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Balneário Camboriú

Estrada da Rainha: 18 acidentes somente neste ano. Situação serve de alerta e exige providências

Local passará por reformas, além da reurbanização da praia central que contemplará novidades para o Pontal Norte

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Somente neste ano foram registrados na Estrada da Rainha 18 acidentes de trânsito, segundo dados da Polícia Militar. O número surpreende porque em 2020 inteiro foram 26 acidentes.

O último acidente ocorrido no local foi no dia 15 envolvendo o bombeiro Jefferson Fonseca Lopes, 29 anos, que segue internado em estado grave. A morte dele chegou a ser anunciada pelo Corpo de Bombeiros e veículos de comunicação, mas ele segue lutando pela vida. Bombeiros e guarda-vidas de Balneário Camboriú realizaram uma oração na praia central na sexta-feira (25) pedindo pela recuperação de Lopes.

Bombeiros de Balneário Camboriú em oração …
… por Lopes nesta sexta-feira, na Praia Central (Divulgação/CB)

O acidente grave pelo qual o bombeiro passou na Estrada da Rainha reacende a necessidade de ciclistas, pedestres e motoristas terem mais cuidado nesta via.

O Página 3 ouviu autoridades no assunto, que opinaram sobre a importância de haver mais fiscalização e até mesmo campanhas incentivando o uso de capacete e cuidado com a velocidade.

Relembre 

Jefferson Lopes, que trabalha como bombeiro em Rio do Sul (mas já havia servido no batalhão de Balneário Camboriú) sofreu traumatismo craniano. Ele colidiu sua bicicleta contra uma scooter, por volta de 18h15 de terça-feira. Lopes caiu na via e feriu a cabeça, fez traumatismo craniano. Ele segue internado no Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, e, segundo informações da família, está recebendo cuidados de fisioterapia (motora e respiratória), não teve agravamento do quadro e, apesar da situação muito delicada e grave, as funções cerebrais estão respondendo (descartando a morte cerebral, como chegou a ser anunciado).

OPINIÕES

Projeto arquitetônico:
Estrada da Rainha terá novidades 

Osmar de Souza Nunes (Arquivo Pessoal)

Nesta semana, foi divulgado pelo jornalista Bola Teixeira o projeto do que seria a reforma prevista para a Estrada da Rainha. O secretário de Obras, Osmar de Souza Nunes Filho (Mazoca), comentou o assunto

“É um pré-estudo para podermos ver como iria ficar, seria o final da ciclovia (aos pés do morro). Agora será feito o novo circuito. Vamos em etapas, em razão do espaço. Não foi aprovado (o projeto das imagens) pela forma da ciclovia. Sempre é feito com discussões entre quem utiliza e a administração. Estamos em continuidade da obra, a previsão é de que até fim deste ano esteja pronto, mas estão tendo ajustes para ficar de comum acordo de todos, em razão da ciclovia. 

(Reprodução)
(Reprodução)

Sobre os acidentes recentes, estamos fazendo um estudo, porque nos preocupamos principalmente com a questão da velocidade, é um problema sério. Vemos também que algumas pessoas resistem em cumprir ordens, como os equipamentos elétricos, que não podem circular pela ciclovia, a exemplo dessa scooter envolvida no acidente. Fiquei sabendo que esses ciclomotores são importados como brinquedos, e por isso não tem documentação, e as pessoas nem usam capacete e insistem em andar pela ciclovia, e isso não pode. Muitos ciclistas também precisam tomar mais cuidado, usar capacete e seguir regras de trânsito, como não andar na contramão e respeitar o sinal vermelho. O trânsito tem normas. Muitas pessoas não obedecem, principalmente na Estrada da Rainha, e ainda circulam em velocidade imensa. Precisa haver mais consciência e cumprimento das leis de trânsito”.

(Divulgação/PMBC)

“Não adianta colocar o mobiliário se um ciclista despencar do alto do morro em alta velocidade” 

Henrique Wendhausen (Arquivo Pessoal)

Henrique Wendhausen, ciclista e representante da ACBC – Associação de Ciclismo de Balneário Camboriú e Camboriú

“Tivemos uma reunião sobre o assunto há duas semanas, falamos sobre a questão do mobiliário que foi feito, que não está totalmente errado, mas não deu certo porque é focado em quem tem experiência, e a maioria das pessoas que pedalam em Balneário o fazem por lazer. 

