Professor da Univali lança e-book gratuito para ensinar computação nas escolas sem depender de laboratórios

Material propõe atividades práticas com lógica, jogos e pensamento digital desde a infância

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O professor e pesquisador André Raabe, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), lançou nesta segunda (1º) um e-book gratuito criado para ajudar escolas brasileiras a transformar a Computação em atividade de sala de aula sem depender de laboratórios caros, excesso de telas ou da criação de uma disciplina específica.

A publicação surge em meio ao avanço da obrigatoriedade do ensino de Computação nas escolas do país e parte de uma pergunta que atravessa o cotidiano digital: por que convivemos com tecnologias presentes em tudo, mas entendemos tão pouco sobre como elas funcionam?

“O botão da pipoca do micro-ondas quase sempre queima a pipoca. As sinaleiras raramente são sincronizadas. A gente vive cercado de tecnologias chamadas inteligentes, mas pouco questiona isso, porque foi educado para consumir tecnologia, não para entender como ela é construída”, afirma o professor.

O livro apresenta um referencial curricular desenvolvido a partir de uma pesquisa baseada em design realizada em parceria com a rede municipal de Balneário Camboriú. O material reúne propostas pedagógicas para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental que integram a Computação às disciplinas já existentes, como Matemática, Ciências, Língua Portuguesa e História, por meio de projetos transversais. As atividades desenvolvem lógica, criação, resolução de problemas e pensamento digital em diferentes contextos de aprendizagem, incorporando a Computação ao currículo em vez de transformá-la em uma disciplina isolada.

Divulgação/Univali

Computação além das telas

Grande parte das atividades utiliza a chamada computação desplugada, metodologia que ensina conceitos de programação e lógica sem exigir computadores nas primeiras fases da aprendizagem. Crianças brincam de criar comandos, organizam sequências, resolvem desafios em grupo e usam o próprio corpo para compreender noções de algoritmo e raciocínio lógico.

“Existe uma diferença entre saber usar um aplicativo e entender a lógica que existe por trás dele. Quando a criança aprende a criar tecnologia, ela desenvolve visão crítica sobre algoritmos, redes sociais e sobre as escolhas tecnológicas do cotidiano”, explica Raabe.

O professor participou da elaboração da própria norma nacional de computação para a educação brasileira e afirma que muitas redes públicas ainda enfrentam dificuldades para colocar as exigências em prática.

“A norma foi construída em um nível muito alto para quem ainda está começando. Muitas escolas não têm estrutura, não têm formação específica e acabam tentando implementar tudo no improviso”, diz.

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Além do e-book, o projeto inclui um repositório online com materiais de apoio para professores, organizado por faixa etária e com sugestões de atividades aplicáveis diretamente em sala de aula.

O trabalho foi desenvolvido em parceria com os doutorandos do programa de pós-graduação em Educação da Univali Elizabeth Cavalcante, Jackson Silvano e Alexandre Simon. 

A publicação está disponível gratuitamente em formato digital pela Triálogo Editora.

Cultura digital e formação crítica

Para Raabe, ensinar computação nas escolas passa menos por formar programadores e mais por desenvolver compreensão crítica sobre o mundo digital.

“O objetivo não é fazer crianças decorarem comandos ou passarem mais tempo em frente à tela. É ajudar elas a entenderem como a tecnologia interfere na vida, no consumo de informação, nos algoritmos das redes sociais e nas decisões do cotidiano”, afirma.

Segundo o pesquisador, a proposta também busca enfrentar um problema recorrente na educação pública brasileira: projetos tecnológicos que chegam às escolas sem continuidade pedagógica ou participação efetiva dos professores.

“O que mais se vê são soluções prontas entrando nas escolas sem criar autonomia para a rede. Quando o professor participa da construção, o conhecimento permanece”, destaca.

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Educação e tecnologia

A Norma sobre Computação na Educação Básica foi homologada pelo Ministério da Educação em 2022 como complemento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 

O documento estabelece direitos de aprendizagem relacionados ao pensamento computacional, mundo digital e cultura digital desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Em 5 de março deste ano, a Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica definiu que as redes de ensino que não iniciarem a implementação da norma em 2026 poderão ter redução nos repasses de recursos a partir de 2027.

O e-book reúne projetos para Educação Infantil e Ensino Fundamental organizados por faixa etária, com propostas que trabalham lógica, cultura digital e compreensão das tecnologias presentes no cotidiano escolar e social.

O conteúdo utiliza como base o Referencial Transversal de Computação (RTC), modelo criado para ajudar escolas a implementar o ensino de computação sem necessidade imediata de criar uma nova disciplina.

As atividades são divididas por etapas de desenvolvimento e temas integradores. Na Educação Infantil, o eixo é “Brincando de programar”. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, aparecem propostas como “Eu e a computação” e “A lógica e o lúdico”. Cada projeto traz orientações passo a passo para os professores, incluindo objetivos pedagógicos, materiais necessários e relação com as habilidades previstas pela BNCC.

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O livro pode ser acessado gratuitamente no site da editora, aqui.

Texto produzido por Assessoria Comunicação/Univali

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