Pesquisa sobre Naming Rights na Administração Pública reforça protagonismo acadêmico do campus e tem como base modelo criado em Balneário Camboriú
O Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (CESFI), da Universidade do Estado de Santa Catarina, em Balneário Camboriú, alcançou um marco inédito em sua trajetória acadêmica com a conclusão do primeiro estágio pós-doutoral realizado no campus.
O pesquisador, professor, administrador e ex-vereador André Furlan Meirinho encerrou oficialmente a pesquisa desenvolvida entre outubro de 2025 e março de 2026 no Departamento de Governança Pública da instituição.
Sob supervisão do professor doutor Luiz Filipe Goldfeder Reinecke, o estudo teve como tema os Naming Rights na Administração Pública, assunto que vem ganhando relevância no Brasil como alternativa para ampliar receitas públicas sem aumentar a carga tributária para a população.
A pesquisa consolida um novo estágio de maturidade acadêmica para o CESFI e abre caminho para que outros pesquisadores realizem pós-doutorados na unidade de Balneário Camboriú.
“Estou muito contente por ter sido o primeiro pós-doutorado concluído aqui, na nossa casa, na UDESC de Balneário Camboriú. Fiz meu mestrado e doutorado pela UDESC, embora em Florianópolis, e agora tive a oportunidade de concluir essa etapa no campus local. Foi uma experiência muito positiva e que abre novas perspectivas para que outras pessoas também possam desenvolver seus pós-doutorados aqui”, destacou Meirinho.
Tema nasceu em Balneário Camboriú
O assunto pesquisado une teoria acadêmica e experiência prática. Meirinho foi o idealizador e responsável pelo desenvolvimento da primeira Lei de Naming Rights do Brasil, criada durante sua passagem pela Secretaria da Fazenda de Balneário Camboriú, entre 2014 e 2015.
A tese de doutorado sobre o tema, defendida em 2023, recebeu Menção Honrosa no Prêmio FIBE e resultou em publicações em revistas científicas de impacto internacional.
Segundo o pesquisador, o pós-doutorado permitiu aprofundar análises e identificar novas tendências sobre a utilização dos Naming Rights como ferramenta de gestão pública.
“O pós-doutorado tem essa autonomia para dar continuidade às pesquisas. Estou seguindo com as investigações sobre tendências, possibilidades e novos cenários para o tema. É uma área muito atual e que continua crescendo”, explicou.
Atualmente, mais de 120 legislações municipais e estaduais brasileiras utilizam modelos inspirados no desenvolvido a partir da experiência de Balneário Camboriú.
Três novos artigos em desenvolvimento
Como resultado do estágio pós-doutoral, três novos artigos científicos já foram submetidos para avaliação em revistas especializadas. Os trabalhos abordam diferentes perspectivas relacionadas aos Naming Rights: uma análise sobre a aplicação do modelo na América Latina, um estudo comparativo entre Brasil e Canadá e uma pesquisa que relaciona Place Branding e Naming Rights.
“São três perspectivas diferentes sobre o tema. Agora aguardamos o processo de avaliação e publicação para que os resultados possam ser divulgados de forma mais ampla”, comentou.
Além da produção científica, Meirinho passou a integrar o Centro de Investigação em Governo Aberto e Transparência (CIGAT), participou do mapeamento de experiências internacionais e atuou na docência da disciplina de Administração Pública e Governança durante o período.
Potencial para aumentar receitas sem elevar impostos
De acordo com o pesquisador, o avanço dos Naming Rights representa uma oportunidade para que municípios encontrem novas fontes de arrecadação sem transferir custos para os cidadãos.
“É um tema que permite aos governos ampliar receitas sem onerar a população. Vejo que existe interesse em diversas cidades, inclusive em Balneário Camboriú, mas ainda falta avançar na execução de projetos em mais espaços e equipamentos públicos”, avaliou.
Ele cita exemplos já consolidados em países como Estados Unidos, Canadá, México e Equador, além de iniciativas brasileiras que envolvem equipamentos públicos e privados, como o estádio Mercado Livre Arena Pacaembu.
“Quando comparamos o Brasil com países como Estados Unidos e Canadá, percebemos que ainda existe um universo enorme para avançar. É uma ferramenta que pode gerar alternativas importantes de arrecadação para os municípios”, acrescentou.
Ao encerrar o ciclo acadêmico, Meirinho destacou o apoio recebido ao longo da trajetória e agradeceu aos familiares, colegas e professores que contribuíram para a pesquisa.
“Fica um sentimento de gratidão. Agradeço a Deus, à minha família, especialmente à Fran e ao Adam, ao professor Luiz Filipe, que sempre foi um grande parceiro, e a todos que participaram dessa caminhada. Agora o objetivo é seguir avançando nas investigações e estimular que essas ideias sejam colocadas em prática para gerar mais receitas aos municípios sem que a população tenha que pagar essa conta”, concluiu.