Há um projeto antigo, mas vamos fazer um novo para tentar solucionar essa questão. Tivemos esse acidente grave recentemente na Rainha e não podemos deixar que essas situações se repitam. Há questão de bom senso, como a necessidade de dirigir na defensiva, principalmente os ciclistas, já que somos a parte mais frágil, cuidando com a velocidade. Na hora da descida a ciclovia ‘se estreita’, eu mesmo prefiro descer pela via, porque acaba sendo mais seguro por conta da velocidade que pega. Vale lembrar que scooters não podem estar na ciclovia, e falta o poder público fiscalizar mais. Há placas proibindo, mas não fiscalizam e as pessoas seguem andando por isso. Tem scooters que parecem motos mesmo, aquelas grandonas pegam 60km/h, e na ciclovia a velocidade máxima é de 20km/h, então falta educação e bom senso. O capacete é um equipamento obrigatório, ele gera uma proteção grande, mas não é ele que vai te proteger no enfrentamento contra o automóvel, você precisa se cuidar. Não adianta colocar o mobiliário se um ciclista despencar do alto do morro em alta velocidade. Tem que ter bom senso, o morro é perigoso, assim como também é andar acima da velocidade na ciclovia”. 


“Temos que fazer algo”  

‘Teco’ (foto Arquivo Pessoal)

Alessandro Kuehne ‘Teco’, vereador e ciclista

“Sou ciclista e represento eles na Câmara. Tenho recebido várias reclamações e inclusive fiz, há algum tempo, uma indicação ao Executivo, porque hoje temos veículos, ciclistas e pedestres que fazem suas corridinhas na ciclovia e é preciso cuidado por parte de todos. 

Vejo que hoje o que falta é advertência para todos os segmentos. Estive em conversa com as secretarias de Obras e Planejamento recentemente, levei o Henrique Wendhausen comigo, conversamos com o secretário Mazoca e também com o Rubens Spernau, falamos da atual situação, que não está de acordo com o Plano Nacional de Mobilidade. Eles ficaram de rever o projeto, porque do jeito que está, não está legal. 

O ponto principal é a questão da sinalização, precisa de algo mais visível alertando para a questão do perigo, porque realmente a descida e subida da Rainha são muito acentuadas, os ciclistas ultrapassam a velocidade permitida, porque descem na emoção, e acabam se machucando. Muitos não utilizam os equipamentos necessários, como o capacete. Muitas coisas aconteceram ali no morro recentemente e eu usei a tribuna para chamar a atenção. 

Temos que fazer algo. O público também não tem a consciência adequada. A minha ideia é que a gente não exclua ninguém da ciclofaixa, excluir não é o objetivo, temos cadeirantes que também a utilizam e é muito complexo dizer ‘esse pode, esse não pode’. 

Não tem nada em âmbito federal que proíba, temos que incluir os grupos e não excluir, mas é preciso atenção e utilizar os equipamentos de segurança. 

A sinalização também precisa ser melhorada, e caminhões acima de cinco toneladas poderiam deixar de trafegar na via, optando pela Osvaldo Reis, e também defendo a sinalização noturna, que também seria interessante ser colocada”. 


“Os acidentes se dão exatamente pela velocidade na descida” 

Ricieri Ribas Moraes, diretor-presidente do BC Trânsito

Ricieri (Arquivo Pessoal)

“O departamento de trânsito vem tentando monitorar os acidentes que acontecem na Rainha. Estamos planejando ações com as secretarias de Obras e Planejamento, com o objetivo de implantar algo para diminuir a velocidade nas descidas, já que os acidentes se dão exatamente pela velocidade na descida. Estamos definindo a velocidade do traçado para os dois lados. 

Mas há também a questão da falta de educação no trânsito, muitos condutores não respeitam as normas, como os ciclomotores, que não podem estar na ciclovia e insistem em andar por ela. Quando os Agentes de Trânsito flagram, já fazem a abordagem e remoção do equipamento, a comunidade também pode nos ajudar nisso, denunciando ao 153. 

Estamos formulando uma campanha, que deve ser lançada em breve, incentivando o uso de capacete e tratando das ciclovias, reforçando que os usuários mantenham a atenção, evitem o excesso de velocidade principalmente em locais de descidas acentuadas, como na Rainha. 

Aproveito para lembrar que a ciclovia não é local para treinamento de ciclistas e sim para deslocamento pela cidade”.

Por: Renata Rutes

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