma reunião de trabalho já foi marcada para quarta-feira (2), às 9h, na sede do Sinduscon, em Balneário Camboriú. O encontro deverá contar com a participação do conselheiro substituto Gerson dos Santos Sicca, relator temático da Educação no TCE-SC, e do conselheiro Luiz Eduardo Dado Cherem, responsável pela área da Saúde.
A inclusão da Saúde na discussão ocorre porque a proposta não se limita às notas das avaliações. O planejamento também deverá considerar as condições de saúde de alunos e profissionais, incluindo fatores que interferem na frequência, no aprendizado e no ambiente escolar.
A intenção é construir um trabalho regional, com compartilhamento de informações, diagnósticos e estratégias entre as prefeituras. Em vez de cada cidade desenvolver uma resposta isolada para os seus indicadores, a proposta é utilizar a estrutura da Amfri para buscar soluções comuns.
Prefeitos apoiaram proposta
De acordo com informações obtidas pelo Página 3, a ideia foi bem recebida pelos participantes da reunião desta sexta-feira. O prefeito de Itajaí e atual presidente da Amfri, Robison Coelho, manifestou-se favoravelmente à iniciativa. O prefeito de Navegantes, Ricardo Muniz Ventura, também apoiou a articulação.
Durante a discussão, os gestores reconheceram a necessidade de melhorar a educação pública nos municípios da região. A avaliação apresentada no encontro é que o problema não está restrito a Balneário Camboriú e aparece em praticamente toda a Amfri.
Luiz Alves foi apontado como a principal exceção positiva dentro do cenário regional. Nos demais municípios, os resultados gerais indicam a necessidade de avanços tanto na aprendizagem quanto na gestão das redes de ensino.
Modelo foi aplicado em Florianópolis
A proposta apresentada por Juliana tem como referência uma experiência iniciada em Florianópolis. A capital participa de um projeto desenvolvido pelo TCE-SC em parceria com a organização Todos Pela Educação. O acordo reúne diagnóstico, planejamento, formação de professores e gestores, acompanhamento da aprendizagem, ações voltadas à frequência escolar e ampliação do ensino integral.
O trabalho teria contribuído para o avanço apresentado por Florianópolis no Ideb de 2025 (Florianópolis registrou um salto expressivo no Ideb de 2025, passando de 5,8 em 2023 para 6,7 nos anos iniciais do ensino fundamental, fruto de uma parceria inédita entre o TCE/SC e o movimento Todos Pela Educação).
O projeto-piloto acompanha a execução das medidas educacionais, em vez de analisar os resultados somente depois de concluídas as políticas públicas – e deu resultado, já que a capital catarinense subiu da 10ª para a 3ª posição entre as capitais brasileiras nos anos iniciais, e alcançou a 2ª colocação nos anos finais.
A parceria parte da ideia de que o Tribunal de Contas pode atuar de forma preventiva e colaborativa, indicando problemas durante a execução dos programas e ajudando as administrações a corrigir os rumos.
A instituição também está reunindo o conhecimento acumulado durante a experiência para criar um referencial que possa orientar outras redes municipais e a rede estadual. A proposta envolve o compartilhamento de informações, conhecimento técnico e práticas de gestão educacional baseadas em evidências e resultados.

Ideb abriu debate em Balneário Camboriú
A movimentação ocorre após o Página 3 publicar, em 6 de agosto, uma análise sobre os resultados da rede municipal de Balneário Camboriú no Ideb de 2025.
O índice combina o desempenho dos estudantes nas avaliações de Língua Portuguesa e Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com as taxas de aprovação registradas no Censo Escolar.
Balneário Camboriú obteve média 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental. O resultado representa uma pequena melhora em relação a 2021 e 2023, quando a nota foi 5,9, mas ainda está abaixo dos 6,4 alcançados em 2015 e 2017.
Em 2019, o município havia registrado 6,1.
Nos anos finais, a média ficou em 5,0, repetindo o desempenho da avaliação anterior.
A análise por unidade mostra desigualdades importantes dentro da própria rede.
Entre as 14 escolas municipais avaliadas nos anos iniciais, quatro atingiram ou superaram o patamar de 6,7: CEM Giovania de Almeida, CEM Vereador Santa, CEM Taquaras e CEM Professor Antônio Lúcio.
As demais dez escolas ficaram abaixo dessa referência.
Na parte inferior da relação aparecem o CEM Tomaz Francisco Garcia, com Ideb 5,4, e o CAIC Ayrton Senna da Silva, com 4,9.
Nos anos finais, somente duas das 14 unidades alcançaram o patamar de 5,5 utilizado na análise: o CEM Giovania de Almeida, que obteve 6,5, e o CEM Professor Armando Cesar Ghislandi, com 5,6.
O CAIC Ayrton Senna da Silva teve a menor nota dos anos finais, com Ideb 4,2.
Também ficaram entre os resultados mais baixos o CEM Tomaz Francisco Garcia, com 4,4, e os centros educacionais Professor Antônio Lúcio, Ariribá e Dona Lili, todos com 4,6.
Prefeitura destacou melhora, mas reconheceu necessidade de avançar
Após a repercussão dos números, Juliana Pavan se manifestou em 7 de agosto. A prefeita destacou que a nota dos anos iniciais foi a maior dos últimos cinco anos e disse ter recebido o resultado com esperança de crescimento nas próximas avaliações.
A administração municipal atribuiu parte da melhora à aplicação de simulados e ao trabalho das escolas para aumentar a participação no Saeb. Em 2025, 88% dos estudantes que faziam parte do público-alvo compareceram às provas.
A escola com o melhor desempenho foi o CEM Giovania de Almeida, no Estaleirinho. A unidade alcançou Ideb 7,2 nos anos iniciais e 6,5 nos anos finais.
A prefeitura também anunciou um investimento de quase R$ 2 milhões em formação de gestores, professores e equipes pedagógicas, materiais didáticos e instrumentos de avaliação.
Entre as medidas está o programa Ideb Nota 10, iniciado em 2026 para trabalhar planejamento, alfabetização, inclusão, avaliação de resultados e organização da rotina escolar. A rede também passou a aplicar avaliações de Matemática e Língua Portuguesa aos estudantes que farão o próximo Saeb. Essas ações, porém, terão impacto mais claro somente no próximo ciclo. As provas voltarão a ser aplicadas em 2027, e o Ideb será divulgado posteriormente.
Proposta regional ainda será detalhada
A reunião da próxima quarta-feira deverá ser o primeiro passo para definir como a cooperação poderá funcionar dentro da Amfri. Ainda será necessário estabelecer quais municípios participarão, quais indicadores serão acompanhados e como ocorrerá a adesão ao modelo desenvolvido pelo TCE-SC e pelo Todos Pela Educação. Também deverá ser discutida a participação das secretarias municipais de Educação e Saúde. A presença dos relatores das duas áreas no TCE-SC indica que o diagnóstico poderá incluir, além do desempenho acadêmico, questões como saúde mental, frequência, condições de trabalho e atendimento aos estudantes.
Caso a articulação avance, a Amfri poderá ser a primeira associação de municípios de SC a tentar aplicar regionalmente a experiência iniciada em Florianópolis. A proposta é transformar a preocupação comum com os resultados de 2025 em um trabalho contínuo, com metas, acompanhamento e avaliação das medidas adotadas por cada rede de ensino.

