Comunidade Luterana completa 70 anos em Balneário Camboriú nesta sexta-feira

Uma história protagonizada por uma mulher, que começou em 1956, oito anos antes da emancipação de Balneário Camboriú e que será celebrada nesta semana na Igreja Martin Luther 

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"Hoje não é dia de comemoração, mas sim de reflexão, por todos os trabalhadores que vieram antes de nós e com muita luta, conseguiram que hoje tivéssemos condições e liberdade, para nós expressar e exigir melhores condições de trabalho e salários dignos", afirmou.

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A Comunidade Luterana Martin Luther completa 70 anos em Balneário Camboriú nesta sexta-feira, 12 de junho. Foi neste dia e mês, em 1956, que uma luterana chamada Berty Jensen que veio morar na Praia de Camboriú depois que ficou viúva, reuniu algumas amigas em sua casa, com objetivo de trocar ideias, confraternizar, ajudar umas às outras e quem mais precisasse. 

Nasceu ali o primeiro grupo Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE) da Praia de Camboriú, que ganhou o nome de ‘Pioneiras’ e que mantém-se firme na comunidade até hoje, com reuniões semanais. 

A data festiva será celebrada no encontro do Grupo Pioneiras nesta quinta-feira (11) e no Culto de domingo (14), às 9h.

A evolução e seus desafios

Os encontros para receber a palavra de Deus foram crescendo e os familiares destas senhoras, amigas de Berty, também queriam um espaço na praia, para não precisar ir até Itajaí, o que não era muito fácil na época, porque os ônibus da Viação Baturité Campos faziam três viagens diárias em horários nem sempre compatíveis com os dos cultos. Além disso, naquela época poucos tinham carro.

Persistente em sua missão, Berty procurou os responsáveis da igreja na região e conseguiu um pastor que vinha de Brusque, uma vez por mês à praia para dar um culto, de manhã em Itajaí e à tarde na Praia de Camboriú.

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Os primeiros cultos foram na casa de Berty. Quando não comportava mais, passaram a ser realizados na pequena casa de madeira na Rua 2300 esquina com a Avenida Brasil, que pertencia à comunidade luterana de Curitiba. 

Ali Berty, aconselhada pelo Pastor Lindolfo Weingärtner, que ministrava os cultos mensais, começou a movimentar a pequena comunidade para construir uma capela. O pedreiro Paul Tesch fez o desenho e começou a correria atrás de recursos, materiais, muitos deles obtidos em fábricas de Brusque e Blumenau, de onde vinham muitos veranistas para a Praia de Camboriú.

Com tanta ajuda, Tesch anunciou que ele construiria uma igreja e não uma capela. 

A obra ficou pronta em sete semanas e a Igrejinha da Rua 2300 foi inaugurada em 22 de janeiro de 1961. Nove anos depois, foi necessário ampliar a igrejinha, porque o número de frequentadores só aumentava. 

Em 1978 as lideranças começaram a procurar um novo espaço, porque as pessoas estavam assistindo aos cultos do lado de fora das janelas, e seis anos depois, em outubro de 1984, aconteceu um festivo lançamento da pedra fundamental.

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Naquele mesmo ano, em abril, foram constituídas comissões de trabalho, uma elaboração final do projeto de construção, formada por Roland Peters, Egon Prochnow e Mário Sieverdt. Outra para cuidar do nivelamento do terreno, que ficava na encosta do morro e a construção do muro, formada por Ernesto Knoch e Walter Eilers. Outra comissão de construção, nas etapas de alvenaria e revestimento do forro, era liderada por Ronaldo Wolter. Ele também construiu a Casa Pastoral em apenas 90 dias.

Divulgação/IECLB/BC

Os impressionantes serviços de carpintaria foram feitos por Ralf Heinig e sua equipe de pedreiros. Em 1985 foi registrada a participação do arquiteto Renato Moura na obra.

Durante todos esses anos, a comunidade realizava campanhas, eventos, festas para angariar recursos, a obra prosseguia de acordo com o dinheiro em caixa.

A arquitetura do tempo chama atenção, tornou-se um atrativo turístico (Divulgação/IECLB/BC)

“Exatos 6.412 dias se passaram desde a data de lançamento da pedra fundamental, ou seja: 17 anos, 6 meses e 22 dias, até a inauguração acontecer em 5 de maio de 2002, quando o templo passou a ser denominado ‘Igreja Martin Luther’”, escreveu Fridolino Probst (in memoriam), um ativo membro da comunidade, ex-presidente, no livro de sua autoria ‘50 anos de presença luterana em Balneário Camboriú’ publicado em 2006.

