O vereador Eduardo Zanatta foi o único político de Balneário Camboriú a participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA). Circulando entre a blue zone (governos) e a green zone (sociedade civil), ele relata que “teve dia que andou 14 km só dentro da Blue Zone e Green Zone”.
Segundo o parlamentar, a COP30 foi um marco para o país. “Foi histórico, colocou o Brasil no centro de debates sobre meio ambiente e mudanças climáticas”, afirmou.
Ele esteve presente em salas de negociação e acompanhou de dentro o acordo que será entregue pelos países no último dia da conferência – esta sexta-feira (21).

Mercado de carbono e o projeto BC Carbono Zero
Zanatta participou de reuniões e debates relacionados ao mercado de carbono e aproveitou para apresentar o projeto que tramita na Câmara Municipal sobre o BC Carbono Zero. Ele explica que “ter um projeto sobre isso em uma cidade que é referência na construção civil faz muita diferença”.
O vereador chegou a discutir o tema com diretores das construtoras Embraed e da Cechinel. Ele lembra que “em 2023 a Embraed compensou 100% do carbono emitido” e reforça que a intenção é estabelecer uma política permanente no município.

“Queremos que seja política permanente do município para conseguir atingir metas e avançar no desenvolvimento sustentável de nossa cidade”, disse.
Zanatta destaca que a compensação precisa gerar impacto real no dia a dia da população, para que aconteça aqui a compensação do carbono, para beneficiar a nossa comunidade, que é quem é atingida pelo impacto, como aumento de temperatura, problemas de saneamento e mobilidade, que esses grandes empreendimentos causam no dia a dia.

Ele também afirma que Balneário Camboriú precisa ajustar sua legislação às diretrizes que estão sendo definidas na COP30.
“Solicitamos que, dependendo de como for a metodologia e o acordo da COP30, a lei de BC tem que estar alinhada à metodologia que está sendo abordada agora. E Balneário esteve no centro desse debate”, pontuou.
Debates e agendas internacionais
Zanatta participou de um painel sobre desinformação e negacionismo climático. Ele relata que “os EUA não se credenciaram oficialmente, negam que existe mudança climática, assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro fez. O presidente da Argentina, Milei também nega, mas a Argentina teve comitiva oficial” no evento.
Durante o evento, o vereador também fez mediação de um painel de lançamento de um livro para pensar o pós-COP30, organizado pelo deputado Pedro Uczai. Ele participou ainda de reuniões com o Partido Democrata dos Estados Unidos para discutir políticas climáticas.

O vereador acompanhou painéis com autoridades internacionais e citou que esteve em um evento com a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, candidata à Secretaria-Geral das Nações Unidas.
Orgulho brasileiro e rejeição ao ‘complexo de vira-lata’
Questionado pelo jornal sobre os comentários a respeito da COP, que foi chamada de ‘FLOP30’ e ainda sobre as notícias sobre a falta de comida e altos preços no evento, ele disse que em sua visão a COP30 foi um sucesso em organização e ambiente político.
“A experiência gastronômica e cultural também surpreendeu. Comi muito bem, fui muito bem recepcionado. Fui na COP28, em Dubai, e não se compara com a comida regional do Pará, por R$ 40 comi em um buffet livre lá, mais barato do que em BC, comparado a 50 dólares que paguei num hambúrguer na COP em Dubai”, comentou.
Zanatta criticou a ideia de que o evento teria sido ‘FLOP30’ e afirmou que isso ‘não procede’.
“Quem não se orgulha de o Brasil ter esse protagonismo precisa tratar esse complexo de vira-lata e aprender a ter orgulho de nossa cultura, gastronomia e do nosso povo. Temos que ter orgulho das nossas diferenças de Sul a Norte, Sudeste, Nordeste… Esse discurso que menospreza nossas vitórias é daqueles mesmos que promovem racismo e xenofobia em estádio de futebol”, acrescentou.
Vivência amazônica e inspirações para BC
Entre as experiências culturais vivenciadas, o vereador contou que provou tacacá e adorou, além de ter experimentado outros pratos típicos da Amazônia, como costela e farofa de tambaqui. Segundo ele, estrangeiros também ficaram encantados com a culinária regional.
Zanatta visitou iniciativas de economia solidária e diz ter encontrado projetos que podem ser referência para Balneário Camboriú.
“Visitamos experiências coletivas e de associações que promovem economia solidária no meio da Amazônia com açaí, cupuaçu, cacau orgânico… Temos que pensar em processos similares para os artesãos e também os pescadores de nossa cidade, que todo ano passam problemas para estabelecer seus ranchos de pesca”, completou.

