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Setembro Amarelo: somente em 2023, programa Abraço atendeu mais de sete mil pessoas em Balneário Camboriú

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, neste domingo (10), será lembrado pela campanha Setembro Amarelo, bastante difundida em Balneário Camboriú, onde somente neste ano foram atendidas mais de sete mil pessoas pelo programa municipal Abraço à Vida, que visa acolher quem têm ideações suicidas e/ou problemas psicológicos e emocionais. 

Segundo o levantamento Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve um aumento de 11,8% nos casos de suicídio no Brasil entre os anos de 2021 e 2022 – no ano passado foram 16.262 registros (uma média de 44 por dia) e em 2021 – 14.475. 

Os números em nível mundial surpreendem ainda mais – segundo a OMS, mais de 700 mil pessoas/ano tiram a própria vida. 

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Abraço em números: mais de 27 mil atendimentos e sete mil pessoas atendidas

A secretária de Inclusão Social de Balneário Camboriú, responsável pelo programa Abraço à Vida, Christina Barichello, salienta que o Setembro Amarelo é uma campanha ‘muito abraçada’ em Balneário Camboriú, quando acontecem ações durante todo o mês (confira a programação completa no final desta matéria) para demonstrar para a população que o suicídio ‘é uma triste realidade que atinge o mundo todo’. 

“Mas temos o programa Abraço, que não tem em nenhum lugar além de Balneário, com atendimento 24h, todos os dias, para a população de nossa cidade. As pessoas se surpreendem com os números de atendimento [27.676 atendimentos somente neste ano – sendo que há quem é atendido somente uma vez e outros que podem passar mais de 10 vezes pelo programa; desse número, são cerca de sete mil pessoas atendidas], mas eu vejo que há muitos atendimentos porque cada vez mais as pessoas procuram porque divulgamos muito o Abraço. Quando há oferta de serviço, as pessoas procuram por ajuda, e o nosso objetivo é ajudar o máximo de pessoas possível”, pontua.

Christina salienta que, normalmente, os atendimentos iniciam com a pessoa que possui ideação suicida, e então passa a ser atendida pelo programa, com atendimentos psicológicos e psiquiátricos, se houver necessidade. 

“O suicídio é uma solução definitiva para problema momentâneo. Muitas vezes a pessoa está com tantos sintomas de saúde mental, problemas, surtos, perdas e não enxerga nenhuma situação a não ser aquilo. Vale lembrar que o suicídio é coletivo e leva a família, envolve amigos, deixa em quem fica o sentimento de culpa, que se pergunta como não notou e se poderia ter evitado”, afirma.

A secretária analisa algo muito comentado – que, normalmente, o suicida quer acabar com a dor do problema que está acontecendo e não com a vida. “Ele [o suicida] só vê ‘a árvore da dor’ e não ‘a floresta inteira’ que é a vida”, comenta.

Preocupação com crianças e adolescentes; mulheres são o principal público atendido

Christina destacou que uma preocupação da equipe do Abraço é com o aumento de casos envolvendo crianças e adolescentes, que começam com automutilação normalmente. Ela relatou ao jornal o caso envolvendo uma criança de oito anos, moradora de Balneário Camboriú, que tentou suicídio, mas felizmente não conseguiu. 

“Não existe um fator, mas há algo preponderante que é a solidão e falta de propósito. Vejo que a infância mudou, hoje a criança acorda, vai para o videogame, não está se relacionando, não recebe ‘não’. E, quando recebe, não aceita. Eu não sou a favor de bater ou gritar com a criança, mas os filhos precisam de limites. Você não é amigo do seu filho, é pai ou mãe”, opina, acrescentando que há casos atendidos pelo Abraço onde há envolvimento da família – ‘da estrutura familiar que não está mais baseada na convivência’. 

“Não quer dizer que você precisa estar 24h com o seu filho, mas se não for feito algo, vão ser adultos no futuro sem limiar de frustrações que quando vivenciarem uma frustração vão se prostrar ou querer morrer, porque não conseguem aguentar problemas normais da vida”, destaca.

