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Balneário Camboriú
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‘Novembro Azul’: campanha precisa mostrar que a saúde do homem vai além do câncer de próstata

A Rede Nacional Saúde do Homem quer aproveitar as atenções voltadas ao movimento Novembro Azul, para esclarecer e explorar melhor a campanha, que considera meritória pela necessidade e importância na conscientização dos homens quando o assunto é prevenir o câncer de próstata.

“Mas não podemos cometer sucessivos equívocos ao darmos a conotação de que a saúde do homem se resume nessa glândula (próstata) localizada na parte baixa do abdômen”, diz o presidente da Rede Nacional, Dulcio Teodonir Lenzi Filho.

Dulcio e Antonio, dirigentes da Rede Nacional (Arquivo Pessoal)

Ele entende que a campanha é uma ótima oportunidade para se discutir outros assuntos que realmente terão impactos na saúde masculina, como prática de atividade física, os maus hábitos (uso de álcool e outras drogas, tabaco, etc), alimentação inadequada, a automedicação, os acidentes de trânsito por imprudência e a checagem dos níveis da pressão arterial e da glicemia e, principalmente, quando e porque se deve fazer o PSA.

“O preconceito é o resultado da desinformação, pois a maioria dos homens consideram-se invulneráveis, evitam ir ao médico, talvez por medo de descobrir uma doença grave e também porque são mais otimistas em relação à própria saúde. Numa escala de prioridade na prevenção e/ou tratamento, o homem opta por cuidar bem da sua família, do seu imóvel, do seu carro, mas, não se cuida, a maioria deles acha que estão bem ou muito bem de saúde”, justifica Dulcio.

Prevenção o ano todo

Na Campanha Novembro Azul, além de se explorar o debate e a orientação sobre todas as doenças do homem, deve-se  lembrar que a prevenção se faz o ano inteiro. 

As empresas e instituições públicas e privadas deveriam investir mais e melhor na saúde dos seus funcionários, acredita o presidente da Rede Nacional.

Campanhas o ano todo

Em 2019, os gastos per capita na área de saúde no Brasil estavam entre os mais baixos entre 44 países desenvolvidos e emergentes, incluídos em um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O investimento em prevenção evita tratamentos e até mesmo mortes precoces. A cada US$1 investido na política preventiva por habitante, o governo deixa de gastar até US$10, que poderia estar investindo na melhoria da qualidade da saúde pública no Brasil. 

A Rede Nacional preconiza a importância e a necessidade da informação e da conscientização, como poderosas aliadas para mudar este quadro desfavorável, executando projetos específicos para meninos em idade escolar, para jovens,  adultos e  idosos.

“Em parceria com as empresas e instituições públicas e privadas, precisamos planejar (e realizar) campanhas de impacto no ano inteiro; precisamos levar a orientação aos homens trabalhadores, à população que vive na periferia e na área rural e explicar que a prevenção é a única e a melhor alternativa de se evitar doenças e não perder o melhor da vida”, sugere Dulcio.

Homens&Mulheres

A estimativa de novos casos de câncer para os homens é muito desfavorável se comparada à das mulheres. 

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) nas doenças comuns entre homens e mulheres, com exceção das neoplasias malignas da pele não melanoma e do cólon e reto, nas demais doenças os homens superam todas as estatísticas negativas. 

Na traqueia, brônquio, pulmão, estômago e esôfago a diferença é altíssima, superando os 100% se comparados às mulheres. 

Nos dois tipos de cânceres mais conhecidos e divulgados, o da próstata supera o de mama feminina.

Outro fato relevante, divulgado pela Rede Nacional, que merece reflexão por parte dos homens e da sociedade, é que o não cuidar da saúde faz com que o homem viva até 10 anos a menos que a mulher e que a cada cinco óbitos de adultos três são de homens, apesar de toda a tecnologia e o avanço da medicina estar à sua disposição.


Câmara de Vereadores: palestra, iluminação e foto para alertar sobre a necessidade da prevenção

Antonio palestrando aos homens no Legislativo (foto Aldo Vicente)
Antônio Marcos (foto Arquivo pessoal)

A Rede Nacional Masculina de Combate ao Câncer realizou várias palestras em Santa Catarina neste mês e aproveitou para apresentar a ideia que defende, de ampliar a campanha Novembro Azul, para que o público masculino preste atenção na saúde como um todo e não se restrinja ao câncer de próstata.

Em Balneário Camboriú, o fundador e presidente emérito da Rede Masculina, Antônio Marcos de Souza palestrou para os servidores do Legislativo e abordou vários aspectos relacionados à saúde do homem.

