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Balneário Camboriú

“Perseguições e aventuras? Sim, nós tivemos”, por Silvia Bomm

Memória & Histórias 30 anos JP3

(Equipe de funcionários e colaboradores)

Durante esses 30 anos de jornalismo do Página3, passaram pela redação dezenas de funcionários e colaboradores, esse relato é de um deles.

Nunca duvide da capacidade de um jornalismo imparcial, transparente e envolvido em levar aos seus consumidores a autenticidade dos fatos, sejam eles notícias positivas, negativas, curiosidades e enfim, informações de qualidade. Foi pensando em oferecer aos leitores do Página 3 a veracidade dos acontecimentos, que eu, como repórter da casa entre os anos de 1997 e 2000, também virei notícia.

Fui pautada com uma missão, aliás, eu e minha parceira de trabalho na época, Luciana Altmann. Tínhamos que capturar a imagem da esposa de um presidente latino exilado na cidade (será que eu cito o nome dele?) , fazendo compras pelas ruas de Balneário Camboriú. Nossa querida dupla de editores, Waldemar e Marlise Cezar, mal sabiam que aquela manhã do primeiro semestre de 1999 dariam a mim e à Lu, uma das melhores experiências de nossas vidas profissionais. A de fugir de um guarda-costas presidencial, pelas ruas de Balneário Camboriú .

Então partimos meio temerosas, meio satisfeitas, mas cem por cento seguras de que iríamos conseguir tal façanha. Foi caminhar, viu? Mas, na Avenida Brasil, na altura da rua 15, lá estava nosso troféu, do outro lado da rua, a apenas uns metros. Era só sacar a foto e ir embora. Ou não. Câmera posicionada na minha mão e o clique já estava feito. A Lu já começava a escrever as notas do encontro, quando um homem alto, com cara de brabo, vestido de terno preto e que seguia a fina dama, nos “mirou” com intensidade. Sem pensar muito, gritei para a minha parceira – “Corre, corre Lu!”. Nunca vi alguém correr tão rápido quanto nós, e pior, o segurança também estava convicto de que seria uma manhã de captura.

Partimos em direção ao local onde fazíamos a revelação do filme fotográfico – sim, naquela época era tudo na mão, artesanal, past-ups, filme e rolo fotográfico, câmera manual, estilete, cola, muita cola pra fazer o jornal acontecer. Entramos na loja que ficava localizada no Calçadão da Central e a primeira reação minha foi jogar a câmera nas mãos do balconista e gritar – “Esconde, rápido”! E nos posicionamos escondidas atrás da cortina ilustrada de natureza do estúdio. Estávamos com cara e coração de paisagem.

Acho que não contei 30 segundos, quando me senti como num palco de teatro, com as cortinas se abrindo de repente e aquele guarda-roupas na nossa frente esbravejando : “Passa a câmera!”. O que fazer? Já estávamos no teatro mesmo, então decidi interpretar. Sem pensar muito, respondi ao digno profissional: “- Passou pelo senhor na entrada da loja. O senhor nem reparou, mas um boy passou pelo senhor e levou a câmera para a redação”. Mas ele nem acreditou. Nos fez sair da loja para revistar nossas bolsas e não tinha nada, lógico, nem dinheiro naquela época.

Ao chegar na redação assustadas, pálidas, mas realizadas, contamos toda a aventura de perseguição aos nossos editores. Lembro do Marzinho (Waldemar) chocado e tremendo os dedos para escrever um repúdio no jornal, sobre a invasão de privacidade às suas funcionárias e também contra a liberdade de expressão.

O que dizer de tudo? Faria outra vez? Sim, eu faria, adquiri muita experiência, confiança, e compromisso com a verdade depois desse fato. Ao Página 3 só tenho gratidão, por me tornar a jornalista e fotógrafa que sou hoje, após 50 e tantos anos de vida e 24 anos de profissão. Parabéns Jornal Página 3, Parabéns Waldemar, Marlise e equipe, e obrigada!

(Arquivo Pessoal)
(Arquivo Pessoal)

Nota da Redação: Silvia Bomm foi repórter do Página3. Atualmente é fotógrafa e Copywriter freelancer

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