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Carrapicho-beiço-de-boi

Sabe aquela plantinha chata que gruda na roupa quando você anda pelo mato? Estou falando do Carrapicho-beiço-de-boi ou se preferir o Desmodium adscendens, que é o nome científico dessa planta invasora que muitos chamam de “praga” e esconde propriedades medicinais surpreendentes.

A Desmodium adscendens é da família das Fabaceaes (leguminosas), nativa de países tropicais, principalmente Brasil e África, é comum em quase todos os biomas brasileiros. Ela é considerada uma invasora de gramados e suas raízes penetram fundo, assim, ela se adapta em vários tipos de solo. Por isso é muito utilizada como forrageira e bastante indicada para realizar a restauração de campos nativos, pois como leguminosa, enriquece estas pastagens com nitrogênio, tornando-as mais nutritivas e muito apreciadas pelo gado. Há relatos que recebeu o nome popular de carrapicho-beiço-de-boi, porque o boi pastando, enche o seu focinho deste carrapicho.

Características: É uma pequena erva rasteira, perene, com ramos de até 50m de comprimento. Flores pequenas de coloração rosada em pequenas panículas terminais. Frutos pequenos tipo vagens, que se aderem facilmente à roupa e aos animais e assim ela propaga suas sementes.

Aqueles gominhos pegajosos grudam mais do que ex arrependido. Por isso, alguns de seus nomes comuns são amor-do-campo, amorico, agarrado, amor-seco e pega-pega.

Resultado do passeio no último fim de semana e que inspirou este artigo (Arquivo pessoal)

Curiosidade: Com certeza você já usou alguma roupa ou acessório com velcro, pois é, a criação dessa peça se deve a um mecanismo de dispersão de sementes semelhantes a do carrapicho-beiço-de-boi.

O fato é que, em 1941, o engenheiro suíço George de Mestral, ficou intrigado com algumas sementes que se aderiram a sua roupa durante uma caçada, ele observou as mesmas em microscópio e reparou filamentos entrelaçados que formavam pequenos ganchos. Surge assim o velcro, que revolucionou a indústria na época. O caso ocorreu com sementes de Bardana (Arctium sp.) porém, muitos especulam que na verdade foi o pega-pega que deu a ideia para esse dispositivo.

Partes usadas: Folhas e raízes.

Uso popular: Na Amazônia brasileira o carrapicho-beiço-de-boi já era usado a bastante tempo pelos nativos, para uma série de problemas, desde nervosismo (na forma de chá), a tratamento de infecções vaginais (na forma de banhos). O chá das raízes secas é um remédio popular para tratar a malária e usado como contraceptivo por algumas tribos da Amazônia.

Na medicina tradicional do Peru, o chá de suas folhas é empregado como desintoxicante do organismo, purificador do sangue e das vias urinárias, para problemas de inflamação e irritação de ovários, corrimento vaginal e hemorragias.

No Brasil, as folhas secas são empregadas no tratamento da leucorréia, blenorragia, dores do corpo e diarréia.

Em Ghana, na África, o chá preparado com o pó de suas folhas, é utilizado no tratamento da asma com muito sucesso.

Composição química: Foram identificados os flavonóides: Vitexina; Vitexin 2”-​O-​xyloside; Isovitexin (C-​6 isomer)​; Desmodin (Isovitexin 2”-​O-​xyloside)​. Contém D-Pinitol.

Ações farmacológicas: 
Estudos com Desmodium adscendens mostraram um amplo espectro de efeitos in vitro e atividades farmacológicas in vivo como antileishmania, imunomoduladora, antiasmática, relaxante da musculatura lisa, anti-inflamatória, antiúlcera, cardioprotetora, antidiabética, antiamnésica, antiviral, antioxidante, depurativa, antiblenorrágica e hepatoprotetora.

Por causa delas, a planta seria indicada para tratar afecções nos rins, cistite, distúrbios gástricos e no fígado; uretrite, bronquite, asma, dor de estômago e nos membros; úlceras, feridas, inflamação dos ovários e no pênis, infecções vaginais, corrimentos, gonorreia, entre outras condições e desconfortos.
Estudos citam ainda, as ações diuréticas e em disfunções renais. E o extrato de sua raiz é especialmente útil em males no sangue, bexiga, próstata e disfunções na urina.