“A minha missão é a de implantar a Rede Masculina de Combate ao Câncer em todas as unidades federativas. Hoje, temos a Estadual no Paraná,  com sede em Maringá e as municipais em São João Batista e Jaraguá do Sul.  Em implantação: Balneário Camboriú,  Araquari, Barra Velha, São Francisco do Sul, Içara-SC,  Orleans,  Blumenau, Imbituba, Guaramirim, Laguna e Chapecó. Está em fase de viabilização a Estadual do Rio Grande do Sul, no município de Caxias do Sul e a do estado de Pernambuco, que deverá ter sede em Caruaru”.

Vereador Teco: homenagem e alerta sobre prevenção (foto Aldo Vicente)

O evento no Legislativo foi organizado pelo Programa de Atenção ao Servidor e pela Procuradoria Especial da Mulher da Câmara, e contou com a presença de colaboradores da Casa e do vereador Alessandro Kuhne (Teco), que homenageou o fundador.

“Conheço ele desde 2015, quando nos reunimos algumas vezes na redação do Página3, para criar uma rede masculina e desde então venho acompanhando esse trabalho. Tem uma estatística que diz que a cada 38 minutos morre um homem no Brasil de câncer de próstata. Então essa homenagem foi um reconhecimento e ao mesmo tempo um alerta sobre a necessidade de prevenção”, disse o vereador.

Fachada e bigode azul

(foto Charles Camargo)

Durante o mês de novembro a Câmara de Vereadores iluminou sua fachada com a cor azul. 

No Mundial de Combate ao Câncer de Próstata (17/11), vereadores e servidores do Legislativo vestiram azul e formaram um bigode, símbolo da campanha, para registrar a imagem de alerta.


Médicos especialistas asseguram que a prevenção é o melhor remédio

Nesta reportagem sobre a campanha ‘Novembro Azul’, a reportagem convidou dois urologistas, especialistas no assunto, Gustavo de Oliveira Mota, coordenador do Serviço de Urologia do Hospital Municipal Ruth Cardoso e Diretor Técnico do UROCenter SC e Gilberto Almeida, médico cooperado da Unimed Litoral.

Eles falam sobre os cuidados da saúde do homem como um todo, dizem que a campanha é importante, porque é um alerta constante, apresentam o cenário do câncer de próstata no país, diagnóstico, tratamento e defendem que a prevenção é seguramente o melhor remédio. 

Acompanhe:

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OPINIÃO

“Envelhecer com saúde é essencial”

Dr.Gustavo de Oliveira Mota

(foto Arquivo Pessoal)

Anualmente os homens são relembrados pela Sociedade Brasileira de Urologia sobre os cuidados com a sua saúde através da campanha “Novembro Azul”.

Originado na Austrália em 2003 e capitaneado pelo rastreamento e diagnóstico precoces do câncer de próstata, o movimento “Novembro Azul” é uma oportunidade para que os homens busquem uma atenção integral à saúde. 

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). 

A grande maioria dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos de vida. 

Atualmente são diagnosticados cerca de 70 mil casos por ano desta doença no Brasil (fonte: INCA). 

Habitualmente assintomático, o câncer de próstata tem como fatores de risco a idade, a história familiar (parente direto – pai, irmão – com a doença), a raça negra e fatores ambientais (obesidade, dieta inadequada, sedentarismo).

Ainda muito mais comum que o câncer de próstata é o crescimento benigno deste órgão. A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma condição muito comum e afeta até 50% dos homens acima dos 60 anos de idade. 

É determinada por fatores hormonais e genéticos que

causam o crescimento da próstata (figura 1), levando à obstrução da bexiga e aos principais

sintomas: dificuldade para urinar, jato urinário fraco, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e a necessidade de urinar várias vezes à noite.

O Médico Urologista é o profissional mais qualificado para conduzir pacientes com as doenças prostáticas. A HPB é uma doença progressiva e pode resultar na falência da bexiga (bexiga fraca) com necessidade do uso de sondas para urinar, enquanto o câncer da próstata pode até matar.

Envelhecer com saúde é essencial. A abordagem e o tratamento precoces das doenças da próstata permitem aos homens garantir uma boa qualidade de vida na terceira idade. Para isso, a avaliação urológica precoce e rotineira deve ser encorajada. Os tratamentos destas condições têm evoluído anualmente, utilizando-se medicações mais modernas e desenvolvendo-se cirurgias cada vez menos invasivas. 

A perda de tempo e o atraso do diagnóstico podem acarretar alterações irreversíveis ao sistema uro-genital.

A SBU – Sociedade Brasileira de Urologia orienta que os homens assintomáticos e sem fatores de risco iniciem a sua rotina com o urologista aos 50 anos de idade. Contudo, pacientes que apresentem quaisquer sintomas devem se consultar em qualquer época da vida.