Registros da história

Galeria de personagens da história luterana em BC: acima, os pastores e nas duas abaixo, Berty Jensen e os presidentes a partir de 1968 até hoje (Foto: Dalys Geiser)
  • A eleição da primeira diretoria da Comunidade aconteceu em 1968. O primeiro presidente foi Helmuth Stahnke.
  • O primeiro Pastor da Paróquia de Balneário Camboriú, até então atendida por pastores de Brusque e Itajaí, foi João Wunderlich (1988 a 1991). 
  • O segundo Pastor em Balneário Camboriú foi Valdim Utech (1991 a 2020). Atualmente reside em Blumenau.
  • A Igrejinha da Rua 2300 foi tombada, é Patrimônio Histórico, Cultural e Arquitetônico do Município de Balneário Camboriú, conforme Decreto 2937, de 3 de fevereiro de 1998, no segundo governo do prefeito Leonel Pavan.
Divulgação/SecturBC
  • A Igrejinha da Rua 2300 hoje denominada ‘Capela da Paz’  foi restaurada e incorporada à base do edifício Tour Chapelle Residencial, em 2012. A construtora responsável pela obra comprou o terreno, restaurou a estrutura de madeira original da década de 1950 e construiu o edifício ao seu redor. O espaço continua sendo um patrimônio histórico e turístico, administrado pelo condomínio e pode ser agendado para celebrações, como casamentos e batizados.
  • Em julho de 2008 o prefeito Rubens Spernau sancionou a Lei Municipal 2865 que deu o nome oficial à Avenida Martin Luther. Ele atendeu a um pedido feito por lideranças luteranas, porque a igreja fica próxima, na Rua Indonésia, na subida do Cristo Luz.
  • Vários departamentos atuam na Igreja Luterana, além dos cultos dominicais e uma vez por mês aos sábados à noite: O Presbitério, conselho administrativo, que coordena as atividades da comunidade; Três grupos femininos de OASE (Pioneiras, Rebeca e Catarina); Grupo masculino Legião Evangélica (Lelut); Coral Vozes do Mar; Grupo Vocal Kairós; Juventude Evangélica; Culto Infantil e Ensino Confirmatório.

Depoimentos de lideranças da Comunidade Luterana e de lideranças de Balneário Camboriú. Acompanhe:

70 Anos da Comunidade Luterana em Balneário Camboriú:  “Até aqui nos trouxe Deus…”

Arquivo Pessoal

Eloir Carlos Ponath – Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil Comunidade em Balneário Camboriú Igreja Martin Luther

O dia 12 de junho é uma data especial, que precisa ser lembrada com muito carinho e gratidão a Deus. 

Nesta data, em 1956, iniciava-se uma história de muita dedicação e fé. Foi a partir da iniciativa de mulheres que foram dados os primeiros passos da Comunidade Luterana aqui em Balneário Camboriú. Naquele dia, iniciaram o trabalho da OASE (Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas), realizando o primeiro Culto da IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) na Praia de Camboriú. Data que marcou oficialmente tanto o início do trabalho da OASE quanto o início da Comunidade.

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Hoje, a Comunidade é grande e muito participativa, com diversas atividades, três grupos da OASE, grupo de homens da LELUT (Legião Evangélica Luterana), grupo de jovens, culto infantil, ensino confirmatório, dois corais, grupo de instrumentistas, grupo de ação social, grupo do bazar solidário, grupo de recepcionistas, um grande grupo de lideranças que compõem o Presbitério e diversos eventos ao longo de cada ano, como o Jantar a Italiana, o Chá da Primavera e o Almoço Festivo de maio.

Fazer parte desta história é uma honra e uma alegria. É um trabalho gratificante ver o quanto a Comunidade é envolvida em todos os espaços para vivenciar o Evangelho e testemunhar de maneira solidária e responsável a fé cristã.

Ser Igreja neste contexto urbano e de grande atividade turística é sempre um desafio. Mas manter viva a história e celebrar estes 70 anos de caminhada de fé possibilita ver o quanto é importante proporcionar às pessoas um espaço de fé baseado na perseverança dos que nos antecederam, seguindo firmes nos princípios evangélicos sob a confissão luterana, levando com responsabilidade e coerência os ensinamentos da Palavra de Deus. 

A Comunidade Luterana em Balneário Camboriú continua enfrentando os desafios cotidianos sempre focada na alegria da fé em Cristo e na gratidão pelas bênçãos de Deus.

Que a celebração destes 70 anos seja impulso para a Comunidade continuar trilhando seus caminhos, olhando com gratidão sua história e seu legado, pois “até aqui nos trouxe Deus”. Que ele continue à frente nos guiando e nos fortalecendo. Amém”.


