Balneário Camboriú esteve presente na COP30 por meio de empresários, lideranças e representantes envolvidos com a pauta ambiental. Eles acompanharam debates, revisões de acordos e iniciativas globais essenciais para o futuro climático do planeta, e levaram consigo a perspectiva de uma cidade que busca avançar em sustentabilidade sem perder sua vocação para o turismo e o desenvolvimento.
O Página 3 conversou com alguns desses participantes para entender o que viram, viveram e trouxeram como aprendizado da conferência. O vereador Eduardo Zanatta também participou e concedeu entrevista ao Página 3 anteriormente (leia aqui).

Fernando Assanti, presidente do Selo Social – “Minha avaliação é muito positiva. Tivemos ganhos históricos para o debate do clima no mundo, como o início do debate para a criação dos “mapas do caminho”, um para o fim dos combustíveis fósseis e outro para zerar o desmatamento.
Além disso, pela primeira vez, os países aprovaram indicadores objetivos para medir o grau de adaptação dos países aos eventos extremos do clima, como infraestrutura e sistemas de saúde. É fácil a gente se frustrar quando não vê avanços maiores, mas gosto de destacar que mesmo em uma reunião de condomínio é difícil todos chegarem em um consenso. Então precisamos projetar isso para uma escala mundial, onde cada país tem seus interesses políticos e econômicos.
Cada avanço precisa ser comemorado e cada processo de discussão que não chegou em consenso também é um passo a mais para que a gente amadureça a pauta para a COP 31. Também acho que o Brasil acertou em levar o mundo para conhecer a Amazônia. Além de abrir a cabeça das lideranças internacionais, também levou a COP para junto dos povos indígenas, que tiveram uma presença recorde nessa Conferência”.

Carla Cravo, bióloga e ambientalista, representante da prefeitura de Balneário Camboriú e também da ONG Ideia – “A presença de Balneário Camboriú na COP30, em Belém (PA), marcou um momento estratégico para o fortalecimento da Política Municipal de Educação Ambiental e para a consolidação do Projeto Escola do Rio e Mar, iniciativa intersetorial que integra Subprefeitura da Região Sul, Fundação Cultural, EMASA, Secretaria de Educação e Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico. Integrei diversos painéis e atividades da conferência, levando a experiência de Balneário Camboriú a diferentes públicos. Entre eles, destaco a apresentação na Casa Vozes dos Oceanos, no Centro Cultural Casa das Onze Janelas, a convite do Deputado Marquito e de Vilfredo Schurmann, conectando as escolas do rio e mar catarinenses às agendas globais do oceano e do clima.
Também participei dos Diálogos COP30, no âmbito do Global Youth Climate Pact (GYCP), contribuindo com o grupo “Educação Ambiental Climática: Currículo Azul” PPGE/UNIVALI, movimento internacional que incentiva o protagonismo juvenil e ações socioambientais nos territórios. Outro momento marcante foi a apresentação do Projeto Escola do Rio e Mar ao professor Marcos Sorrentino, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, durante a abertura do Pacto Mundial Jovens pelo Clima, fortalecendo articulações para futuras parcerias institucionais.
A agenda incluiu ainda o pré-lançamento da coleção “Kat e a Voz dos Oceanos”, de Heloisa Schurmann, além de articulações para uma visita ao projeto em Balneário Camboriú. A experiência na COP30 foi acompanhada pela acolhida generosa do povo belenense e pela consolidação de diálogos essenciais para o avanço da política municipal de educação ambiental”.

Luciene Vieira, empresária do varejo, Conselheira Municipal do Meio Ambiente, integrante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú; Coordenadora de Mobilização do Comitê ODS de BC e foi Delegada da Conferência Nacional do Meio Ambiente – “Balneário Camboriú e Camboriú enviou 10 pessoas à Belém – o vereador Eduardo Zanatta e seu assessor, Vitor Serpa; o casal de biólogos Cristiano Voitina e Carla Cravo; o presidente do Instituto Selo Social, Fernando Assanti; a jovem liderança e biólogo, Gustavo Ribeiro; a química reapresentante do IFC, Michela Cancillier e eu. No grupo de WhatsApp Catarinas em Belém, havia cerca de 25 pessoas. Bom citar a presença dos deputados estaduais Marquito e Pedro Uczai e de muitos professores universitários, de áreas várias, como Oceanografia, Biologia, Direito Internacional e Sociologia.
E, ainda importante, a Casa Voz dos Oceanos, que trouxe representantes da economia azul no Brasil e a ciência sobre os oceanos para o meio da floresta amazônica – uma iniciativa dos catarinenses Schürmann e do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Dos muitos insights que essa experiência me trouxe foram: a percepção da grandeza e da riqueza de nosso país, de nossa cultura e diversidade; do importante e resistente trabalho de nossas universidades e pesquisadores e da amabilidade e acolhimento de nossa população – mesmo com o número assombroso de casos crescentes de xenofobia no país, a COP é um grande evento da cooperação, da diplomacia, da ciência e da esperança, a cidade de Belém se esmerou e entregou um evento perfeito para todos e participação popular e da sociedade faz toda a diferença e foi lindo ver tantas manifestações pacíficas acontecendo diariamente”.

