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Balneário Camboriú

Afinal, o que é o empoderamento feminino? Profissionais opinam e falam sobre a importância desta atitude

O empoderamento feminino vem sendo cada vez mais discutido pela sociedade. No dicionário, empoderar-se é uma ação de domínio, um processo de controle sobre a sua própria vida e tomada de decisões. 

Em um país onde um feminicídio ocorre a cada seis horas e meia e onde as mulheres trans têm expectativa de vida de menos de 35 anos (equiparável a Idade Média, quando não havia penicilina e nem saneamento básico), é preciso falar sobre a necessidade de mais espaço e, sobretudo, respeito com as mulheres.

Neste mês de outubro, com a campanha Outubro Rosa, o assunto empoderamento ganha ainda mais espaço no que diz respeito às mulheres em tratamento ou que já venceram o câncer, uma batalha que deixa marcas para o resto da vida. 

Considerando isso tudo, o Página 3 ouviu profissionais de Balneário Camboriú que trabalham atendendo mulheres diariamente e reforçam o quanto faz diferença o empoderamento feminino. Acompanhe.

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Casa da Mulher oferece mais de 100 oficinas gratuitas focadas no público feminino

Casa da Mulher tem mais de 100 oficinas gratuitas para as mulheres (foto Divulgação)

A Casa da Mulher, espaço que fica na Rua 2.850, entre as avenidas Brasil e Terceira, funciona de segunda a sexta-feira, com mais de 100 oficinas gratuitas focadas nas mulheres (mas abertas também aos homens). 

Segundo a secretária de Inclusão Social (departamento responsável pelo espaço), Christina Barichello, na Casa da Mulher a equipe busca focar que o empoderamento feminino é quando a mulher tem uma autoestima compatível com aquilo que ela é, e opina que a questão da mulher como algo que fica ‘a sombra’ do homem precisa ser combatida. 

“É algo que já vem desde o descobrimento do Brasil. As coisas evoluíram, mas ainda persistem essas questões e a gente tenta tratar disso não como uma rivalidade e sim para que a mulher faça o uso e tenha consciência de toda a potencialidade dela. Todas as cidades deveriam ter algo assim, pois é a sociedade trabalhando em prol de si. E isso faz o empoderamento feminino, que é muito mais do que essa questão clichê de revolução, religião ou política. A grande revolução, para mim, deve vir de dentro – é quando você percebe as suas amarras e vai quebrando essas correntes, se posicionando. É se olhar no espelho e se gostar, entender a sua importância”, diz.

Oficinas variadas

As oficinas são as mais variadas (todas gratuitas e abertas ao público), desde atividades físicas como ballet para adultos, alongamento e fortalecimento muscular, yoga, defesa pessoal, tai chi chuan, aeroboxe (uma das mais frequentadas), RPG, pilates, técnicas de basquete (mistura de exercício com dança), como ainda as voltadas para a saúde mental (Só por Elas – com temática sobre mulheres e violência, com apoio do programa Abraço; Pense Leve – focando no processo de autoconhecimento e autoestima), além de cabeleireiro (pintura e corte), micropigmentação, coaching (12 sessões, onde analisam finanças, relacionamentos, individualidade, etc.), oratória, Histórias e Memórias (oficina de escrita, incentivando a escrever uma biografia), dentre outros. 

“Inclusive, para as mulheres que tratam câncer há uma profissional que vem toda segunda-feira às 8h e faz micropigmentação na sobrancelha gratuitamente. Temos também toda semana o ‘Papo de mulher’, com um ginecologista que responde as dúvidas das mulheres, além de terapia de casais, porque muitas vezes falta comunicação entre eles. Tenho mais de 30 anos de serviço público e considero a Casa da Mulher e a forma como trabalhamos uma otimização dos talentos femininos. Por exemplo, você é atendida no Abraço à Mulher (programa que apoia psicologicamente mulheres vítimas de violência doméstica), e você é massatorepeuta e pode trabalhar voluntariamente na Casa. Fortalecemos todo o processo, criamos vínculos. Hoje há quase 200 voluntários e 60 funcionários, cria-se uma irmandade, um ajudando ao outro, é uma corrente”, afirma.