“Celebrar o aniversário desta comunidade não é apenas lembrar do passado, mas renovar o compromisso com o presente”

Foto: Dalys Geiser

Edson de Souza, presidente da Comunidade Luterana

“Celebramos neste 12 de junho, o aniversário de 70 anos da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em Balneário Camboriú. É uma linda história de comunidade, escrita por muitas mãos, mas sempre guiada por Deus. Estar na presidência desta comunidade luterana é, acima de tudo, um privilégio e um aprendizado diário. 

Após estes anos todos, quando olho para o nosso templo, para os nossos espaços e grupos, vejo uma igreja viva. Esta não é apenas uma igreja; esta é a nossa casa espiritual, o lugar onde compartilhamos nossas dores, celebramos nossas alegrias e crescemos juntos na fé.

Celebrar o aniversário de 70 anos desta comunidade, não é apenas lembrar do passado, mas renovar o nosso compromisso com o presente. Agradeço imensamente a cada membro, voluntário, doador, colaborador e ao pastor Eloir pelo zelo e dedicação diários em prol da comunidade. Que venham os próximos 70 anos”.


“Dá pra dizer que o crescimento desta igreja confunde-se com a história da cidade”

Arquivo Pessoal

Valdim Utech – Pastor da Comunidade Luterana de 1991 a 2020

“É tempo de parabenizar com alegria a Comunidade Luterana (IECLB) de Balneário Camboriú pelos seus 70 anos de existência. 

Dá pra dizer que o crescimento desta igreja confunde-se com a história da cidade. 

É certo que tive um grande privilégio, como pastor, de servir, guiar e caminhar com esta comunidade por 29 anos. Sempre me alegrei muito com as crianças, também adultos, que batizei, bem como os casamentos. 

Neste tempo todo tivemos que nos despedir de muitas pessoas queridas. O que trazia tristeza mas também era tempo de proclamar a esperança na ressurreição. 

Tantos cultos celebrados e as orações com a comunidade e os abraços partilhados estão bem guardados no meu coração. Participar na vida de tantas famílias que me acolheram com tanto carinho e generosidade, diria que isso não tem preço. Que nosso bom Deus vos guarde bem e continue abençoando na fé, esperança e amor. A caminhada continua, o horizonte é largo, mas o caminho é estreito. Por isso é tão importante o cuidado de uns para com os outros. Continuem sendo luz nesta cidade e na vida dos que mais necessitam da vossa presença”.


“A construção era necessária, porque o espaço na igrejinha da Rua 2300 tornou-se pequeno”

Foto: Dalys Geiser

Mário Sieverdt – ex-presidente da Comunidade Luterana e um dos líderes da construção do templo

Moro em Balneário Camboriú desde novembro de 1966, no início participava como membro da Comunidade Luterana, mas alguns anos depois me envolvi na diretoria, especialmente ao longo da construção da igreja, foram 10 anos envolvido, porque na época a comunidade era pequena, éramos cinco pessoas na direção, se revezando, que viajavam atrás de materiais para construção e tudo que era necessário, posso dizer que 80% do nosso dia era dedicado para a construção.

O responsável pela obra era Ralf  Heinig, que também era mestre de obras da Construtora Schultz, ele que formou sua equipe de carpinteiros. Maquinário completo foi adquirido e colocado dentro da igreja…tudo era muito grande, quem olha hoje não imagina…as madeiras enormes mergulhadas em tanques de jimo cupim e de óleo diesel para garantir a imunidade delas (…). 

A construção era necessária, porque o espaço na igrejinha da Rua 2300 tornou-se pequeno, tinha pessoas assistindo o culto do lado de fora das janelas. O salão ao lado da igrejinha também ficou pequeno, para as festas que fazíamos todos os anos.

Antes de começar a obra já fazíamos campanhas, bingo com pastel toda sexta-feira, festas, chegamos a sortear dois carros e foi assim que reunimos recursos para custear a obra. 

Isso tudo para mim é muito gratificante, porque conseguimos fazer esta obra grandiosa em todos os sentidos e Deus estava sempre conosco, nos orientou, nos deu força e tudo deu certo. Hoje temos essa casa de Deus, linda, elogiada por todos que a conhecem e com uma acústica maravilhosa”.


“Um dos momentos mais marcantes dessa trajetória ocorreu em 2002, quando foi inaugurado o atual templo”

Divulgação

Egon Neuwirth – Presidente da Comunidade (maio de 1998 a junho de 2002)

“Fui um dos membros mais antigos da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Balneário Camboriú. Minha história na comunidade começou em 1964, quando a Igreja Luterana de Balneário Camboriú ainda estava vinculada à Paróquia de Itajaí. 

