No último fim de semana, Balneário Camboriú celebrou a literatura e cultura com o 1º Festival Literário, realizado entre sexta-feira (10) e domingo (12).
Com programação gratuita em diversos pontos da cidade, o evento incluiu espetáculos teatrais, shows musicais, saraus de poesia, contação de histórias e lançamento de livros.
Mais de 100 pessoas estiveram diretamente envolvidas na organização do festival, entre escritores, artesãos, atores, dançarinos, músicos e artistas de diversas linguagens, incluindo 50 autores locais que tiveram a oportunidade de autografar suas obras e interagir diretamente com o público.
A Fundação Cultural estima que o evento tenha atraído cerca de mil visitantes ao longo dos três dias.
Evento ‘transcendeu’ a literatura

O diretor-presidente da Fundação Cultural, Allan Müller Schroeder, explica que o destaque do evento foi a diversidade de linguagens artísticas que contribuíram para chamar atenção do público para a literatura.
“Tivemos mais de 100 pessoas diretamente envolvidas, artistas contratados, na poesia, contação de histórias, escritores que participaram de painéis, além de espetáculos teatrais, músicos, dançarinos, pintores, a participação dos feirantes com artesanato e cultura alimentar, então foi um evento focado na literatura, mas que transcendeu a ela, sem perder o foco que era provocar o gosto pela escrita, pelo livro e pelo hábito de ler. O público pode esperar algo maior para o ano que vem, cujo formato vai ser discutido após avaliação em conjunto com a Câmara Setorial de Literatura”, diz.
Um mar literário

Sibeli Fernandes Luz, representante da Câmara Setorial de Literatura, afirma que muitas mãos organizaram o Festival, e que não mediram esforços para que o evento abrilhantasse a cidade.
“Em todos os três dias tivemos artistas incríveis, autores mirins com 7 e 8 anos, adolescentes, idosos e um público plural, diverso, para toda a família. Foram mais de 100 contratações diretas e indiretas. Um público presente de mais de 1000 pessoas nos três dias. Foram muitos meses de trabalho sempre alinhando propósito de diversidade, vários pontos da cidade, beneficiando a todos e levando a cultura”, comenta.
Sibeli salienta que entrou nas salas de aula convidando os alunos para participar. Ela também cita a Fundação Cultural pelo suporte na realização do evento.
“A alegria e a emoção de entregar o maior evento literário foi indescritível. Pela primeira vez Balneário Camboriú foi vista como um mar literário com muitos autores e escritores locais e também do estado. Para 2026 queremos algo muito maior e melhor, já começamos a trabalhar para isso hoje”, afirma.
Leitura é para todos

O jornalista e escritor de Balneário Camboriú, Bola Teixeira, participou do evento e falou sobre a abertura, na sexta-feira (10) no Teatro Bruno Nitz. Ele citou as ausências, que dizem muito sobre o tema livros/leitura.
“O auditório do teatro estava ocupado por poucas pessoas. A prefeita Juliana Pavan e a jornalista Helen Francine, responsável pelo cerimonial, lamentaram o fato, mas Helen pontuou bem que a presença foi quali e não quanti, o que serviu de consolo para todos que estavam lá, na sua maioria, autores e alguns poucos amantes dos livros. Como ouvi nos discursos, incentivar/motivar/valorizar os livros e a leitura é uma luta diária. Para a judoca Ketleyn Quadros, medalha de bronze em Tóquio, presente na abertura, trata-se de uma doação permanente, sem o compromisso de retorno. Todas verdades, mas que num mundo dominado pelo digital necessita urgentemente de mobilização e políticas institucionais capazes de encaminhar pelo menos uma sociedade menos supérflua da que nós vivemos, diz Bola.
Ele opinou que é muito importante incentivar os autores para que produzam cada vez mais. Disse que o presidente da Fundação, Allan Schroeder, anunciou a reedição do Prêmio Álvaro Silva que aconteceu duas vezes em anos passados. “Mas que, por um motivo ou outro, estava de molho. Mas, também é importante que se incentive a outra ponta, a do leitor e as escolas são fundamentais neste processo. Temos que ter a compreensão que a leitura é para todos. Não é um segmento de elite para a elite. E que livro de auto ajuda serve mesmo para ajudar o autor a ser um “best””, acrescentou.
O escritor citou algumas ausências na abertura do festival que lhe chamaram a atenção:
“Os jovens. São eles que podem ser salvos do que chamo de soma de Huxley. Não foram, porque lhes falta motivação e incentivo para a leitura;
O público mais velho. Ausente, porque faltou mobilização, incentivo e motivação. Os velhos estão cada vez mais engolidos pelo soma e as teorias de conspiração, porque aposentaram os livros, perderam o hábito da leitura;
Ausência da Secretaria de Educação diz muito sobre a política pública a respeito de livros e leitura;
Por fim, os vereadores. A vereadora Ciça Muller foi anunciada como representante do Legislativo. Ciça tem a cultura como base de sua atuação política. E os demais? Poderíamos fazer um mosaico relacionando aqueles que são oposição e, talvez, achem que o festival é da situação; aquele replicante de Blade Runner com defeito de fábrica que não consegue articular uma frase talvez por nunca ter lido um livreto, imagina um livro e temos… bem vamos parar com esse mosaico de perfis de personalidade de nossos estimados edis”, disse Bola.
Por fim, Bola desejou longa vida ao festival.
“Com toda certeza se acontecer nos próximos anos irá evoluir/crescer/desenvolver e cada vez mais atrair leitores, claro, caminhando junto com outros canais permanentes de incentivo e motivação”, completou.
Organização e apoio
Organizado pela Fundação Cultural, em parceria com a Câmara Setorial de Literatura do Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), o festival contou com o apoio do Sesc Balneário Camboriú, A Livraria, Studio Home, Editora Experience, Ketleyn Quadros, Top Livros, Hotel Marambaia, Grupo Kropole e Gráfica DPrint.
A equipe organizadora foi formada por Luiz Antônio Kappel, Laura Porto, Dani Sousa, Rose Spíndola, Ricardo Krobel, Virgínia Rocha, Yohanna, Lilian Maia, Willian Blake, Victorya Reinert, Kellyn Kristina Zamiani e Erika Pontes.
