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Balneário Camboriú

Outubro Rosa: o empoderamento da mulher é muito importante no tratamento do câncer de mama

Além do tratamento para cura existem tratamentos paralelos que merecem atenção especial: eles se dividem entre os ‘visíveis’, como os cuidados com a estética, beleza, cabelo em especial, pele, mamas, etc…e os ‘invisíveis’ que são os cuidados com a depressão, a tristeza, angústia, ansiedade etc…para buscar forças para enfrentar a doença e os tratamentos que se resumem no ‘empoderamento’ da mulher.

Nesta reportagem, foram ouvidos especialistas no assunto, pessoas que trabalham para melhorar a beleza, a força, a estética e todo esse conjunto que reflete na melhora da doença. Acompanhe:

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Projeto fotográfico empodera mulheres: moradora de Balneário que teve câncer foi a primeira modelo

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Fabiana Thives foi a primeira modelo do Empodera Woman (foto Marcio Junior)

(Divulgação/Arquivo pessoal)

O projeto fotográfico ‘Empodera Woman’, criado pelo fotógrafo Marcio dos Santos Junior, pela maquiadora Quéli Moura e pela produtora de moda e VM, Camila Grando, surge para empoderar mulheres em um momento delicado – o tratamento de um câncer ou no pós. A primeira fotografada foi a moradora de Balneário Camboriú, Fabiana Thives, Mentora Soft Skills Life, que foi diagnosticada com neoplasia (carcinoma maligno) gestacional (hormonal) na mama grau 3 em 2018 e segue em tratamento.

Processo que deixa cicatrizes

Fabiana Thives, que contou a sua história ao Página 3 na última semana, junto de outras mulheres (saiba mais aqui) disse que, antes do câncer, acreditava ser uma mulher empoderada, mas que descobrir a doença a afetou demais e fez ressignificar toda a sua vida – inclusive com a mudança de carreira. 

“Eu via que precisava resgatar a conexão com o meu corpo, conhecê-lo, enxergar a beleza em mim, porque com o câncer de mama de fato a gente sofre uma mutilação. É um processo de dor, que deixa cicatrizes, uma transformação emocional e estética muito forte, ainda mais com a mama, que é algo tão ligado ao nosso subconsciente com as questões da maternidade e da sexualidade”, diz.

Fabiana é irmã da jornalista Helen Francine, que a acompanhou algumas vezes na quimioterapia e dizia que ela era uma guerreira exatamente por cumprir o papel de um soldado que vai para a guerra. 

Fabiana Thives (foto Marcio Junior)

“Porque o soldado vai para a guerra sem saber como vai ser, nem todos voltam e aqueles que retornam, vêm com cicatrizes, exatamente como o câncer. Eu estava grávida, não tinha caso de câncer na família, e quando descobri a doença ela já estava em um estado avançado. Um ano passei me desconstruindo e ao mesmo tempo me olhei, refleti, me autodescobri. Foi o momento em que mais recebi amor, e tudo na minha vida ressignificou”, afirma Fabiana.

“Empoderamento é atitude”

Fabiana salienta que não deveria ser necessário sofrer para poder passar por um momento de ressignificado, mas que com ela foi assim. 

“Empoderamento é atitude, um sentimento de ação. Pode ser vinculado a estética ou não. Conheço mulheres que são empoderadas sem usarem maquiagem, que sabem que estão ali e que são mais, que não aceitam menos do que merecem. Vejo que é algo interno e que pode se conectar com o externo, mas é uma força que vem de dentro”, comenta.

Empodera Woman

Diante disso, Fabiana, que trabalhava na área da estética, decidiu voltar para o mercado de trabalho e acabou atendendo uma clínica de estética, quando percebeu que havia deixado de lado esse ponto por estar focando em seu tratamento.

“E ainda nesse momento minha filha começou a modelar, as coisas foram se encaixando e me chamaram para ser modelo também, por ser um padrão diferente – algo que está ganhando cada vez mais espaço no mercado. Na semana passada fui procurada para esse projeto incrível, com uma produção bem voltada para a moda, usando perucas, algo bem editorial. Em duas horas fizemos esse material lindo! Me senti uma modelo bonita, profissional (risos). Eles querem contar histórias de empoderamento, e viram que eu represento o movimento, pois falo sem medo do câncer e quero que outras mulheres também façam isso, que tenham voz”, conta.


“O ensaio vai além da fotografia e sim da experiência como um todo”

O fotógrafo responsável pelo Empodera Woman é Marcio dos Santos Junior, ele conta que Fabiana, ‘a linda modelo’, os inspirou a iniciar o projeto. 

“Mesmo com todas as adversidades acompanhadas do câncer, a beleza dela continuava ali. Nosso intuito foi demonstrar que existe a beleza feminina em quaisquer circunstâncias e poder resgatar a autoestima, e acredito que conseguimos retratar isso no ensaio”, diz. 

Assim como as outras profissionais, Marcio trabalha no ramo da moda e por isso buscou fazer um ensaio mais voltado para os famosos editoriais de revista, com uma pegada Boho, algo que Fabi gosta. 