Naquela época, a cidade era muito diferente da que conhecemos hoje, e a comunidade luterana era formada por um pequeno grupo de famílias que se reuniam em uma modesta igreja localizada na Rua 2.300. Hoje a antiga igrejinha encontra-se incorporada ao edifício Tour Chapelle Residencial. 

Ainda jovem, eu já participava ativamente da vida comunitária. Ao lado de minhas irmãs, integrei  um quarteto vocal. Éramos bem novinhos, tínhamos entre 12 e 15 anos e trazíamos  uma tradição musical herdada de Witmarsum, local de origem de muitas famílias que ajudaram a formar a comunidade luterana na região.

Ao longo dos anos, acompanhamos  de perto o crescimento da igreja e da cidade. Entre nossas lembranças está a participação na construção das calçadas da antiga capela, localizada onde hoje se encontra o edifício que preserva a histórica Capela da Paz incorporada à sua estrutura arquitetônica.

Um dos momentos mais marcantes dessa trajetória ocorreu em 2002, quando foi inaugurado o atual templo da Comunidade Luterana de Balneário Camboriú. Na época, exercia a presidência da igreja, cargo que ocupei por mandatos.

Durante esse período, diversas transformações foram realizadas. Além da construção e inauguração do novo templo, a comunidade ampliou suas estruturas físicas e fortaleceu sua atuação religiosa e social. O crescimento foi significativo. De um grupo que contava com pouco mais de 200 membros, a comunidade passou a reunir mais de mil pessoas batizadas, consolidando-se como uma importante referência de fé na cidade.

Mesmo após deixar a presidência, nossa família continuou presente e participativa. Atualmente, integro o presbitério e sigo colaborando nas festividades da igreja, especialmente na organização dos tradicionais eventos comunitários. 

Em uma Balneário Camboriú que se reinventou inúmeras vezes ao longo dos anos, histórias como a da comunidade Luterana  revelam a importância daqueles que permaneceram, ajudando a construir não apenas edifícios e instituições, mas também laços de pertencimento, memória e identidade comunitária”.


“Uma caminhada de fé e crescimento comunitário”

Arquivo Pessoal

Dalys Marlene Musskopf Geiser, foi secretária executiva e atualmente preside a OASE Catarina

“Ao longo de 21 anos como Secretária Executiva da Igreja Evangélica de Confissão Luterana em Balneário Camboriú, tive o privilégio de acompanhar muito de perto o crescimento e a transformação da nossa comunidade. Foram anos marcados por conquistas importantes, como a construção e inauguração do templo em 2002, um momento que simbolizou não apenas uma ampliação da estrutura física, mas também o fortalecimento da vida comunitária e da fé de seus membros.

Mais do que testemunhar esse crescimento, foi gratificante fazer parte dele, acolhendo pessoas que procuravam a igreja em diferentes momentos de suas vidas. 

A rotina de uma comunidade de fé é construída por encontros, celebrações, desafios e despedidas. Estar presente nessas diferentes circunstâncias, oferecendo atenção e acolhimento, sempre foi algo muito significativo para mim.

Também tive a alegria de participar ativamente de diversos ministérios, especialmente do Culto Infantil e da Juventude Evangélica, acompanhando gerações de crianças e jovens em sua caminhada de fé. Muitas delas cresceram dentro da comunidade e hoje seguem construindo sua própria história, o que traz uma satisfação difícil de descrever.

O que mais me emociona ao olhar para essa trajetória é perceber como a comunidade cresceu e se fortaleceu ao longo dos anos. Ver cada vez mais pessoas se unindo, desenvolvendo sua fé, compartilhando dons e construindo juntas uma comunidade acolhedora e viva é motivo de profunda gratidão.

A igreja tornou-se uma extensão do meu lar, e acompanhar sua caminhada foi uma experiência enriquecedora. Levo comigo a alegria de ter testemunhado tantos momentos especiais e a certeza de que o verdadeiro crescimento de uma comunidade acontece quando pessoas se unem em fé, esperança e amor”.


“É inspirador saber que tudo começou pela iniciativa de uma mulher”

Foto: Biel Carboni

Juliana Pavan, prefeita de Balneário Camboriú

“Como prefeita de Balneário Camboriú e como mulher, considero muito especial celebrar a história da comunidade luterana, que faz parte da trajetória da nossa cidade.