Estudos científicos: Algumas pesquisas Africanas mostram que os extratos aquoso e etanólico de D. adscendens , quando tomados por via oral, reduzem as contrações anafiláticas, interferem nas contrações induzidas pela histamina e reduzem a quantidade de substâncias estimulantes do músculo liso liberadas do tecido pulmonar de cobaias. Daí, seu uso em tratamentos como asma e bronquite por exemplo.

A planta, ainda, é utilizada por herbalistas africanos para tratar doenças hepáticas diversas. Ajuda no tratamento dos doentes com hepatopatias inflamatórias ou crônicas ou cirrose hepática. O Desmodium tem um efeito hepatoprotetor, normaliza os valores analíticos e a função hepática. O extrato desta planta também é uma grande ajuda no combate à Hepatite do tipo A. Ela não atua diretamente sobre o vírus, mas ajuda a proteger as células hepáticas (hepatócitos).

Outras pesquisa realizada em Gana, na África compararam Desmodium adscendens na inibição da ulceração, com medicamentos como a Cimetidina e omeprazol (padrões) e a planta apresentou resultados superiores aos químicos. Concluindo que: “Os extratos metanólicos do caule e folha de Desmodium adscendens oferecem atividade protetora significativa contra ulceração gástrica induzida por etanol em ratos, e a atividade pode estar relacionada ao seu efeito antioxidante”.

Há pesquisas em andamento que sugerem o possível papel neuroprotetor da planta. Os estudos realizados com camundongos albinos mostraram que, o extrato da raiz do carrapicho-beiço-de-boi aprimorou a memória, reduziu a atividade da colinesterase central e aumentou a atividade da serotonina nas cobaias. Além disso, o pré-tratamento com Desmodium por 15 dias protegeu os animais dos déficits de memória produzidos pela escopolamina.

Formas de uso: Comercialmente o Desmodium é distribuído (em forma líquida – extrato alcoolico e em capsulas)na França e na Bélgica como suplemento alimentar de saúde, por seu efeito hepatoprotetor, uma vez que foi demonstrado que ele tem um efeito positivo contra a infecção hepática in vivo.

Na forma de chá a planta também é sugerida com ação eficaz, sempre respeitando a dosagem padrão de segurança.
Toxicidade – Um estudo avaliou a segurança de um extrato hidroalcoólico de DA em hepatócitos e células renais. O efeito citoprotetor após estresse oxidativo nas células renais também foi avaliado, a planta não apresentou toxicicidade em doses moderadas e específicas a cada caso..

Aderir à fitoterapia requer alguns cuidados, como identificação correta da planta; perfeita colheita dela em local e tempo adequados; boas condições de armazenamento da planta; uso da dose indicada; disposição para fazer o tratamento pelo período prescrito. Razões pelas quais gosto de lembrar sempre que, as informações contidas nessa coluna têm caráter informativo, portanto não são utilizadas para auto-diagnóstico, auto-tratamento ou auto-medicação. É de extrema importância que você converse com o profissional de saúde que te acompanha sobre a possibilidade de incluir as plantas medicinais no seu tratamento e nenhum tratamento médico ou uso de medicação química deve ser interrompido ou substituído abruptamente pelo uso de plantas medicinais. Crianças, idosos e gestantes exigem cuidados e dosagens específicas sob algumas plantas. Consulte sempre um profissional da área.

As informações completas sobre as plantas, terapias e dicas importantes sobre tratamentos naturais, estarão sempre disponíveis na página da @banho.de.mato no instagram, mas você também pode me consultar no whatsapp sobre outras plantas e tratamentos naturais, ou enviar sugestões para as próximas publicações.

Gratidão e o desejo de saúde e bem estar a todos!
Banho de Mato – Um cuidado que vem da natureza
Luciana Andrea – Terapeuta Natural – 47)99997.8889

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Luciana Andréa
Luciana Andréa - terapeuta em construção, apaixonada pela natureza, aprendiz do conhecimento e da vida.
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