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Em Campinas tem faculdade gratuita e com laboratório de ponta para quem quer ser cientista

Estudar para se tornar cientista e ter aulas perto do Sirius, acelerador de partículas e a maior obra brasileira para pesquisa. Parece história de cinema ou de livro, mas é realidade para quem ingressa na Ilum, faculdade gratuita em Campinas (SP) vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, mantida por um repasse anual de cerca de R$ 8 milhões do Ministério da Educação

Inaugurada em 2021, a escola promete abordagem inovadora, com foco em pesquisa e contato direto com laboratórios e equipamentos de ponta. O bacharelado em Ciências e Tecnologia tem três anos: os dois primeiros são de aulas teóricas e práticas, mas no segundo semestre os alunos já podem fazer pesquisas. Há classes avançadas de Física, Biologia, Química e Matemática, em um modelo interdisciplinar. Já o terceiro ano é para desenvolver projetos no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). “Só há outros três laboratórios no nível do Sirius no mundo e nenhum deles tem uma faculdade de graduação ligada a ele”, diz Adalberto Fazzio, diretor da Ilum e membro da Academia Brasileira de Ciências. “A escola é ímpar no mundo.” A Ilum está com inscrições abertas até hoje. Oferece moradia, notebook, vale-refeição e vale-alimentação ao aluno, além de aulas de inglês gratuitas a interessados.

ALUNOS

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A proposta chamou a atenção da estudante Isadora Marcondes, de 20 anos, da primeira turma da Ilum, que começou em março. “Não tinha nada do currículo que eu não gostaria de fazer.” A metodologia é de que o estudante seja “protagonista do conhecimento”: aulas expositivas são pequenos seminários, com debate e resolução de problemas pelos próprios alunos, que devem estudar previamente o tema. “Estudei a vida toda no método tradicional, com provas. Aqui o ensino é mais individualizado, exigindo mais do que só prestar atenção às aulas. Foi um choque de realidade”, diz.

A primeira turma reúne 40 alunos – obrigatoriamente, metade deve ter cursado o ensino médio na rede pública. Foram 943 inscritos, concorrência de quase 24 por vaga. Na sala de Isadora há mais 18 mulheres – participação feminina mais alta do que a realidade das universidades e centros de pesquisa do País, sobretudo em cargos mais altos. Fazzio diz que não há reserva de vagas por gênero. Há alunos de 11 Estados, de todas as regiões do País.

João Carâmes veio de Ananindeua (PA). Ele se mudou para estudar Física em uma universidade federal até que foi informado sobre a escola do CNPEM por uma professora. “Quando soube da oportunidade da Ilum, considerando a estrutura e a grade curricular, já vi que era algo diferente”, afirma. Na carta em que enviou durante o processo seletivo, escreveu o que gostaria de aprender e a forma como queria ter aprendido. “Funcionou pra mim, mas não existe fórmula pronta”, afirma. Apesar da rotina puxada, ele garante que dá tempo para se divertir: costuma sair nos fins de semana, jogar videogames e ler livros. “Qualquer universidade é difícil. A nossa não seria diferente.”

Carâmes e Isadora moram em flats cujo aluguel é pago pela Ilum. Um ônibus gratuito leva os estudantes ao câmpus. A parte da manhã é dedicada a aulas teóricas. Depois do almoço, oferecido gratuitamente, os estudantes têm aulas práticas. A ida ao CNPEM começa no 1º semestre, ao menos uma vez por semana, quando os alunos podem acompanhar as pesquisas que já estão em andamento.

PROCESSO SELETIVO

Para se inscrever, o aluno deve submeter, no site oficial (https://ilum.cnpem.br/), uma redação, dizendo os motivos pelos quais deseja estudar na Ilum. Depois, em fevereiro, o interessado apresenta a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A junção das duas notas funciona como a primeira fase do processo seletivo, em que 200 alunos são aprovados. Medalhas de participações em olimpíadas do conhecimento ou concursos similares acrescentam pontos aos candidatos.

Na segunda fase, os jovens passam por entrevista. Não há limite de idade para participar da seleção. “Não é só responder questões. A gente avalia a criatividade, a capacidade de resolver conflitos, de dialogar, de interagir”, afirma Fazzio.

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(Por Beatriz Bulhões, especial para AE)

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