  • Para participar da Casa da Mulher basta ir no local com documento e comprovante de residência. Algumas oficinas podem ter fila de espera, mas todas são gratuitas e abertas ao público – desde jovens, adultos como também idosos.

Evento que acontece na próxima semana vai discutir o empoderamento e a violência contra a mulher

Acontece no sábado (6), das 9h às 12h, o evento Justiça Por Elas, realizado pela Ação da Mulher Trabalhista (AMT) do PDT de Balneário Camboriú. 

Uma das organizadoras é a empresária Ciça Müller, que explica que falar do combate à violência contra a mulher é algo essencial e que precisa ter mais visibilidade. 

“Dia 25 de novembro é o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, e por isso estamos fazendo o evento agora, e inclusive queremos realizá-lo anualmente nesta época do ano”, conta.

Ciça Muller (foto Arquivo pessoal)

O evento contará com a participação de Rejane Sanchez, que é membro do Observatório Estadual da Violência Contra a Mulher (que possui todos os dados de violência contra a mulher em SC), e Miguelina Vecchio, socióloga, militante da causa da igualdade e Coordenadora do Fórum Nacional de Instância de Organismos de Mulheres de Partidos Políticos, e ainda presidente nacional da AMT e vice-presidente do PDT.

“Elas vão falar sobre a violência psicológica, moral, patrimonial, física, sexual e em ambientes políticos. No final do painel, vamos incentivar um debate. Esperamos um público de cerca de 100 pessoas, entre homens e mulheres. Queremos discutir ideias para criar políticas públicas e ações da sociedade no combate à violência contra a mulher. O objetivo é sairmos do evento com proposições, com objetivo de transformar a nossa sociedade”, afirma.

Justiça Por Elas é aberto ao público e acontece no próximo dia 06 (foto AMT BC)

Ciça entende que empoderar é se sentir livre para ser e fazer o que deseja, sem precisar mudar o seu jeito de ser ou de se comportar para agradar determinados grupos ou públicos. 

“É a autenticidade. A mulher pode ocupar o espaço que quer e deve ocupar, seja na vida pessoal ou profissional. Eu já passei por situações complexas por ser mulher – quando eu tinha 20 anos e trabalhava em um banco, o gerente me chamou para dizer que eu seria promovida, eu agradeci e disse que era a segunda notícia boa que eu havia recebido naquele dia. A primeira foi que eu estava grávida. E aí a promoção nunca veio. Passaram-se meses, minha barriga apareceu, e aí disseram que era para eu esquecer, porque mulher grávida não era promovida”, relembra. 

A empresária deixou o emprego quando voltou da licença maternidade e optou por seguir no ramo da Comunicação, abrindo então sua agência de publicidade anos mais tarde. 

  • Para participar do Justiça Por Elas basta confirmar a participação até o dia 03/11 via WhatsApp com Ciça Müller: (47) 9.8413-5832.

“O foco do processo terapêutico é o fortalecimento”

Luciane (foto Arquivo pessoal)

A psicóloga Luciane da Silva Pillar, que trabalha voluntariamente na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Balneário Camboriú e de Itajaí, diz que o acompanhamento psicológico é fundamental durante o processo de tratamento do câncer, lembrando que o próprio diagnóstico já é um momento ‘bem complicado’ para a mulher que está acometida pela doença. 

Sem contar todos os impactos físicos, a reação da família, as dores. Eu percebo isso bastante na Rede Feminina e esse suporte acaba sendo fundamental para o processo de cura, que às vezes é longo, dolorido. O câncer tem grandes chances de cura, mas não se sabe como será o processo. O câncer de mama, por exemplo – o seio é um símbolo, existe uma representatividade muito grande sobre o ser mulher, ser mãe.. o cabelo também, os pêlos da sobrancelha que moldam o rosto, tudo isso é muito impactante. Mesmo se for uma mulher madura, que tenha autoconhecimento, vai ser impactada”, destaca.

Por isso, segundo Luciane, o foco do processo terapêutico é o fortalecimento para que as mulheres consigam passar pelo processo do tratamento e terem assim uma visão de futuro. 

“Depende de cada mulher, uma sente menos, outra mais. Mas o suporte faz muita diferença porque muitas sentem a culpa por não terem descoberto antes, outras que são mães que têm filhos pequenos, ainda há a questão do marido – se vai impactar ou não no casamento, na questão da sexualidade. É preciso ser muito forte para passar pelo câncer, e a Rede Feminina é uma instituição maravilhosa, formada por mulheres incríveis, que fazem muita diferença”, diz.