É inspirador saber que tudo começou pela iniciativa de uma mulher, Berty Jensen, que com coragem e determinação reuniu famílias e ajudou a construir uma comunidade de fé quando ainda éramos Praia de Camboriú. Sua história representa a força das mulheres na construção de legados que atravessam gerações.

Ao longo das décadas, a Igreja Luterana contribuiu para a formação dos valores e do espírito acolhedor que fazem parte da identidade de Balneário Camboriú. Por isso, seu legado merece nosso reconhecimento e gratidão”.


“As mulheres da OASE foram o motor humano que tornou este crescimento possível”

Arquivo Pessoal

Anneliese Ehlert Erzinger, presidente da OASE Pioneiras

“As sete décadas de serviço ininterrupto dentro da comunidade demonstram enraizamento profundo e perseverança das mulheres que mantiveram o grupo vivo ao longo das gerações, estando sempre presente na comunidade com serviços, levando  seu testemunho a quem precisa de uma palavra amiga, sendo um ombro amigo na alegria e na tristeza.

A construção da primeira igreja na rua 2300 foi muito importante para o crescimento do município, considerando que as primeiras famílias que vieram do alto vale de SC e se estabeleceram em Balneário Camboriú, principalmente no comércio, eram luteranas. 

As mulheres da OASE foram o motor humano que tornou este crescimento possível. 

Em resumo, especialmente o grupo Pioneiras não é apenas uma organização religiosa de mulheres. É parte constitutiva da história de Balneário Camboriú, tendo sido literalmente o ponto de partida da vida comunitária evangélica na cidade, e mantém até hoje papel central no serviço, na memória e no fortalecimento de laços comunitários.

Como presidente do grupo de OASE Pioneiras convido você leitor do jornal Página 3 para vir e participar de um dos grupos da OASE, sem compromisso. Contato: (47) 3367-8065 ou (47) 99964-0056”.


“Quando apareceram comentários sobre vender a área onde estava a igrejinha fomos ao vereador Santa pedir o tombamento”

Arquivo Pessoal

Ewerton Wegner, empresário e oceanógrafo

“Sobre a Igrejinha Luterana da 2300 tenho muitas recordações, éramos praticamente vizinhos, inicialmente morávamos na Rua 2300 e depois na Avenida Brasil a uma quadra de distância.

Lembro dos encontros que aconteciam aos domingos de manhã ou em outras datas comemorativas quando meus avós e meus pais se reuniam com amigos na entrada da igreja. Lembro do sino tocando, avisando do culto ou outra comunicação, como no caso de falecimentos de membros da comunidade. 

Teve um episódio interessante que aconteceu quando em um dia o sino toca e logo interrompe as batidas de forma diferente do normal, alguém próximo da igreja que escutava as batidas achou estranho e foi verificar, quando subiu na parte superior da igreja de onde se badalava o sino encontrou o senhor que estava tocando o sino desmaiado, caído no chão. Aconteceu que o badalo do sino se desprendeu e caiu atingindo o tocador do sino. Nada de muito grave aconteceu, apenas um susto.

Com a construção da nova igreja na rua Indonésia, a pequena igreja da 2300 foi ficando com pouco uso, apenas  eventos como batizados, velórios, cultos comemorativos ainda aconteciam lá. Quando apareceram comentários da possibilidade de venda da área onde se encontra a igreja para uma construtora surgiu uma preocupação com a conservação daquele patrimônio. 

Importante no aspecto histórico, cultural e até arquitetônico aquela pequena construção guarda marcas do início da cidade. Com essa intenção, por volta do ano de 1997, fomos ao vereador Antônio Santa, pedir o tombamento da igrejinha. Ele prontamente atendeu a solicitação e em 1998 aconteceu o tombamento com a definitiva proteção do patrimônio.  Atualmente a igrejinha é um templo ecumênico e encontra-se no térreo do prédio Tour Chapelle Residencial, da Construtora Ciaplan.


“Tudo só tem valor quando é feito com o coração”

Divulgação

Ilona Kretz Feuerschuette – Primeira mulher (e única até hoje) a ocupar a presidência da Comunidade Luterana em 2010

“Para mim foi uma experiência muito boa, gostei de ter sido presidente e de ter feito tudo que estava ao meu alcance, principalmente estar junto com as pessoas, agradar, tentar resolver os desafios que se apresentavam, isso é um predicado da gente e tudo isso só tem valor quando é feito com o coração”.