“Pudemos brincar um pouco com esse personagem, várias perucas, acessórios e roupas. Os ensaios são sempre muito leves! Gosto de entender o momento em que cada uma delas está vivendo e retratar isso na frente das câmeras da forma mais natural possível, deixando elas à vontade ao máximo. O ensaio costuma ser bem descontraído, existe uma troca muito grande com todos da equipe para que o resultado fique incrível e elas se sintam bem. Acredito que o ensaio vai além da fotografia e sim da experiência como um todo”, explica.

Marcio vê que o Empodera Woman tem sido ‘de extrema importância’ para o resgate dessa autoestima perdida, ainda mais em momentos delicados como o tratamento de um câncer. 

“As mulheres que fotografo muitas vezes fazem o ensaio a procura daquela mulher poderosa e sexy que existe dentro delas, das mulheres reais do dia-a-dia. Aquelas que precisam trabalhar, cuidar da casa, dos filhos… É notório a evolução delas durante o ensaio de quando chegam até a hora de sair e como elas vão se reconectando com esse lado feminino”, afirma.

O fotógrafo aproveita para opinar que a luta das mulheres vem de muito tempo e está muito longe do fim, e que por isso acredita que o empoderamento delas vem da vontade de continuar lutando. 

“Lutando por igualdade de oportunidades e salários no mercado de trabalho, lutando por poder usar a roupa que quiserem sem serem julgadas por isso. Lutando por ter voz na política, salas de aula e relacionamentos. Lutando por não precisar ter medo de sair na rua a qualquer horário. Elas merecem reconhecimento, sim. Mas acima de tudo, merecem todo o respeito e admiração”, acrescenta, agradecendo por todas as mulheres que já pôde retratar, incluindo Fabi, e ainda as parceiras, Quéli Moura e Camila Grando.


“Todo mundo pode e deve se sentir bem com seu corpo”

Camila Grando (foto Arquivo pessoal)

Camila Grando, que trabalha com moda desde 2007, é a produtora de moda do Empodera Woman; ela conta que a ideia surgiu de uma forma ‘bem despretensiosa’, unindo, conforme citado por Marcio, a vontade de Fabiana Thives, com a da equipe, que se conectou e conseguiram tirar o projeto do papel. 

“Juntos começamos a desenhar este ensaio que logo floresceu para um sentido maior, que é justamente aproveitar este mês tão especial (pelo Outubro Rosa) e tratar da autoestima, do empoderamento na luta contra o câncer de mama, que por vezes impacta diretamente em como a mulher se enxerga neste processo. Fazer um trabalho como este se torna ainda mais especial pela causa que ele representa, as mulheres em tratamento e até mesmo já curadas do câncer trazem um desgaste emocional muito forte, a perda da autoestima e uma dificuldade de se reconhecer como antes. Então, proporcionar estes momentos onde exploramos a beleza feminina, é super gratificante para que elas se sintam lindas e realizadas com a sua imagem”, afirma.

Segundo Grando, que é proprietária do Camila Grando Escritório Criativo, o Empodera Woman surge exatamente para mudar a forma como as pessoas olham a beleza. 

“Todos nós a carregamos, independente da situação. Todo mundo pode e deve se sentir bem com seu corpo, ver a beleza nos detalhes e trabalhar a aceitação. Eu acredito que se empoderar está desde os pequenos atos até as grandes realizações”, comenta. 

Ela acrescenta que se sente bem quando acorda e já se arruma, mesmo que de forma simples, para iniciar o dia. 

“Este pequeno ritual ajuda no sentimento de confiança para realizar as outras tarefas do dia a dia. Acredito que, mesmo que muitas vezes pareça ser difícil tomar iniciativas de fazermos algo que nos faça sentir melhor, como fazer um exercício físico, ou passar uma make para ficar em casa, depois vemos que o resultado é sempre muito satisfatório e faz nosso dia mais leve”, completa.


“Quando você enxerga o seu poder, você se sente empoderada”

Quéli Moura (@makeup.flow no Instagram) é a maquiadora do Empodera Woman – formada em Moda e, como ela mesma se define, amante da beleza, atua há sete anos como maquiadora profissional. 

“O Outubro Rosa é um momento em que precisamos estar atentas ao nosso corpo, precisamos nos sentir, nos tocar. Toda mulher gosta, quer se sentir amada, desejada, bonita, confiante. A autoestima é um pilar para uma vida bacana, é o que vai fazer a gente acordar de manhã, irmos atrás de nossos sonhos, e foi em cima disso que tivemos a ideia do projeto”, diz.

Ela aproveita para citar que tem muito orgulho porque a sua profissão traz o empoderamento para as mulheres.

Quéli Moura (foto Arquivo pessoal)

“Quando nos sentimos bonitas, nos sentimos mais fortes, mais felizes. Participar deste projeto e poder deixar as mulheres ainda mais bonitas é gratificante. O empoderamento é você sentir o poder de dentro de você e pode vir de várias formas: pode ser você sair de uma doença, você conseguir o emprego dos sonhos, sair de um relacionamento tóxico – quando você enxerga o seu poder, você se sente empoderada”, afirma.


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