Por isso, a psicóloga vê que o empoderamento é essencial para o tratamento do câncer – e que está alinhada ao respeito que a mulher deve ter com ela mesma, voltando-se para si e conseguir, através do autoconhecimento, voltar para a verdadeira essência dela.

“Quando ela descobre isso acaba se libertando de padrões, sai da caixinha igual a todo mundo, estando livre para exercer as escolhas dela, para viver de acordo com o desejo dela, sem estar sempre tentando agradar o outro, seja na vida pessoal ou profissional. Empoderamento é libertação em relação a todos os pontos da vida dela. No tratamento é importantíssimo, porque a própria doença é um paradoxo, e muitas mulheres veem como um renascimento, que o câncer foi um divisor de águas, que se tornam novas mulheres, focando em cuidar primeiramente delas. A saúde mental nesse processo precisa ser discutida, porque se a mulher não estiver bem, a doença pode ser um gatilho para depressão”, completa.


Nutrição Integrativa une alimentação, sentimentos, emoções, pensamentos e energia

Dra. Vanessa (foto Arquivo pessoal)

A nutricionista Vanessa Ecker, que atua na área de Nutrição Integrativa, está como voluntária da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Balneário Camboriú há dois meses; ela afirma que escolheu voluntariar, porque a prática une o conhecimento com amor. 

“Ofereço atendimentos e suporte às pacientes oncológicas na área de Nutrição Integrativa, que atua com um olhar profissional voltado ao ser humano como um todo: alimentação, sentimentos, emoções, pensamentos e energia. O trabalho com olhar integrativo me permite colocar a pessoa como protagonista da sua história de vida e do seu processo, seja ele de doença ou não. Cada ser humano que chega até mim e senta à minha frente, é tratado com individualidade, amor, empatia, olhos nos olhos e acolhimento”, conta.

Nutrição Integrativa une bem estar e saúde (foto Divulgação)

Segundo Vanessa, na Rede Feminina o foco é tratar o ser humano – a pessoa e não a doença.

“Esse atendimento humanizado nos permite ter resultados excelentes, seja na prevenção, no tratamento e no suporte pós-tratamento. Quando você se coloca na posição de protagonista e entende que você faz parte do seu processo de cura, vem à tona a coragem e o empoderamento para trilhar essa jornada de transformação e muitas vezes de ressignificar muitos pontos em sua vida, que através da doença passaram a ser vistos. Ao falar de saúde é importante abordar que nós temos alguns pilares que são fundamentais nessa caminhada, tais como: alimentação e saúde emocional”, explica.

Para viver uma vida saudável e com mais qualidade, a nutri salienta que o corpo precisa estar em harmonia e em equilíbrio, e que esse processo começa sempre de dentro para fora.

Ela preparou algumas dicas especialmente para os leitores do Página 3. Confira abaixo.

Para termos uma alimentação saudável é preciso: 

  • Incluir frutas, verduras, legumes e folhas verdes todos os dias; 
  • Consumir boas fontes de gordura, como: abacate, oleaginosas, azeite de oliva; 
  • Cuidar da saúde do seu intestino, com alimentos como: alho, iogurtes, frutas secas; 
  • Consumir bastante água; 
  • Evitar alimentos industrializados, embutidos, enlatados; 
  • Praticar exercícios físicos. 

 Para saúde emocional é preciso: 

  • Acolher as emoções e os sentimentos; 
  • Não se julgar ou se comparar com o outro; 
  • Se tratar com mais amor e paciência; 
  • Fazer a higiene dos seus pensamentos, através da respiração que te conecta com o estado de presença, de estar e usufruir do momento presente. 

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A doença é um estado do ser humano que indica que, na sua consciência, ela não está mais em ordem, ou seja, sua consciência registra que não há harmonia. 

A cura acontece pela transmutação da doença e pressupõe que nesse processo haja a compreensão de que o ser humano se tornou mais saudável e consciente. 

Se coloque em primeiro lugar, você é muito importante. Se ame, Se cuide!, finalizou a nutricionista. 


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