“As mulheres ajudaram até na construção da Igrejinha da 2300”

Arquivo/JP3

Carmen Wegner, fundadora da Panificadora Tuti´s Pão em 1972

“Quando cheguei na cidade, em 1963, um ano antes da emancipação de Balneário Camboriú, a Igrejinha da Rua 2300 era bem nova e a minha sogra que já morava na praia, contava muito sobre a construção da igrejinha, porque ela e as demais mulheres ajudaram na construção. Por ex: elas jogavam telhas, tijolos para os homens que estavam no alto…(risos). Lembro que os cultos eram na casa de Dona Berty, meus filhos estudaram catecismo, tipo ensino confirmatório com Dona Berty. 

Depois veio o episódio do tombamento, lembro que o meu filho Ewerton batalhou muito para isso, junto com o vereador Antônio Manoel Soares Santa (falecido). 

A igrejinha era num terreno da comunidade de Curitiba e ali tinha também um salão de reuniões e uma casa para hospedar quando vinha alguém daquela comunidade veranear na praia. 

Depois do tombamento anunciado, um dia três senhoras da comunidade Curitiba, vieram enfrentar o Ewerton dentro da padaria, estavam bravas, xingaram e diziam que ele não podia ter feito aquilo etc”


“Todas as coisas que vem para somar na comunidade, sempre devem lembradas”

Divulgação/PMBC

Rubens Spernau, prefeito de Balneário Camboriú de 2002 e 2008

“Quando iniciamos a construção da avenida que na época não tinha um nome pré-definido, de fato ela chegou muito próxima da sede da igreja luterana, que fica na Rua Indonésia, que ficava meio que escondida e a partir do término deste avenida ela se tornou mais visível, mais exposta para toda comunidade. 

No início das obras de construção da avenida, no período em que eu era prefeito, membros da comunidade luterana, o pastor, a direção da igreja, me procuraram e sugeriram que a gente desse o nome de Martin Luther para esta avenida. Avaliei, achei prudente, interessante e de fato, aceitamos a sugestão que depois foi ratificada na Câmara de Vereadores, através de uma lei municipal e que tornou-se hoje uma importante avenida e que tem esta pequena história que relato. Acho que todas as igrejas, todas as coisas que vem para somar na comunidade, sempre devem ser ressaltadas, destacadas e sempre que possível, lembradas. Acho que foi isso que acabamos fazendo através desta sugestão e fico feliz por isso, acho que foi uma boa escolha, que reverencia um pouco da importância da comunidade luterana no contexto da nossa cidade, como são as demais igrejas também”.


“Olhar para trás e saber que deixamos nossas pegadas na história desta comunidade é uma bênção”

Ronaldo com a esposa Verônica (Arquivo Pessoal)

Ronaldo Wolter, ex-presidente e fundador do Coral Vozes do Mar

“Uma história de fé, dedicação e louvor em Balneário Camboriú. Nossa caminhada começou em 1983, ano em que chegamos e fomos acolhidos pela comunidade da Igrejinha da Rua 2300. Desde o primeiro momento, decidimos doar nossos corações e nossos esforços para o crescimento dessa obra.

Participamos ativamente de todas as atividades da comunidade. 

Com muito carinho e trabalho, colocamos as mãos na massa fazendo as tradicionais cucas, ajudando a erguer a nossa casa paroquial e a nossa querida igreja. 

Cada receita trazia consigo o sonho de ver aquele espaço crescer.

Além das construções físicas, ajudamos a erguer pontes através da música. Ao lado do pastor João, fomos os fundadores do Coral Vozes do Mar. Ver esse coral nascer e entoar os primeiros louvores é, até hoje, o nosso maior orgulho. Olhar para trás e saber que deixamos nossas pegadas e nossas vozes na história desta comunidade é uma bênção que guardamos eternamente no coração”.


“Tenho acompanhado o crescimento da Comunidade, ajudando a superar desafios”

Ademilde Prochnow, vice-coordenadora dos Grupos de Oase

Participo da Comunidade Luterana de BC desde o ano 2000, e na qual tenho desempenhado diversas funções, tais como Presidente do Grupo de OASE, Vice Presidente da Comunidade e atualmente sou Vice Coordenadora do Grupos de OASE. Tenho acompanhado o crescimento da Comunidade neste período, ajudando  a superar os desafios e as dificuldades diárias. É com grande satisfação  e orgulho que participo da comemoração de 70 anos de fundação da Comunidade”.


“Que essa caminhada continue inspirando e fortalecendo nossa cidade por muitas gerações”

Divulgação

Nilson Probst, vice-prefeito de Balneário Camboriú

“Falar dos 70 anos da Comunidade Luterana é falar também de uma parte importante da história de Balneário Camboriú.

Antes mesmo da emancipação do município, a comunidade já estava presente, ajudando a construir laços, fortalecer valores e acolher famílias que participaram do desenvolvimento da nossa cidade. 

