Chefe de energia da UE recomenda home office e menos voos para enfrentar crise energética

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(FOLHAPRESS) – A Comissão Europeia pediu que países e cidadãos reduzam o consumo de energia -com menos voos, menor uso de carros e mais trabalho remoto- diante dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado energético.

As recomendações foram reforçadas pelo comissário europeu de Energia, Dan Jorgensen, após uma reunião extraordinária dos ministros do setor nesta terça-feira (31), em Bruxelas, segundo reportagem do site Politico.

“Mesmo que a paz chegue amanhã, ainda assim não voltaremos ao normal em um futuro previsível”, afirmou.

Jorgensen defendeu que os países-membros da União Europeia sigam conselhos da AIE (Agência Internacional de Energia) como ampliar o trabalho remoto, reduzir os limites de velocidade nas rodovias, incentivar o transporte público e estimular o compartilhamento de carros.

As medidas incluem ainda práticas de direção mais eficientes e, em alguns casos, restrições ao uso de veículos particulares.

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A longo prazo, o comissário pediu que os países acelerem a adoção de fontes renováveis. “Este deve ser o momento em que finalmente viramos o jogo e nos tornamos verdadeiramente independentes em energia”, disse.

“Não existe uma solução única para todos. Mas está claro que quanto mais você puder fazer para economizar petróleo, especialmente diesel e combustível de aviação, melhor estaremos. Estamos em uma situação que pode piorar, onde de fato a redução da demanda é necessária”, disse.

A reunião terminou sem propostas concretas, embora Jorgensen tenha prometido a apresentação de um pacote de medidas em breve.

Ele afirmou que a União Europeia avalia retomar instrumentos usados durante a crise energética de 2022, quando a Rússia cortou o fornecimento de gás ao bloco.

“Não sabemos quanto tempo essa crise vai durar. E como não sabemos quão profunda ela será, também estamos preparando diferentes oportunidades e possibilidades que se assemelham mais às que usamos durante a crise de 2022”, disse ele.

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Entre as medidas adotadas à época estavam um teto para os preços do gás, a taxação de lucros extraordinários de empresas de energia e metas obrigatórias de redução de consumo.

A guerra no Irã tende a provocar instabilidade prolongada nos mercados, afirmou o comissário. Segundo ele, mesmo com um eventual cessar-fogo, os efeitos persistiriam devido aos danos à infraestrutura energética na região.

A dependência europeia de energia importada aumenta a exposição do bloco a choques de preços. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o preço do gás na Europa já subiu mais de 70%.

O fornecimento de petróleo e gás não foi afetado diretamente no volume disponível, mas sofreu impacto relevante nos preços, em especial após o fechamento do estreito de Hormuz.

No curto prazo, a principal preocupação de Bruxelas é com o abastecimento de derivados, como diesel e combustível de aviação.

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Os últimos carregamentos de querosene que passaram pelo estreito antes de seu fechamento devem chegar à Europa por volta de 10 de abril, segundo Benedict George, da consultoria Argus Media.

“Não há risco realista de realmente ficar sem” combustível de aviação, disse George à Reuters, acrescentando que os estoques dos países europeus podem cobrir até três meses de demanda de querosene. No entanto, “os estoques podem cair a um nível em que você tenha escassez localizada” ou preços altos e voláteis, disse ele.

Hoje, cerca de 15% do querosene consumido na União Europeia vem do Oriente Médio.

Antes da reunião, Jorgensen já havia enviado carta aos governos recomendando o adiamento de manutenções não emergenciais em refinarias, para preservar o nível de oferta de derivados.

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