Projeto desenvolvido em Balneário Camboriú aborda arte indígena e pede mais acolhimento

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O projeto Etnoarte, desenvolvido pelo professor e pesquisador Ricardo Gallarza e pelo sobrinho dele, o arquiteto Gabriel Gallarza, aborda a importância do universo artístico dos povos originários, os indígenas. 

Além de um site com todas as informações (www.etnoarte.com.br), o projeto realizou uma série de palestras nas escolas da rede municipal de ensino de Balneário Camboriú, compartilhando um pouco do conhecimento adquirido pelos produtores em suas incursões nas culturas indígenas brasileiras, expondo aos estudantes parte do acervo de objetos de arte adquiridos nos últimos anos.

Gabriel Gallarza (Foto Arquivo Pessoal)

O arquiteto Gabriel salienta que o tema pano de fundo do projeto foi a presença dos indígenas, a partir da linguagem artística, buscando sensibilizar estudantes e agora a comunidade em geral para a multiplicidade cultural, tentando a médio e longo prazo minimizar ações de desprezo contra os povos originários, considerando que a presença deles no litoral catarinense durante o verão é alvo de muito debate, inclusive de críticas. 

“É um assunto delicadíssimo – a presença deles em Balneário. A proposta foi realmente apresentar um conteúdo hermético – de elementos artísticos, sobre a cultura. Optamos por não abrir muito o debate, só provocamos [o debate], porque tem que começar o assunto, não chegar conflitando e mencionando situações assim [presença dos indígenas da cidade no sentido negativo, visto por muitos]. É um assunto que exige delicadeza, principalmente de expressões multiculturais”, explicou.


Gabriel pontuou que a cultura indígena é originária [fundamenta muitas das práticas culturais que a sociedade branca adota cotidianamente], e que a proposta do projeto vem exatamente do ‘branco’ olhando para os povos originários, destacando as etnias que vivem nos estado de Santa Catarina, entre elas os Guarani, os Xokleng e os Kaingang. O site resultado do Etnoarte reúne fotografias e ilustrações que apresentam a arte desses povos em categorias: cestaria, madeira, plumária, pintura corporal, cerâmica e adornos. 

“Fiz o projeto com o meu tio, Ricardo, que é pesquisador da cultura indígena. Formamos uma instituição – o Hugato, que aborda diversos temas. A temática indígena tem grande relevância, e eu busco trazer através da abordagem do território urbano, já que sou arquiteto, e em Balneário isso é emblemático, porque os indígenas estão aqui, na vanguarda da construção civil, traçando o panorama dos arranha-céus x cultura originária”, informou.

Necessidade de um melhor acolhimento

Aprofundando a presença dos indígenas em Balneário, Gabriel opinou que há uma ausência de política de recepção, salientando que vê a necessidade de ter um local para eles no Centro da cidade e não excluí-los às margens da BR-101, como anualmente acontece. 

“Fora que tem várias tribos, e colocar todos em um só lugar pode criar tensão. Temos que respeitar as diversidades. Pretendemos abordar isso de forma mais incisiva nos próximos momentos”, antecipou.

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Sambaquis de Laranjeiras

(Foto Gabriel Gallarza)

Gabriel opinou também sobre o quanto Balneário Camboriú deveria valorizar mais a questão dos povos originários, já que na Praia de Laranjeiras há os sambaquis (que inclusive foram objeto de polêmica por conta da obra que lá acontece, relembre aqui: clique aqui). 

“A própria cultura sambaquiana é muito antiga também, já nem existem mais. Temos que pensar bem macro, a escolha da ocupação do território é de exploração, o território como ativo econômico, sendo que é a identidade cultural da cidade. Tem nem como questionar isso – os sambaquis de Laranjeiras são documentados, inventariados, e a gestão pública não achar que isso é virtude e sim um problema, é absurdo é lamentável. Deveria ser qualificação para a cidade, e não é feito – pedem desculpa por ‘pisar e destruir’. Com o Etnoarte queremos fazer a educação de forma ampla, uma ideia de valorização da identidade local, regional, e até nacional. No caso de Balneário, buscando a reflexão de ser um atrativo turístico, um benefício [os sambaquis], um ponto positivo na cidade”, completou.

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