Ao longo dessas sete décadas, manteve viva sua missão de fé, serviço e união, reunindo milhares de pessoas em atividades que envolvem diferentes gerações.

Ao celebrarmos essa trajetória, reconhecemos não apenas a importância religiosa da Comunidade Luterana, mas também sua contribuição social, cultural e humana para Balneário Camboriú. 

Seu templo, que se tornou um marco da cidade e patrimônio histórico, simboliza uma história construída com dedicação, pertencimento e compromisso com o próximo.

Parabenizo todos os membros da comunidade por esses 70 anos de legado. Que essa caminhada continue inspirando e fortalecendo nossa cidade por muitas gerações”.


“Lembro das reuniões das Pioneiras na Rua 2300, onde toda esta história começou”

Arquivo Pessoal

Marlize Oelke, presidente da OASE Rebeca

“Minha presença na Comunidade Luterana começou na OASE Pioneiras, na Rua 2300. Mas participei pouco, por causa do serviço, não havia compatibilidade de horários. Naquela época lembro das reuniões e de algumas mulheres como a Leoni, a Dorly, a Dulce e outras, foi ali que toda esta história começou.

Sou membro da Igreja Luterana aqui em Balneário Camboriú há muitos anos, sempre participando das atividades, dos eventos sociais, como o Chá da Primavera que as Oases fazem em setembro, dos jantares da Lelut, dos almoços e das feiras de Cucas.

Que Deus dê forças e ânimo para esta comunidade continuar sempre firme e forte como parte importante da vida de nossa cidade, como já está demonstrado nestas sete décadas de sua existência”.


“Sob meu ponto de vista é a instituição maior e mais sólida de Balneário  Camboriú

Arquivo Pessoal 

Hélvion Ribeiro, presidente do Movimento Voluntário pela Universidade Pública e Gratuita (Movup)

A Comunidade  Luterana Martin Luther, sob meu ponto de vista é a instituição maior e mais sólida de Balneário  Camboriú. Ali pessoas do povo, comerciantes, construtores,  profissionais liberais, lideranças regionais, famílias, reúnem-se para as atividades religiosas, sociais e culturais. 

É gente vinda de centenas de lugares que se irmanam.

Há alguns anos tive o privilégio de coordenar o Movimento – MOVUP – para trazer Universidade Gratuíta para Balneário Camboriú e região (Udesc). Apesar de muito esforço empreendido, o Movimento não saía do chão, não decolar. 

Então procurei o Pastor Valdim Utech, grande líder daquela comunidade e pedi ajuda.

Sem rodeios ou firula ele respondeu:

– Vamos trabalhar nisto sim. Está dentro da filosofia da Igreja. Vou constituir um grupo qualificado e vamos trabalhar nesta direção.  

Eu sabia que o Movimento só teria a participação dos líderes  políticos se tivesse uma força comunitária expressiva.

Foi o que a Comunidade Luterana forneceu. O Movimento foi extremamente fortalecido e deslanchou.

Sou eternamente grato ao povo da Comunidade Luterana e sempre preocupou-me que a força da sua contribuição fosse  devidamente reconhecida. Manifestei isto ao Valdim, ele disse: 

– Hélvion, você  coloca um filho no mundo e deixa andar. Que DEUS continue abençoando esta Igreja e sua Comunidade.


“Ao longo dessas sete décadas, a Comunidade Luterana construiu muito mais do que um espaço religioso”

Arquivo Pessoal

Ciça Mueller, vereadora

“Os 70 anos da Comunidade Luterana representam uma história de fé, acolhimento e compromisso com o desenvolvimento humano e social de Balneário Camboriú. 

Ao longo dessas sete décadas, a comunidade construiu muito mais do que um espaço religioso; tornou-se referência de solidariedade, união e serviço ao próximo, contribuindo para fortalecer os valores que ajudam a construir uma cidade mais justa e fraterna.

Foi justamente por reconhecer essa trajetória e a relevante atuação da Comunidade Luterana junto à população que tivemos a honra de propor, na Câmara de Vereadores, no ano passado, uma homenagem em reconhecimento aos serviços prestados ao nosso município. 

Trata-se de uma instituição que faz parte da história de Balneário Camboriú e que, por gerações, tem deixado um legado de dedicação, cuidado com as pessoas e participação ativa na vida comunitária.

Parabenizo todos os membros, lideranças e voluntários que ajudaram a escrever essa história. Que estes 70 anos sejam celebrados com orgulho e que a Comunidade Luterana continue sendo uma importante parceira na construção de uma cidade cada vez melhor para todos”.


