Morador que denunciava barulho de igreja foi agredido por guarda municipal de folga

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Um caso envolvendo denúncias de perturbação do sossego no Bairro Vila Real, em Balneário Camboriú, ganhou um novo capítulo na noite de segunda-feira (18). Um morador que há anos reclama do barulho causado pela Igreja Assembleia de Deus Ministério do Avivamento (ADMA), localizada na Rua Dom Abelardo, afirma ter sido agredido por um guarda municipal de folga.

Segundo relatos enviados ao jornal no início de abril, o morador vinha denunciando constantemente o volume sonoro das celebrações religiosas. Vizinhos afirmam que a situação se tornou ainda mais delicada porque ele tem um filho com Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição que pode causar hipersensibilidade auditiva e aversão intensa a determinados sons.

De acordo com a denúncia, o homem chegou a comprar um aparelho para medir decibéis e teria feito diversas reclamações à prefeitura, além de acionar Ministério Público e Justiça. Ainda conforme os relatos, ele já teria ido ao Fórum ao menos três vezes por causa do caso.

A situação, porém, escalonou na noite de segunda-feira. Segundo o morador, ele foi surpreendido por um homem que não conhece e não sabe se seria fiel da igreja ou alguém ligado à instituição. 

“Eu sempre procurei o diálogo e a lei para resolver as coisas. Porém, ontem, alguém que eu nem conheço me agrediu violentamente, de forma covarde, sem direito à defesa”, afirmou.

Ele relata que sofreu socos no rosto e classificou a situação como uma “tentativa de homicídio”. 

“Eu sou grande, mas o cara é muito maior. Foi tentativa de homicídio. Eu poderia estar morto neste momento simplesmente porque estava procurando os direitos do meu filho e da minha família. Esse sujeito veio da igreja. Repito: não sei se é fiel ou trabalha para a igreja ADMA. E o pior: é GM. É Guarda Municipal. Que condições psicológicas uma pessoa assim tem para tratar da segurança da população?”, declarou.

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Vídeo registrado por câmera de segurança e enviado ao jornal mostra uma discussão entre os envolvidos momentos antes das agressões. O guarda municipal dá ao menos quatro socos no morador.

Conforme informações do Ministério Público de Santa Catarina, entre março de 2023 e agosto de 2024 foram registradas 17 reclamações formais relacionadas ao som no local. 

Em março de 2025, o MP determinou prazo para que a igreja realizasse adequações acústicas. Segundo o órgão, o isolamento sonoro teria sido implantado posteriormente.

Prefeitura instaurou procedimento administrativo

A Prefeitura de Balneário Camboriú informou, por meio da Secretaria de Segurança e Ordem Pública, que tem ciência do caso envolvendo o guarda municipal, que estava fora de serviço no momento da ocorrência. 

Confira abaixo a nota completa:

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“A Prefeitura de Balneário Camboriú, por meio da Secretaria de Segurança e Ordem Pública, informa que tem ciência do caso envolvendo um guarda municipal, fora de serviço, ocorrido na noite desta segunda-feira (18), por volta das 21h15, em uma igreja localizada na Rua Dom Abelardo, no Bairro Vila Real.

A corregedoria da Guarda Municipal instaurou procedimento administrativo para apurar os fatos quanto às suas obrigações funcionais. Caso sejam constatadas infrações disciplinares, mesmo fora do período de trabalho, as medidas cabíveis serão adotadas.

Situações desta natureza são tratadas com prioridade pela instituição, visando manter a qualidade, a credibilidade e o padrão de atendimento prestado pela Guarda Municipal à população”. 

Foi informado ainda que “até o procedimento administrativo finalizar a averiguação” o GM envolvido na situação segue em serviço.

O que diz a Igreja ADMA

O jornal procurou a Igreja ADMA, que informou que o problema para o morador agredido não seria o som da igreja e sim a igreja em si. Confira abaixo a nota enviada:

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“Na realidade, o problema não é o som da igreja. O problema para ele é a igreja. Já fizemos tudo que esteve ao nosso alcance, muitos gastos para resolver o barulho, deu tudo certo, o juiz deu a liberação, vendo que estávamos certo, mas a perseguição dele é religiosa. Ele entra gritando, invade a igreja. Ameaçaram a filha do Pastor, ontem (segunda-feira, 18), ocorreu um fato isolado, de um rapaz frequentador há pouco tempo, viu que ele estava filmando, pediu para ele não filmar, ele continuou a filmar. Ele (o guarda municipal) falou “não me filma”, e aconteceu o fato. 

Ele incomoda todos os dias de culto, mesmo nós estando com os padrões de decibéis certos. Se escuta mais o barulho da BR do que o som da igreja. Isso é uma perseguição religiosa.

Destacando que o visitante não estava fardado. Ele estava como qualquer outra pessoa.

Há dois anos estamos nessa guerra! Vemos que é uma perseguição religiosa pelo fato de ter uma Igreja grudada ao lado da casa dele”.

Video do monento da agressão

Reprodução/Leitora
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