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Uma existência melhor

Bovarismo é desejar uma condição que não é sua, imaginar para si uma personalidade que não possui, mas que pode acabar com sua vida. É uma tendência que certos indivíduos apresentam de fugir da realidade, imaginando uma condição de vida irreal, passando a agir como se tivessem, ao mesmo tempo, tentando convencer os outros das possibilidades de sua imaginação. Pode ser caracterizada como uma forma de mitomania.

Essa designação vem do protótipo da insatisfação conjugal da protagonista Emma Bovary, no romance Madame Bovary.

Uma forma de sair dessa viagem lunática é um bom tratamento psiquiátrico. Mas a educação, seja ela formal ou não, pode colaborar no entendimento de como respeitar o outro, e também parar de fugir da realidade. Basta que você se envolva sistematicamente, com qualidade, na busca do saber.

Se você enxergar a educação como ferramenta para a formação individual e social, e avaliar que todo esse processo deva iniciar de sua realidade, então você pode desmanchar o devaneio das ideias e visualizar uma forma de mudar, e se inserir na sociedade a partir de uma adequada relação com seu entorno.

Como o fez Paulo Freire, utilizando esse método, não para mudar o mundo, mas sim para educar indivíduos a construírem uma base sólida crítica, e a partir de então, modificar suas vidas e o grupo social que se envolvem.

Certos indivíduos nos mostraram, na história literária brasileira, suas habilidades durante anos dedicados à prática de boas ideias, e deixaram um legado de cultura e análise da sociedade de seu tempo.

Como, por exemplo, Machado de Assis, que apesar de ser gago, mulato, pobre e epilético, acreditou no seu potencial e se dedicou com ênfase na sua exposição intelectual, e não no culto à vaidade, onde muitos se enclausuram.

Machado nos deixou obras-primas fabulosas, em forma de contos e crônicas, compostas de críticas sociais e políticas, com notas comportamentais extraordinárias, porque era autodidata.

Escreveu praticamente todos os gêneros literários, foi poeta, romancista, cronista, dramaturgo, folhetinista, jornalista e crítico literário.

Dessa forma, vimos que toda realidade é passível de intervenção, com chance de mudar do estado crítico que se encontra, seja ele pobre, solitário ou desinformado.

Sempre há possibilidade de passar para outra condição melhor, que traga uma existência saudável e mais esperança, por dias com qualidade de vida agradável de serem apreciados, acrescidos de um futuro em bases sólidas.

O custo é o esforço diário e repetitivo, como um banho, precisa ser realizado sistematicamente, para lavar o que ficou atrapalhando seu caminho, e que não é aproveitável.

Não se permita ser empacotado de alguma forma com pensamentos inoportunos e sem proveito.

Livre-se das amarras dos pensamentos mais lentos, ou prefere esperar mil anos para crescer, como as aranhas de Marte?

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Raul Tartarotti
Engenheiro Biomédico e cronista.
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