“A Igreja que a Comunidade Luterana construiu”

Renato e Heloísa (Arquivo Pessoal)

Heloísa Figueiredo Moura, arquiteta

“Nas décadas de 1960, 70 e 80, um grupo silencioso e coeso foi se estabelecendo em Balneário Camboriú, empresários da hotelaria e do comércio que tinham um sonho de realizar um projeto audacioso de uma nova Igreja Evangélica de Confissão Luterana em nossa cidade. Eram dotados de vínculo comunitário forte, participavam ativamente de nossa comunidade e comungavam do mesmo pensamento onde a religião era muito mais que um rito dominical: era identidade. O terreno onde se construiu a igreja já estava em nome da comunidade, faltava o projeto. 

Me lembro bem de como aconteceu o início do projeto, como diretora de obras do governo Harold Schultz, presenciei a ideia fundamental do projeto e posteriormente o empenho do arquiteto José Renato Moura (in memoriam), já como noiva e esposa, na realização do desenvolvimento de todo o projeto e o detalhamento até sua execução. 

Após a reunião com o prefeito já mencionado, o secretário de obras da época, o arquiteto Cláudio Horbe (in memoriam) decidiram que o projeto seria doado à comunidade sem custas.  Foi então que entrou em cena o arquiteto José Renato Canquirini Moura. O arquiteto Claudio Horbe e o arquiteto Renato Moura, como era mais conhecido, eram conterrâneos de Porto Alegre, onde lá moravam próximos e se respeitavam como bons profissionais que eram, e em 1983, o arquiteto Renato Moura, profissional radicado já algum tempo em nossa cidade foi convidado pelo secretário para a elaboração do projeto da Igreja Evangélica. 

Com o aceite deste arquiteto, neste mesmo momento discutiram a forma como a igreja seria projetada com relação a forma, inspirada em uma igreja evangélica construída na Alemanha. A partir deste primeiro contato assume a responsabilidade de realizar o sonho da Comunidade Evangélica Luterana de Balneário Camboriú na execução deste maravilhoso projeto, o arquiteto Renato Moura, aprovado inicialmente em 1983. 

Sendo que, em 1988, depois de vários anos de detalhamento e alinhamentos com a comissão responsável pela administração da obra da comunidade Luterana, o arquiteto aprova definitivamente o projeto executivo da igreja. 

O projeto que emergiu desse processo era rico em intenções técnicas voltadas à elevação espiritual dos futuros usuários no segundo piso. A altura da nave principal, sua estrutura de cobertura e forros executados inteiramente em madeira, diminuindo a reverberação e melhorando a sonoridade nas celebrações dos cultos, garantindo que as vozes do coral e a palavra do pastor chegassem com clareza a cada banco da nave. 

A iluminação artificial indireta, criou um ambiente mais aconchegante. A entrada da luz natural, direta da fachada principal, pelos vitrais, ilumina o altar dando ênfase às atividades nas celebrações diurnas da igreja. 

O mezanino tem como uso principal para os corais e para o órgão como é de praxe em várias igrejas Luteranas. 

O edifício foi concebido também como lugar de encontro e de vida comunitária, no piso inferior um salão generoso para reuniões e eventos informais com a comunidade luterana como também aberto a pessoas de fora da comunidade, em momentos festivos. 

Na entrada do templo, o arquiteto Renato criou uma área coberta e aberta, foi pensada especialmente para os momentos depois do culto e das atividades festivas, um lugar onde as famílias param, conversam e retomam laços. 

Na frente da igreja foi executada uma passagem para veículos permitindo o embarque e desembarque. Anos depois o arquiteto Renato Moura, preocupado com a segurança e locomoção dos usuários, insiste em criar um acesso direto para a nave superior da igreja, através de um acesso veicular com um balão de retorno para as pessoas idosas ou com restrições de locomoção. 

O acesso foi feito através de uma passarela para pedestres direta ao piso superior da igreja. Embora haja um elevador no pavimento térreo, para o arquiteto essa alteração faria com que essa saída secundária dar-se-ia propiciando mais segurança e facilidade aos usuários.  

Neste momento, a relação com os integrantes da comissão que viria a executar todo o projeto fez com que o arquiteto Renato Moura se convertesse ao protestantismo e passou também a atuar como membro da igreja luterana até a sua morte em 2007. 

Por minha vez, como arquiteta e participante da comunidade luterana de Balneário Camboriú, fiz o projeto dos mobiliários litúrgicos central do templo, como a mesa principal (altar) o púlpito e a mesa batismal”.  


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