As crianças que precisam de atendimento são assistidas pelo programa Proteção Global, um ‘braço’ do Abraço à Vida, tratando junto com seus familiares, porque quando envolve crianças e/ou adolescentes precisa ter o suporte dos responsáveis.

A secretária aponta que o principal público atendido pelo programa são mulheres dos 25 aos 50 anos, moradoras do Centro de Balneário, o maior bairro da cidade.

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Divulgação/PMBC

Ela lembra que ideações suicidas ou problemas psicológicos e/ou emocionais não tem nenhuma ligação com questão econômica, não se trata de ‘frescura’ nem ‘falta de Deus’. 

“Mas todos os casos têm um padrão: a pessoa se sente isolada, sem rede de proteção. Isso não quer dizer que mora sozinha, mas se sente assim. Lembrando que a depressão pode ser gerada biologicamente ou de forma hormonal – a depressão pós-parto se encaixa nisso e também os hormônios da adolescência ou, nas mulheres, a menopausa”, diz.

Há atendimentos também com turistas, porque há pessoas que vêm para Balneário com a ideia de tirar a própria vida no município – muitas vezes porque possuem memória afetiva com a  cidade. 

“Já houve muitos casos; acredito que 5% dos atendimentos são desse grupo, por isso na temporada fazemos os atendimentos na praia, para assistir quem precisa e não mora aqui”, comenta Christina.

Importância de prestar atenção aos sinais

A secretária aproveitou para citar também sinais que devem ser percebidos por parentes e/ou amigos, para auxiliar quem pode estar precisando de ajuda. 

“Mudança de comportamento é sinal que deve ser analisado. Se eu era muito introvertida e mudei, se eu era muito social e fico reclusa… o isolamento e mudanças de comportamento são alertas. Se você tem pensamentos que externaliza, como ‘tudo está ruim, não tenho vontade de fazer as coisas’, além da alteração de humor, ansiedade, culpa, vergonha, irritabilidade… isso afeta a todos, de crianças à adolescentes, adultos e idosos. As famílias precisam estar em alerta, conversar é a melhor solução e isso não é piegas. Exige vínculo na família: um diálogo sem julgamento salva vidas”, acrescenta. 

Para ser atendido pelo programa Abraço, o morador ou moradora de Balneário Camboriú precisa buscar pela ajuda, mas familiares também podem indicar. 

“Quem fala em se matar, pode não estar somente ameaçando e pode fazer, sim. Se você tem alguém em casa passando por depressão, busque ajudar a pessoa. Não ignore os sinais. Balneário Camboriú conta com tratamento gratuito, 24h, todos os dias da semana, incluindo domingos e feriados. O Setembro Amarelo é um alerta para a sociedade ficar mais observadora com familiares e amigos, essa é a intenção”, completa.

O programa Abraço à Vida atende todos os dias, 24h, pelo fone (47) 999822322 – as equipes que atuam vão até a pessoa presencialmente, para atender quem precisar.

Programação do Setembro Amarelo em Balneário 

  • Dia 10/09: Iluminação do Cristo Luz e da Câmara de Vereadores de amarelo;
  • Dia 14/09: Palestra sobre Saúde Mental e Valorização à Vida com gestores da rede Municipal de Educação, das 14h às 16h, Secretaria de Educação;
  • Dia 15/09: Baile Amarelo, a partir das 14h, na Casa da Família. Psicólogos falam sobre a importância do cuidado com a saúde mental;
  • Dia 19/09: Palestra às 19h com CVV na Fundação Espírita Bom Amparo;
  • Dia 20/09: Palestra sobre Saúde Mental e Valorização à Vida, com supervisores e orientadores da rede Municipal de Educação, das 14h às 16h, na Secretaria de Educação;
  • Dia 26/09: 10h – Palestra para os professores do CEM Presidente Médici sobre a importância dos cuidados em Saúde Mental, nas dependências da escola; 20h – palestra com CVV no Centro Espírita Luz e Caridade;
  • Dia 27/09: 20h – palestra no Centro Espírita Apoio Fraterno, com o CVV.
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