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Sinais que exigem atenção: psiquiatra salienta a importância de quem sofre com depressão ter apoio profissional

Há quadros leves e mais graves de depressão – situações que se resolvem com psicoterapia e medicação, e outras que exigem mais atenção, pois a pessoa pode vir a ter ideações suicidas. O médico psiquiatra César Augusto Carús Goulart, que atua na Bem Viver Psiquiatria, conversou com o Página 3 sobre o assunto e destaca a importância de as pessoas olharem com mais atenção para os problemas psicológicos e/ou psiquiátricos. 

Pandemia aumentou os casos de depressão e ansiedade 

Segundo César, é observado na prática que realmente a pandemia aumentou os casos de depressão e de ansiedade – o isolamento, o contato com a morte [através da perda de pessoas próximas, por exemplo] e a mudança de rotina de uma hora para a outra fez com que as pessoas tivessem dificuldade para se adaptar. 

“Muitas não respondem positivamente às mudanças ambientais, então as pessoas passaram a sofrer mais e muitas delas se deprimiram, em especial os idosos, que ficaram afastados do convívio com a família para preservarem suas vidas. Isso foi muito sério, nada substitui o abraço de um neto, o carinho e cuidado de um filho; as famílias que já estavam distantes, se afastaram ainda mais, e as pessoas de mais idade realmente sofreram muito”, analisa. 

O médico cita ainda os jovens – que perderam o contato com os colegas de escola, amigos e com as atividades de lazer, e os adultos sentiram ainda os efeitos financeiros, através da perda do emprego ou de renda, e tudo isso aconteceu em um período curto de tempo. 

“Ainda não temos um levantamento correto do quanto os casos de depressão e ansiedade aumentaram, mas já sabemos que é uma situação bem grave”, afirma. 

Sinais que exigem atenção 

O médico salienta que normalmente as pessoas acreditam que quem está com depressão está triste, em um canto, sem conseguir fazer nada – mas esses são, na realidade, os casos mais graves e com ‘mais tempo’. 

“O que a gente percebe, no começo da depressão, é que a pessoa vai perdendo o interesse pelas coisas. O que antes dava prazer, como jogar futebol, tomar uma cerveja com os amigos, a pessoa começa a deixar de ir, se isola em casa, evita contato com outras pessoas, perde interesse pelo trabalho e pelos amigos. Se irrita e se sente desconfortável com mais facilidade. Vários são os sinais que a pessoa dá de que está se deprimindo: já não se sente mais bem junto com os colegas do trabalho e vai se afastando, perde o prazer pela companhia de outras pessoas, se isolando mais e mais, e ainda tem a percepção de que são os outros que estão se afastando e não ele, que na verdade foi chamado uma, duas, três vezes e negou, e então os amigos realmente deixam de chamar, mas foi pela doença, que o afastou”, destaca. 

Importância do acompanhamento profissional 

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Acompanhamento profissional é imprescindível, e em casos mais graves medicação também é recomendada

(foto Clínica Bem Viver)

O psiquiatra afirma que o acompanhamento profissional, por um psicólogo e um psiquiatra, é muito importante para o tratamento de depressão e ansiedade. 

“Quando a gente pega um paciente com depressão no começo, muitas vezes sequer precisa tomar remédio, a gente trata com psicoterapia. A intervenção medicamentosa acontece nos quadros moderados a graves da depressão que, além da psicoterapia, é preciso tratar com antidepressivo. A gente precisa lembrar que a depressão é uma doença do corpo, um mau funcionamento do cérebro e por isso é tratada com remédio. Por isso, buscar ajuda profissional nos primeiros sintomas é fundamental”, comenta, pontuando que já atendeu casos de 20, 30 anos de depressão que nunca foram tratados, e que podem ter desfechos mais complexos. 

Setembro Amarelo 

O médico opina que o mês já é conhecido pela campanha de prevenção ao suicídio e que isso é bastante importante.

“Chama a atenção de uma coisa que passa silenciosa, por motivos de saúde pública a gente não dá repercussão aos casos de suicídio, mas certamente lembrar e salientar que as pessoas estão em sofrimento e que precisam de ajuda tem um efeito favorável na prevenção ao suicídio; incentivar que busquem o CVV e profissionais como psicólogos e psiquiatras para que a gente evite um desfecho fatal da doença”, diz. 

Segundo César, o ditado popular de que ‘quem quer se matar, não avisa’ não é verdadeiro, pois normalmente a pessoa dá sinais de que não está bem. Por exemplo, um homem que vai parar várias vezes no hospital porque tomou remédios e tentou se matar – ele está dizendo que está tentando suicídio e que precisa de ajuda. 

“A pessoa pode tentar uma, duas, três vezes até conseguir e isso precisa ser valorizado. Quando alguém busca ajuda, é porque está sofrendo! As próprias equipes de saúde às vezes desprezam, falam que ‘tentou chamar a atenção’, mas é claro que quis chamar a atenção, porque está sofrendo”, afirma. 

O médico lembra que uma tentativa de suicídio ou até mesmo a ideia de acabar com a vida sempre precisam ser ‘valorizadas’. 

“Se tentou uma vez, pode tentar de novo, até conseguir, e é nesse período que temos que intervir, tratar. Não é frescura, fingimento, encenação. A pessoa não está bem e está pedindo ajuda. Podemos mudar o rumo da história e evitar que a pessoa venha a se suicidar, podemos evitar que um desfecho fatal aconteça na vida de alguém”, completa. 


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