  • Dr. Gustavo de Oliveira Mota é urologista, Coordenador do Serviço de Urologia do Hospital Municipal Ruth Cardoso e Diretor Técnico do UROCenter SC. É Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia; Membro do EAU – European Association of Urology; Membro da ICS – International Continence Society.

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ENTREVISTA

“Não há como prevenir um câncer de próstata” 

Dr. Gilberto Almeida

(foto Arquivo Pessoal)

O urologista Gilberto Almeida é Mestre e Doutor em Uro-Oncologia, integrante do Departamento de Uro-Oncologia (SBU) e da Comissão de Título de Especialista em Urologia (SBU), Professor Adjunto de Urologia (Univali) e Clinical Fellowship em Uro-Oncologia (European Institute of Oncology/Milan) e médico cooperado da Unimed Litoral.

Nesta entrevista ele aborda as principais questões relacionadas ao câncer de próstata, desde o diagnóstico, fatores que podem causar a doença, tratamento e cuidados que todos os homens devem ter. Acompanhe:

P – O que é o Câncer de Próstata?

R – Câncer de próstata é uma neoplasia (crescimento descontrolado de células) que acomete a glândula prostática, exclusiva nos homens.

Quais os principais sintomas da doença?

Nos estágios iniciais da doença não há sintomas e é silenciosa, mas com o avançar da doença podem aparecer sintomas de dificuldade para urinar, sangramento na urina, dor no baixo ventre e até dores pelo corpo (dor óssea ocasionada por metástases ósseas)

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através da biópsia da próstata. Esse exame é solicitado pelo urologista após avaliar o paciente e ter uma suspeita de câncer de próstata através ou de um exame de toque retal ou/ou exame de sangue (PSA) e/ou ressonância da próstata alterados.

O exame de sangue é suficiente para o diagnóstico?

Não! O PSA não faz o diagnóstico de câncer de próstata e sim auxilia o urologista a suspeitar de um possível câncer e o ideal é que seja avaliado pelo especialista, pois o PSA não tem valor exato de referência para diagnóstico de câncer.

A partir de qual idade devo fazer os exames? Qual a periodicidade da realização de exames?

A recomendação para população é a partir dos 45 anos para quem tem fatores de risco (história familiar de câncer de próstata, raça negra e obesidade) e para a população em geral após os 50 anos. Mas não há problema algum caso o homem deseja começar a fazer sua avaliação prostática a partir dos 40 anos com seu urologista, pois nessa fase conseguimos já estabelecer risco de desenvolver um possível câncer de próstata. A periodicidade em geral é anual, mas o urologista muitas vezes pode encurtar ou prolongar esse período conforme o caso.

O câncer de próstata é considerado uma doença do idoso pois a maioria dos casos acometem os homens após a quinta década de vida e aumenta sua incidência com o avançar da idade. É muito raro esse câncer em homens abaixo dos 40 anos.

O Novembro Azul funciona?

Sim e muito! A população tem mais acesso às informações sobre o câncer de próstata através da mídia e da própria conversa entre amigos e familiares e o tabu do “exame de próstata” cada vez mais diminuiu.

Quais os fatores que podem aumentar a chance de desenvolver o câncer de próstata?

Herança genética, obesidade, história de câncer de mama e ovário com mutação específica para genes BRCA1-2.

Quais os fatores que auxiliam na prevenção do câncer de próstata?

A medida de maior relevância e impacto é o rastreamento (consulta periódica) com seu urologista, pois não há como prevenirmos um câncer de próstata e sim temos o objetivo de previr um diagnóstico de um tumor em estágio avançado onde as chances de cura diminuem muito.

Em caso de suspeita da doença, o que fazer?

Sempre na suspeita de um problema na próstata o recomendado é procurar o médico especialista, ou seja, o Urologista. Ele saberá o que fazer, qual exames solicitar e medidas a tomar.

Qual é o tratamento do câncer de próstata?

Isso vai depender do estágio da doença, se localizada somente na próstata ou localmente avançada (doença restrita à pelve) o tratamento vai incluir opções como vigilância ativa (monitorização rígida do tumor pelo urologista), radioterapia com ou sem hormonioterapia e/ou cirurgia (prostataectomia radical aberta, laparoscópica ou rob,ótica). Porém se a doença já estiver avançada com metástases (ossos, linfonodos, pulmão ou fígado) o tratamento será em geral hormonioterapia ou quimioterapia.

Como está a situação desde o diagnóstico até o tratamento do câncer de próstata na Unimed Litoral?

Atualmente a Unimed Litoral dispõe de todos os recursos necessários para o tratamento desse câncer, desde uma estrutura hospitalar de alta complexidade com equipamento para diagnóstico e tratamento de última geração, até médicos urologistas especialistas que podem conduzir perfeitamente o tratamento dos pacientes.


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